“Flamengo precisa de um VP Futebol e de um treinador”, diz RMP

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Técnico Reinaldo Rueda – Foto: Divulgação

RENATO
MAURÍCIO PRADO
: Eduardo Bandeira de Mello é um homem de bem. Além disso,
trata-se, indiscutivelmente, de um rubro-negro apaixonado. E, ninguém pode
negar, tem feito, nos seus cinco anos à frente do Flamengo, um trabalho de
recuperação econômica admirável, digno de todos os elogios e e da gratidão
eterna daqueles que torcem pelo clube mais querido do país. Seu calcanhar de
Aquiles, porém, continua a ser o futebol – o mais valioso dos ativos do Fla.

Se, do
ano passado para cá, começaram a chegar ao Ninho do Urubu reforços de qualidade
(Diego, Éverton Ribeiro, Rhodolfo, Diego Alves etc), os resultados práticos
continuam deixando a desejar. E é impossível não relacionar tal frustração às
falhas no comando do futebol que, desde a saída (por prisão) do ex-vice de
futebol, Flavio Godinho, está nas mãos do próprio Bandeira, assessorado
diretamente pelo CEO Fred Luz – ambos sem nenhuma vivência nos meandros do
“velho e violento esporte bretão”. Espécies de “freirinhas inocentes”
convivendo num ambiente de sórdido lupanar… E eles não aceitam mais a
interferência de ninguém, nem dos vice-presidentes do clube.
Um bom
exemplo dessa “ingenuidade” aconteceu, recentemente, quando o presidente foi ao
“Aqui com Benja” (programa de entrevistas de Benjamin Back, no Fox Sports) e
declarou, enfaticamente, que Muralha, Rafael Vaz, Gabriel e Márcio Araújo
(quatro dos maiores perebas do atual elenco) eram seus “protegidos”. Perdeu uma
excelente oportunidade de ficar calado…
Dias
antes, após a primeira derrota para o Santos (4 a 2, na Vila), o executivo de
futebol rubro-negro, Rodrigo Caetano, tinha soltado os cachorros, no vestiário
(com inteira razão), cobrando o grupo pela quase tragédia (faltou apenas um gol
para a eliminação da Copa do Brasil). E Rafael Vaz tinha sido o seu principal
alvo, pela jogada irresponsável que acabou possibilitando um dos gols
santistas. Pois o atrapalhado zagueiro foi pouco tempo depois nomeado protegido
por Bandeira… Durma-se com um barulho desses…
O que
o dirigente pretendia, na verdade, era garantir a autonomia do técnico Zé
Ricardo (seu maior queridinho). Ou seja, se esse quiser continuar insistindo
com os pernas-de-pau que a torcida não suporta mais (exatamente, os
“protegidos” de Bandeira), que siga escalando-os, apesar das vaias e protestos
das arquibancadas.
Atitude
típica de quem não é do ramo. Ao partir para o confronto com o seu maior
patrimônio, os 40 milhões de rubro-negros espalhados pelo país, o presidente
pavimenta o caminho para o próprio cadafalso.

Ricardo é um estudioso e pode até, no futuro, vir a ser, de fato, um bom
técnico. Por enquanto, não passa de um estagiário, com pouco mais de um ano no
cargo e apenas um título estadual. Andrade e Jayme de Almeida, em menos tempo e
sem o seu marketing, conseguiram bem mais. Ambos ganharam títulos nacionais: o
Brasileiro de 2009, de Andrade, e a Copa do Brasil de 2013, com Jayme. E nem
por isso se tornaram grandes treinadores, tanto que não conseguiram emplacar em
nenhum outro lugar.
Se
houvesse no Flamengo um vice-presidente de futebol do ramo e de pulso, ele já
teria chegado para Zé Ricardo e avisado que não dá mais para aturar Márcio
Araújo (ainda mais agora que Cuellar passou a jogar bem), nem Vaz, nem Gabriel,
nem Muralha – que ideia estúpida foi aquela de lançá-lo no jogo decisivo contra
o Santos, após tanto tempo de inatividade?
Infelizmente,
não há e, pelo visto, Bandeira não está nem disposto a procurar por um, pois na
sua arrogância (uma das marcas de sua personalidade) acha que ele e Luz (outro
neófito futebolístico) podem resolver tudo com Rodrigo Caetano e … Zé Ricardo.
Os
resultados estão mostrando que não podem. A eliminação na fase de grupos da
Libertadores foi vergonhosa, a série de fracassos contra os clubes de cima da
tabela já eliminou as chances reais, no Brasileirão, e restam apenas a Copa do
Brasil e a Sul-Americana para salvar a temporada.
O
Flamengo precisa de um vice de futebol do ramo e de um treinador de verdade (eu
traria, para o próximo ano, o colombiano Reinaldo Rueda). Poderia ter
contratado Abel, no passado, e Cuca, no início desse ano e comeu mosca com os
dois, porque Bandeira e Luz acreditam em Zé Ricardo…
Diante
das pisadas de bola do estagiário, me arrisco a dizer que se ele tivesse sido
trocado, recentemente, por Dorival Jr., Levir Culpi ou mesmo Marcelo Oliveira,
o Flamengo teria saído no lucro.  O time
atual é o espelho do seu treinador: apático, diante de qualquer reação do
adversário, e sem o elã típico da história rubro-negra.
A esta
altura do campeonato, o presidente precisa refletir, seriamente. Porque se, ao
final do ano, não tiver ganho nada expressivo, deixará o cargo lembrado apenas
como um bom gerente administrativo. E presidir o Flamengo é muito mais que
isso.

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