Ex-zagueiros do Flamengo analisam atual fase da defesa

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Ronaldo Angelim, ex-zagueiro do Flamengo – Foto: Arthur Yago

MARLUCI
MARTINS
: Idade avançada, falta de comunicação, erro de posicionamento. São
muitas as teorias a respeito dos problemas da defesa do Flamengo que, em uma
semana, sofreu sete gols do Santos, com derrotas por 4 a 2, na Copa do Brasil,
no dia 26 de julho, e 3 a 2, no Campeonato Brasileiro, na última quarta-feira.
O blog Extracampo ouviu cinco ex-zagueiros do Rubro-Negro. Rondinelli e Wilson
Gottardo cobram mais comunicação por parte dos zagueiros. Ricardo Rocha,
Gonçalves e Ronaldo Angelim juntam-se à dupla para dar unanimidade à tese de
que os defensores do técnico Zé Ricardo cometem, sim, erros fatais e primários
de posicionamento.

Dos
cinco zagueiros, apenas Gonçalves vê a idade avançada como um peso para Juan,
de 38 anos, e Réver, de 32. Nada, porém, que na sua opinião não possa ser
corrigido com a participação dos volantes Márcio Araújo e Cuellar. O problema,
porém, não se limita à zaga. O lateral Pará, de 31, não passa pelo crivo de
Rondinelli e Angelim:
– Ele
não encostou, e o Ricardo Oliveira decidiu o jogo (de quarta-feira) com um gol
– diz Rondinelli.

Estava mal posicionado. Demorou a fechar – critica Angelim.
Abaixo,
as ponderações de Rondinelli, Gonçalves, Ricardo Rocha, Gottardo e Ronaldo
Angelim:
Rondinelli
aposentou-se aos 33 anos, devido a um problema no joelho:
“A
defesa do Flamengo é um horror. Os gols saem em erros de posicionamento. No
terceiro gol do Santos, o Pará não encostou, e o Ricardo Oliveira decidiu o
jogo com um gol. E cadê a experiência do Réver? Ninguém fala nada em campo.
Cadê a liderança dentro de campo? Não estou cobrando qualidade, pois todos têm.
Mas eles têm que se comunicar mais, enxergar os pontos vulneráveis e pedir
socorro a quem estiver mais próximo.”
Gonçalves
aposentou-se aos 34 anos:
“Juan
e Réver não têm muita velocidade jogando juntos. Principalmente o Juan. Por
isso, tem que haver muito entrosamento com os volantes Márcio Araújo e Cuellar.
O ajuste da zaga passa também pela sobra, para que ninguém se exponha. Eu e
Gottardo jogamos juntos aos 30 anos e, se o centroavante entrava pelo lado
dele, eu fazia uma sobra de no mínimo dois metros. Se a bola passasse pelo
Gottardo, era minha. Do jeito que está sendo feita a linha defensiva, se a bola
passa entre os dois zagueiros, nenhum deles consegue chegar. Tem que fazer a
sobra de dois metros para que alguém se responsabilize pela bola nas costas do
outro. Se o Juan encosta no atacante adversário, o Réver tem que estar dois
metros atrás dele.”
Ricardo Rocha
aposentou-se aos 37 anos:
“O
problema é de posicionamento. Muitas vezes, a defesa está formada em linha, com
o meio-campo dando muito espaço. Os zagueiros do Flamengo, bons, não são
velozes. Tem que compactar. A idade não é problema, mas tem que haver um
revezamento.”
Gottardo – aposentou-se aos 38
anos:
“No
futebol moderno, o sistema defensivo começa lá na frente, com a participação de
todos. Mas, no Flamengo, com exceção ao Márcio Araújo e ao Cuellar, os demais
jogadores não são marcadores. Essa é a maior evolução que precisa ocorrer. O Zé
Ricardo tem que criar um sistema defensivo mais consistente, substituindo um ou
dois jogadores. Ou fazendo com que os jogadores percebam isso. É certo que quem
paga a conta é a dupla de zaga. O miolo de zaga tem que coordenar o sistema
defensivo. Eu, como zagueiro, orientava meus colegas, tentava antever a jogada
do adversário.”
Ronaldo Angelim
aposentou-se aos 37 anos:
“Falta
atenção. É tudo uma questão de posicionamento. Não vejo problema na idade dos
zagueiros, pois os gols não surgem em jogadas de velocidade. Na verdade, o
Flamengo toma muito gol pelo alto. E o Pará estava mal posicionado no terceiro
gol do Santos. Ele demorou a fechar.”

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