Flamengo: novas diretrizes em tempos de Rueda

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Reinaldo Rueda e Vinicius Júnior, do Flamengo – Foto: Gilvan de Souza

ESPN
FC
: Foram 12 dias, 3 jogos, alguns treinos. Duas vitórias, um empate e uma
classificação com um quê de heroica para a final da Copa do Brasil. E ainda que
seja muito cedo para dizer que Reinaldo Rueda “mudou”, “revolucionou” ou
“consertou” o Flamengo, já que nesse tempo ele nem deve ter começado ainda a
entender as piadas do Rodinei, já é possível, sim, notar no time que vemos hoje
algumas das ideias que o colombiano parece querer implantar na equipe
rubro-negra.

Primeiro
a preocupação com a defesa, que aparentemente foi a prioridade inicial de Rueda
em sua chegada ao Flamengo. Antes confuso, incapaz de marcar qualquer
lançamento em profundidade e reconhecido por tomar gols de basicamente qualquer
pessoa que tentasse fazer um gol nele, o setor defensivo rubro-negro não foi
vencido desde a chegada de Rueda. Ainda que isso se deve  ao perfil dos adversários recentes –
Atlético-GO não costuma fazer gols, Botafogo nem chegou a tentar –, tem também
muito a ver com a maneira como Rueda decidiu posicionar o Flamengo.
Isso
porque, com os laterais atuando de maneira mais defensiva, o treinador não
apenas conseguiu compactar mais o setor, como também reduzir o perigo das bolas
enfiadas e deixar menos vezes os zagueiros no mano a mano. Isso foi observado
pelo próprio zagueiro Juan, que, aos 38 anos, só deveria precisar correr atrás
de gente mais jovem quando brinca com os filhos e netos no fim de semana.
Outra
mudança feita pelo colombiano e que surtiu efeitos imediatos foi a substituição
de Márcio Araújo por Cuellar, na vaga de primeiro volante. Isso porque, a
despeito de qualquer preferência pessoal e de toda a situação quase folclórica
que envolvia a titularidade de Márcio Araújo, fato é que o volante brasileiro,
apesar da velocidade, da disposição e de aparentemente ser o cara mais gente
boa do futebol mundial, não é muito participativo na saída de bola. Márcio pode
correr, pode brigar, mas é fácil perceber que, quando o time precisa sair da
defesa e construir uma jogada, Márcio se mostra tão distante e disperso quanto
estava durante a comemoração do título estadual ao brincar com uma pokebola
enquanto todo o time levantava a taça.

Cuéllar, ainda que não seja o volante dos sonhos e dificilmente será um dia
apelidado de “o Iniesta sardento da Gávea”, colabora muito mais nesse processo
de transição da defesa para o ataque, voltando para buscar a bola, dando opções
para os zagueiros, até mesmo arriscando algum passe mais elaborado para armação
das jogadas. Isso resolveu todos os problemas do meio de campo do Flamengo? Não,
mas já ofereceu uma consistência e uma segurança que não tínhamos há um certo
tempo.
Somando
isso à surpreendente confiança que Rueda vem demonstrando nos jovens da base,
com mais oportunidades para Vinícius Junior e até mesmo Paquetá – possivelmente
influência das informações que Jayme vem passando para o novo treinador –,
podemos dizer que, ainda que não tenha resolvido todos os problemas que a
equipe apresentava durante a gestão Zé Ricardo, ao menos Rueda parece ter sido
capaz de já nesse começo de trabalho identificar alguns problemas graves, dar
oportunidades a jogadores com potencial, reduzir o teor de tortura psicológica
que cada torcedor lidava ao ver uma escalação com Marcinho como titular.
Ainda
é cedo para avaliar o trabalho de Rueda, mas o novo treinador, com seu jeito de
estudioso e sua aparência de pai de mocinho de novela mexicana, já chegou
mostrando que entendeu o time onde está e quer usar os recursos que tem para
conseguir as soluções que todos nós esperamos. E isso realmente já parece um
excelente começo.

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