Flamengo tenta forçar torcida a se associar, mas perde em bilheteria

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Ilha do Urubu quase vazia em jogo do Flamengo – Foto: Raphel Zarko

ESPN: São
mais de 100 mil sócios torcedores do Flamengo, mas nos dois últimos jogos na
Ilha do Urubu, contra o Atlético Goianiense e depois o Paranaense, eles não
compraram 10 mil dos 33 mil lugares disponíveis — 29%. Na final da Copa do
Brasil a expectativa da diretoria é de que esses associados esgotem os
bilhetes. É possível, fica claro pelo comportamento que eles, em maioria, pagam
para que possam escolher as partidas que lhes interessam, as de maior apelo,
caso de uma decisão como a do dia 7 de setembro. Como o programa “Nação
Rubro-Negra” não atribui pontos e prioridade pela frequência, como nos de
Corinthians e Palmeiras, poucos se habilitam a comparecer ao estádio para
apoiar o time com assiduidade. E nem seria preciso que todos quisessem ir a cada
peleja, longe disso.

O
local onde o Flamengo manda seus jogos no Rio de Janeiro comporta 20.500
pessoas e, descontados os visitantes, gratuidades e convidados, vão para venda
cerca de 16.500. Menos de 20% do total de associados lotaria a Ilha sempre.
Como os ingressos são proibitivos para quem não é sócio, fica claro que nem de
longe se consegue a meta de encher o pequeno estádio apenas com os que integram
o “Nação Rubro-Negra”. A ele amarrada e tentando forçar quem não é
sócio a aderir e pagar mensalidade, a direção ignora o fato de milhões não
terem condições, e inviabiliza a compra de ingressos avulsos, com valores
exorbitantes.
O
clube vira as costas para a maioria dos flamenguistas e se volta a uma minoria
que proporciona importante receita mensal, mas não acompanha o time como
poderia, ou deveria. Uma reformulação do programa é urgente, com pacotes mais
populares que permitam aos mais pobres pagar pouco para ver pelo menos um
cotejo ou outro (melhor do que nada) e opções específicas para os que vivem
fora do Rio de Janeiro (a maioria dos torcedores do Flamengo). Além de preços
mais baixos para associados em jogos de menor demanda, de forma que o valor
cobrado dos não sócios seja minimamente compatível com a realidade.
Seria
a chance de cativá-los, convencê-los a um ajuste no orçamento para se associar,
ajudar o clube e ter condições de frequentar o estádio, mesmo que algumas vezes
por ano. Se os milhões de rubro-negros se revezassem nas arquibancadas, até o
Maracanã lotaria em qualquer partida. É preciso mudar essa cultura, ajustar
preços à realidade das pessoas, e criar outra, do apoio incondicional real,
como em clubes como o Borussia Dortmund, sediado numa cidade com pouco mais de
500 mil habitantes (a população de Niterói). Em primeiro na Bundesliga ou na
zona de rebaixamento, sempre joga para mais de 80 mil fanáticos.
E o
que são pouco mais de 100 mil sócios para um clube com dezenas de milhões de
torcedores? Há muito o que crescer, desde que com uma política não restritiva,
abrangente, compatível com o poder aquisitivo das pessoas. Se o Flamengo vender
todos os ingressos da final contra o Cruzeiro aos seus associados, haverá quem
comemore. Ignorarão o setor sul da Ilha fechado nos últimos jogos devido à
baixa procura. Vexame que não constrange um “Zé Planilha”, aquele que só olha
cifras, ignora o aspecto técnico, o mando de campo, e nunca entenderá a
importância da proximidade entre um clube de futebol e sua gente. Alguém que
não se envergonha diante de públicos pequenos para um time caro e finalista de
competição nacional. Algo duro de aceitar para quem tem uma torcida que se diz
“Nação”.
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