Flamengo de altos e baixos abre espaço para Berrío e Vinícius Júnior

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Vinicius Júnior driblando Fagner em Corinthians x Flamengo – Foto: Divulgação

EXTRA
GLOBO
: As atuações irregulares e os altos e baixos das principais peças do
elenco do Flamengo impedem os voos mais altos previstos por Zé Ricardo. A
rotina no clube passou a ser exaltar uma parte de um jogo e lamentar por outra.
Embora o treinador sustente a ideia de manter uma forma de atuar, na prática o
time exibe de novo fragilidades e deficiências, que o fizeram cair para a
quinta posição no Brasileiro.

Diego,
Éverton Ribeiro e Guerrero, trio que cerca a área dos adversários de forma
pouco incisiva, crescem individualmente quando as pontas ganham força e
habilidade. Com as entradas de Berrío e Vinícius Júnior, como contra o
Corinthians, o Flamengo é mais vertical e finaliza mais. Eis o dilema para Zé
Ricardo. Pois a qualidade do trio titular e a importância tática de Everton na
ponta esquerda quase congelam a escalação do ataque.
Everton
tem sido improvisado na lateral para a entrada dos demais velocistas. Muda-se
alas e volantes, que andam mal, em busca de alternativas ofensivas. Mas isso
quando o jogo está em “modo” superação e o time corre atrás do
placar. Se na defesa, os erros dos últimos jogos saltaram aos olhos, no ataque
a dificuldade de penetração é crescente. Não é á toa que o Flamengo é o time
que mais alça bola na área no Brasileiro. São mais de cem cruzamentos.

Quando entrarmos com dedicação, nível de concentração alto, vamos ter voos
altos. Mas não adianta ser assim contra o Corinthians e Santos e depois deixar
cair. Temos que seguir nesse alto nível – cobrou o zagueiro Réver.
Nesse
cenário, o meia Diego aparece como o principal alvo a ser cobrado. A queda de
produção coincide com a da equipe. Além do gol perdido diante do Corinthians no
único lance que chegou na área para finalizar, o craque não consegue criar
situações e não balança as redes há cinco jogos. Segundo artilheiro do time,
com dez gols, atrás apenas de Guerrero, Diego chegou a ser poupado contra o
Coritiba, mas o problema não é só o desgaste.
Nem só
Diego, é verdade. Guerrero também oscila entre um jogo brilhante e outro
apagado. E Éverton Ribeiro, quando não tem companhia, não vai bem
coletivamente. Na gangorra rubro-negra, Rafael Vaz deu lugar a Juan, e Willian
Arão entrou bem. Com elenco numeroso, falta encontrar o time outra vez.
Chama o garoto
Vinícius
Júnior tem 12 jogos nos profissionais do Flamengo, mas voltou para o fim da
fila recentemente devido a chegada de reforços de peso. A questão é que as
estrelas da companhia não resolvem a todo momento, e com isso o jovem de 17
anos teve novas chances com Zé Ricardo nas últimas partidas.
Contra
o Corinthians, entrou no segundo tempo e fez boas jogadas na ponta esquerda. E
é arma para o duelo com o Santos amanhã, em São Paulo. Pela Copa do Brasil,
Vinícius não entrou devido à forte pressão da partida, mas já tinha sido
requisitado no jogo anterior do Brasileiro, diante do Coritiba, quando sofreu o
pênalti que garantiu a vitória no fim.
Com
uma forma de jogar consolidada, o Flamengo sofre para se reinventar sem ter os
movimentos antecipados pelos adversários. Aí é que a habilidade da jóia
rubro-negra, vendida ao Real Madrid por R$ 164 milhões, pode ser útil. Hoje,
dificilmente Vinícius Júnior volta a ser titular. No entanto, deve ser acionado
de forma mais constante, sobretudo porque Geuvânio, outro dos mais habilidosos
no elenco, se machucou.
Tirando
Vinícius, os demais jovens da base seguem no fim da fila. Apenas Felipe Vizeu
teve oportunidades recentes, mas apenas por alguns minutos. No meio-campo e na
defesa, que vivem trocando peças, garotos como Ronaldo tem poucas chances com
Zé Ricardo.
E ainda tem Conca…
Conca
seria uma opção para quebrar defesas, mas o Flamengo considera que o meia não
está apto fisicamente para competir em alto nível. O diretor Rodrigo Caetano
disse que a ideia ainda é utilizar o jogador este ano.

– Se
ele está aqui o interesse é de utilizar. Lembrando, porém, que temos seis
estrangeiros. É uma decisão que passa pelo Zé Ricardo. Não é simples assim.

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