Jogador do Botafogo se diz envergonhado por ato racista

27
Foto: Reprodução

SPORTV:
O empate sem gols entre Botafogo e Flamengo, no Engenhão, pelo primeiro jogo da
semifinal da Copa do Brasil, ficou marcado não só pelo que ocorreu em campo. A
acusação de discriminação racial por parte de um torcedor alvinegro a parentes
do meia-atacante Vinícius Júnior, que estavam em um camarote do estádio, chamou
a atenção. Titular do Botafogo, o lateral Luis Ricardo lamentou o episódio e
disse ter ficado “envergonhado” pela atitude do torcedor André Luis
Moreira dos Santos.


Muito envergonhado. É uma situação lamentável. Hoje em dia ainda estar vivendo
isso. O Aranha é um amigo particular. E isso já deveria ter acabado.
Infelizmente aconteceu isso ontem (quarta) e ainda (mais) com o torcedor do
Botafogo – disse em entrevista ao programa “Seleção SporTV”.
Luis
Ricardo afirmou que só tomou conhecimento do caso na manhã desta quinta e
revelou que nunca foi alvo de um caso direto de preconceito racial em estádio.
– Não
vivi, mas sempre existe, principalmente em times de fora. Mas graças a Deus
nunca passei por essa situação (uma afronta direta).
Mas revelou
um caso constrangedor durante a pré-temporada, realizada no Espírito Santo.

Estava na pré-temporada (no Espírito Santo) e lá a gente convive com pessoas
normais (torcedores). É até chato falar, mas uma criancinha branquinha e os
pais dela me abordaram para tirar uma foto. Aí quando ela se aproximou de mim,
falou para o pai: “Mas olha a cor dele. Ele é preto”. Aí o pai tentou
contornar a situação. Eu ouvi o que ela falou. Não sei se aprendeu em casa.
Eles ficaram sem graça, e eu não dei a bola e até saí de perto. Criança de dois
ou três anos. Era para tirar foto, mas depois que ela falou isso, eu senti algo
assim e saí de perto.
Entenda o caso de preconceito racial no
Engenhão
O
torcedor André Luis Moreira dos Santos acompanhava a partida no Setor Leste
Inferior, quando fez ofensas a tios do jogador do Flamengo Vinícius Júnior. O
acusado fazia sinais apontando para o braço e gritava “tudo macaco”.
Os familiares do jogador estavam em um camarote no Setor Leste. Perto do local,
dirigentes rubro-negros acompanharam a cena.
O
torcedor foi reconhecido pelas vítimas e encaminhado por policias do Gepe para
o Juizado Especial Criminal (Jecrim) do estádio. Lá, ficou se lamentando
“vocês vão f**** minha vida”. O botafoguense deixou o estádio por
volta de 4h da madrugada. Ele foi encaminhado à Cidade da Polícia.
O ato
foi recriminado pelos próprios torcedores do Botafogo presentes na Leste
Inferior, que cobraram o torcedor responsável pelas injúrias raciais.

COMENTÁRIOS: