Em busca do tempo perdido

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Jogadores do Flamengo comemorando gol na Ilha do Urubu – Foto: Gilvan de Souza

MAURO
BETING
: ESCREVE GUSTAVO ROMAN

Pode
até não parecer. Mas o duelo entre Rubro-Negros era de extrema importância. O
Flamengo, finalista da Copa do Brasil e buscando se recuperar no campeonato
nacional veio num misto de 4-2-3-1 e 4-4-2. Rueda mandou a campo Cuellar e
William Arão atuando centralizados. Berrío, novo xodó do torcedor, aberto pela
direita. Everton na esquerda. Diego atuando hora como meia central e hora
encostando mais em Guerrero. Tentando assim diminuir um pouco de seu desgaste.
E aproveitando para entrosar um pouco mais a espinha dorsal que deve atuar na
primeira partida da decisão frente ao Cruzeiro. Já o Furacão veio num 4-2-3-1
clássico. Eduardo Henrique e Pavez  como
volantes. Sidcley e Nikão nas extremas. Guilherme centralizado e Ribamar no
comando do ataque.
O time
visitante adiantou suas linhas de marcação e tentou sufocar o adversário. Até
finalizou mais no início do jogo. Sempre conseguindo boas jogadas pela
esquerda, na combinação Fabrício/Nikão. Porém, não conseguiu ser efetivo e
levar perigo a meta de Diego Alves. Os donos da casa, ao contrário, foram
letais e objetivos. Mantiveram a posse de bola. Trocaram inúmeros passes. E
marcaram duas vezes. Aos 17, após cobrança de escanteio que Arão testou.
Weverton defendeu no susto. Diego aproveitou a sobra e fez um a zero. E aos 31,
quando Berrío ganhou no corpo de Fabrício e cruzou. A zaga afastou mal. Arão
pegou de primeira e marcou um belo gol.
O dedo
do treinador colombiano começa a aparecer de maneira mais evidente. O Fla agora
fica com a bola, como ficava nos tempos de Zé Ricardo. No entanto, não cruza
tantas bolas altas na área. Usa a posse da pelota para abrir espaços, com
paciência. Também aproveita bem as bolas longas, especialmente os lançamentos
em diagonal que saem dos zagueiros em busca dos jogadores de lado campo. Chega
menos vezes na meta do oponente. Contudo, é muito mais letal, objetivo. Além de
sofrer poucas ameaças na retaguarda. Em suma, controla a partida com eficiência
e qualidade.
Na
etapa complementar, o Atlético voltou com Pablo e Douglas Coutinho nos lugares
dos apagados Ribamar e Sidcley. O time carioca recuou. O Furacão rondou a área,
continuando a levar vantagem pelo lado esquerdo de ataque. Chegou a criar
alguns lances perigosos. Porém, a zaga formada por Rhodolfo e Juan esteve
impecável, tanto por baixo como por cima. De qualquer forma, Rueda percebeu o
perigo por aquele setor e tirou Berrío para a entrada de Rômulo, passando Arão
para acompanhar as descidas de Fabrício.
Depois,
voltou ao 4-2-3-1/4-4-2 com a saída de Cuellar. Vinícius Júnior entrou para
jogar na esquerda. Arão voltou para a faixa central e Everton ficou incumbido
de fechar o lado direito. Nos últimos 15 minutos, o Flamengo só não ampliou
ainda mais a vantagem porque Weverton fez pelo menos três ótimas defesas em
finalizações de Guerrero, Rhodolfo e Rômulo.
A
primeira derrota do Atlético fora de casa com Fabiano Soares não é motivo para
desespero. O time segue se recuperando na competição e deve brigar por uma vaga
na Taça Libertadores do ano que vem. Hoje, acabou sofrendo com algumas atuações
individuais ruins. E com um adversário forte, que o suplantou tecnicamente.
Completamente aceitável e compreensível.
A
vitória serve para comprovar o crescimento do Mengo sob o comando do
colombiano. Uma equipe que se torna mais consistente, perigosa e encorpada a
cada rodada, conforme vai evoluindo a todo vapor. Uma pena para os torcedores
que Rueda tenha chegado tão tarde. Ou, possivelmente, o brasileirão e quem sabe
até a Libertadores ainda seriam objetivos alcançáveis. Agora é correr atrás do
tempo perdido.

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