Cruzeiro e Flamengo mostram estratégias eficazes

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Foto: Divulgação

COMPLETANDO
A JOGADA
: Após a definição dos finalistas da Copa do Brasil de 2017 ficam as
indagações de qual time utilizou a melhor estratégia, já que o nível técnico
das equipes que disputavam a semifinal se equiparava.

Cada
um a seu modo, Cruzeiro e Flamengo tiveram o mérito de conseguir anular as
principais características dos adversários. O resultado foi que Grêmio e
Botafogo não conseguiram mostrar o estilo habitual que os têm colocado em
destaque na temporada.
O Grêmio
não foi ofensivo e letal como é sua característica. Como já tinha a vantagem de
ter vencido o primeiro jogo desta semifinal por 1 a 0, optou por adotar
estratégia mais conservadora e demorou em tentar se tornar ofensivo. Acredito
que a configuração do jogo poderia ter sido outra se Fernandinho e Everton
tivessem entrado mais cedo em campo.
O
futebol do tricolor gaúcho, que é vistoso e letal, baseado na posse de bola e
na velocidade de seus atacantes, não apareceu. A impressão que ficou foi de que
a equipe comandada por Renato Gaúcho aceitou passivamente o estilo imposto pelo
adversário mineiro.
 O Cruzeiro, por sua vez, focou sua estratégia,
muito bem montada por Mano Menezes, para primeiramente congestionar o meio
campo gaúcho. Foi objetivo na criação de jogadas ofensivas. Em minha opinião,
teve chances de resolver a partida em tempo normal, mas só não conseguiu porque
o Grêmio se organizou defensivamente.
Considero
o placar justo, apesar do resultado final ter sido através de cobrança de pênaltis,
pois o Cruzeiro foi mais organizado em campo. O volante Hudson conseguiu ajudar
o setor defensivo e qualificar as saídas de bola, tornando o time técnico e
veloz.  Pareceu-me que a equipe de Mano
seguiu a risca o planejamento e mostrou que queria a vitória.
Cenário
parecido ocorreu na semifinal disputada no Maracanã. O Botafogo, que com
orçamento modesto e elenco sem grandes estrelas, na Libertadores tem se
notabilizado por tentar construir vantagem segura no primeiro jogo de fases
eliminatórias, porém não conseguiu se impor no primeiro jogo desta semifinal.
Este fato teve peso fatal no ânimo da equipe que não apresentou a mesma
confiança demonstrada nos jogos anteriores da Copa do Brasil.
O
Flamengo, apesar de estar em inicio de trabalho com o novo comandante Reinaldo
Rueda, já mostrou evoluções significativas. Principalmente, no setor defensivo
que era um dos problemas do esquema do antigo técnico Zé Ricardo. Apresentou
maior segurança, o que deu mais equilíbrio ao time.
Desta
forma, foi mais fácil para o Flamengo impor a estratégia de Rueda, que mostrou
ter estudado sistematicamente as características do Botafogo. Montou o Flamengo
para primeiro impedir os contra-ataques, que é uma das principais marcas do
Botafogo com o estilo de Jair Ventura.
O
sucesso das estratégias de Cruzeiro e Flamengo mostra que no futebol é
imprescindível a análise prévia das principais características do adversário.
Por
isso, a final da Copa do Brasil deverá ter jogos de ótimo nível técnico. Tanto
Flamengo como Cruzeiro possuem elencos qualificados e técnicos perspicazes que
já mostraram saber neutralizar o adversário.
Assim,
considero fundamental construir vantagem segura no primeiro jogo da final,
lembrando que o gol qualificado não é critério de desempate no confronto final.

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