Flamengo afunda e presidente tira vice-Presidentes do sério

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Diretoria do Flamengo em restaurante – Foto: Divulgação

MAURO
CEZAR PEREIRA
: O Flamengo tem um dos mais caros elencos do Brasil. Mas dinheiro
não é tudo, na vida e no futebol. Assim, perdeu os três jogos que disputou fora
de casa na Copa Libertadores e saiu melancolicamente na fase de grupos, mesmo
com o maior investimento entre os times da chave. Por isso, nos últimos dias
jogou duas partidas seguidas em São Paulo, teve chances de vencer ambas e leva
um só ponto em seis para o Rio de Janeiro. E hoje já está 15 atrás do
Corinthians.

O site
Futebol em Números registrou: o Flamengo havia sofrido três gols em um só jogo
na temporada (3-3 no Fla-Flu no Carioca). E tomou sete do Santos em duas
partidas (4-2 e 3-2). E mais: nos cinco últimos jogos, dos 15 pontos possíveis,
o Palmeiras ganhou 13, Grêmio e Santos 11, Corinthians nove e Flamengo seis!
Pífio! Alguns vice-presidentes (VPs) pensam numa reunião para questionar o
momento do futebol comandado por Eduardo Bandeira de Mello.
Entre
2015 e 2016, o Flamengo não tinha um grupo de jogadores tão caro, mas perdia
seguidas vezes para um Vasco mais modesto. Foram nove jogos entre os rivais,
seis vitórias vascaínas e três empates, três gols marcados e 10 sofridos pelos
rubro-negros. Isso num momento de rebaixamento cruzmaltino. O presidente era
Eduardo Bandeira de Mello. Também em sua gestão o Atlético fez 4 a 1 e eliminou
o time da Copa do Brasil em 2014. Vexame histórico! É o DNA perdedor.
Em seu
quinto ano no poder, Bandeira finalmente teve condições de investir num time
forte. Graças à política de pagamento de dívidas, também desenvolvida por
alguns de seus hoje desafetos, e pelo faturamento, que cresceu. Não que o
Flamengo tenha alavancado receitas de maneira espetacular nos dois últimos
anos. O contrato com a TV Globo e a venda de Vinícius Júnior ao Real Madrid
encheram os cofres, permitindo que o elenco ganhasse mais corpo. Mas não
bastou.
Desde
o afastamento de Flávio Godinho da vice-presidência de futebol, Bandeira
acumula o cargo. Ele é presidente e ao mesmo tempo o VP da pasta mais
importante. O que isso significa? Que o futebol rubro-negro está em suas mãos,
e nas de Fred Luz, o CEO, seu inseparável parceiro. Os demais VPs já não têm
voz ativa, perderam poder de influência e até mesmo a chance de serem ouvidos.
Criticá-los pela fase do time nem é justo, diga-se.
Bandeira
disse em entrevista ao canal Fox Sports que quatro
jogadores (Muralha, Rafael Vaz, Márcio Araújo e Gabriel) são seus
“protegidos”, assim como Zé Ricardo. Há dirigentes que desejam a
troca de técnico, mas a decisão é toda do presidente, que promete mantê-lo. E o
mantém. Aliás, o “protege”, mesmo com a apatia de sempre, de quem
parabeniza os jogadores após a derrota e não demonstra indignação ao
reencontrá-la.
Tamanho
comodismo é a cara do atual Flamengo. Salários em dia, contas sendo pagas,
estrutura para o pessoal trabalhar, mas pouco ímpeto competitivo. É como um
grupo de concursados que sabem bem, só serão mandados embora se fizerem muitas
bobagens. A tal estabilidade que é uma espécie de praga em setores do serviço
público no Brasil. Só que os adversários funcionam como em empresas
competitivas, que precisam matar um leão por dia. E matam.
Por
essas e outras o Flamengo joga melhor do que o Santos, e perde. Leva os sete
gols santistas em uma semana. Cria, cria, cria, mas não faz. Como diz o
companheiro André Rocha, é um time arame liso, não machuca adversários. Já o
rival, mesmo jogando menos, busca o gol, não se contenta com o resultado, e
vence. E na semana passada, pela Copa do Brasil, por pouco não fez os
rubro-negros reviverem a eliminação para o Atlético em 2014.
A
distância, gigantesca, é de 15 pontos para o Corinthians, líder convicto e
clube acostumado a vencer.  Nem em 2009,
em campanha de título, o Flamengo estava tão longe do primeiro colocado como
hoje. Em 1992, quanto o o clube carioca ganhou seu quinto Campeonato
Brasileiro, os corintianos tinham um. Em dezembro os alvinegros podem passar a
frente dos rubro-negros chegando ao sétimo, que seria o terceiro em sete
temporadas.
Eliminado
da Libertadores ainda na fase de grupos e com um gol sofrido no último lance da
partida com o San Lorenzo, na Argentina. Virtualmente fora da briga pelo título
nacional ainda no primeiro turno, dependendo de uma reação mais do que
improvável. Tudo isso sem viajar como em 2016, com estrutura para treinar,
ótimo elenco e salários em dia. Ora, será que nem diante de tais fatos o
comando do futebol admitirá que está fazendo algo errado?
O
Flamengo é um bom elenco sem a cobrança devida. Quando ela vem, como após os 4
a 2 na Vila Belmiro, o presidente a desautoriza. O site Globo Esporte informou
que o diretor executivo Rodrigo Caetano reclamou da atuação no vestiário, e
Rafael Vaz não gostou. Três dias depois Bandeira surgiria na TV elegendo seus
“protegidos”, entre eles o zagueiro. Ambiente de futebol profissional
ou de concursados com seus paletós sobre as cadeiras?
Na
derrota para o Santos, Márcio Araújo errou em dois gols, o primeiro, de Bruno
Henrique, com “assistência” dele, e o segundo, de Alisson, num
bizarro “bote” errado. Apesar de tantos erros nos últimos jogos e de
sua evidente deficiência técnica, ele segue titular. Com a segurança de um
concursado. Se bem que do jeito que erra, fosse funcionário público ou de
estatal, possivelmente seria, pelo menos, transferido de setor. No caso, para o
banco de reservas.
Mas
quem ousa mexer com um “protegido”? Hoje, o paternalismo, a postura
do presidente atrapalha o crescimento de Zé Ricardo. Caso ele fosse cobrado e
estimulado a arriscar, ousar, talvez o Flamengo tivesse a bola, trocasse passes
e agredisse para valer. Seria arame farpado, fio desencapado. Desse jeito, só
dá “choques” em seus próprios torcedores, que concederam aval aos dirigentes
e agora cobram a conta. Não das dívidas, mas das vitórias prometidas.
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