Flamengo é grande demais para pensar tão pequeno assim

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Guerrero e jogadores do Flamengo comemorando gol – Foto: Gilvan de Souza

ESPN
FC
: Por João Luis Jr.

A
verdade é que nunca quisemos tanto acreditar num projeto de Flamengo. A
diretoria que organizou as finanças, pagou dívidas e concluiu CT. O
departamento de futebol que fez grandes contratações e deixou claro que a Gávea
é, sim, um sonho de consumo para jogadores de alto nível. O treinador que veio
da base, conhece o clube, cujo trabalho está sendo abordado com paciência, não
sendo descartado após a primeira série de resultados negativos.
Mas,
como vem ficando mais claro a cada derrota ridícula, a cada empate frustante, a
cada eliminação dolorida, um time campeão precisa de mais do que isso. Não que
segurança financeira, grandes contratações e estabilidade para o treinador não
sejam passos importantes num caminho de vitórias, mas eles não são, em hipótese
alguma, garantia de nada, certeza de nada. São apenas elementos que tornam esse
processo mais fácil, que aumentam as possibilidades de sucesso, mas não
caixinhas que, se ‘ticadas’, garantem conquistas e levam naturalmente ao
sucesso. Não representam uma direção que, quando colocada no Uber do futebol,
tudo que você precisa fazer é se acomodar e esperar chegar a um destino chamado
“títulos”.
E
exatamente isso que o Flamengo não pode nunca fazer: se acomodar.
Não
pode se acomodar com discursos como “esse empate dentro de casa é aceitável”,
“essa derrota é normal num campeonato longo”, “o rival é muito mais forte”.
Porque, claro, empates acontecem, derrotas existem, vamos enfrentar times mais
fortes. Mas para ser campeão você precisa não aceitar esse empate, transformar
essa derrota em virada, pegar o time mais forte e ao menos naquele dia ser mais
forte do que ele.
Falta
hoje ao Flamengo, tanto ao time quanto à diretoria e até uma parte da torcida,
essa capacidade de não se conformar. Não se conformar com G4, não se conformar
com dominar o jogo e perder, não se conformar com Márcio Araújo ou Rafael Vaz
titulares – e não falo deles como jogadores isolados, falo como exemplo da
mediocridade disfarçada de “opção tática” ou de “melhor jogador
que temos hoje”. Não se conformar com tudo nesse time, nesse clube, que é
bem menos do que precisamos para ser campeões. E é isso que o Flamengo precisa
sempre almejar: ser campeão.
Não
porque seja possível ser campeão todo ano, não porque é “obrigação”,
mas porque é a única meta possível quando você tem a grandeza do Flamengo –
ainda mais quando essa grandeza se reflete no investimento financeiro
envolvido. O Flamengo precisa estar sempre inconformado em qualquer situação em
que não lidere, em que não vença, em que não domine. Não por presunção, não por
se achar superior, não por falta de respeito aos outros clubes e seus projetos,
mas porque isso é e precisa sempre ser o Flamengo.
Temos
um hoje uma diretoria que parece satisfeita com o G6, um treinador que parece
ter aceitado há um certo tempo que o time não briga pelo título, e isso se
reflete num grupo que, ainda que muito talentoso, parece acomodado com os
resultados e incapaz de decidir nas horas em que se faz necessário. E isso não
vem de quarta contra o Santos, não vem de mês passado contra o Palmeiras, isso
vem de um Flamengo que foi eliminado da Libertadores perdendo todas as partidas
fora de casa, num grupo em que o Atlético-PR se classificou, e considerou isso
apenas um “tropeço”, o que é mais ou menos tão absurdo quanto considerar a
inundação do continente perdido da Atlântida apenas um “problema de
encanamento”.
Não
podemos nos conformar com isso. Isso não é o bastante, isso não é o que
merecemos e podemos. Isso não é Flamengo. E talvez só quando cada um de nós
perceber isso, desde a torcida até a diretoria, possamos voltar a fazer o que o
nosso hino diz. E ele diz “vencer, vencer, vencer”. Ele não diz
“perder de virada jogo que já parecia decidido, ganhar de time fraco pra
dar alívio pro técnico, empatar quando podíamos vencer e aí elogiar o resultado
fora de casa”.
Precisamos
ser mais do que isso. Precisamos ser maiores do que isso. Precisamos ser mais
Flamengo do que isso.

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