Média de bola rolando está 6 minutos abaixo do que Fifa recomenda

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Felipe Vizeu, jogador do Flamengo – Foto: Buda Mendes/Getty Images

GLOBO
ESPORTE
: Para quem gosta do bom futebol, independentemente de torcida, nada
melhor que ver duas equipes buscando a vitória e criando várias jogadas de gol.
Pena que nem sempre isso acontece pelo estado ruim de alguns gramados, além do
excesso de faltas, ceras, catimbas e atitudes antidesportivas ocorridas em campo,
algumas vezes por instrução dos próprios treinadores, diminuindo
significativamente a qualidade e, sobretudo, a duração do espetáculo.

No
Brasileirão, o tempo de jogo das 190 partidas realizadas até a metade do
campeonato foi de 304h51m57s. No entanto, o período de bola rolando foi de
171h42m37, o que representa 56,3 % do total. Na média, cada confronto do
primeiro turno teve 96m16 de duração, sendo que apenas 54m13 de disputa
efetiva, incluindo já os acréscimos. Tal duração está quase seis minutos (5m47)
abaixo dos 60 recomendados pela Fifa.
Dentro
deste contexto, só 23 duelos (12,1%) se enquadrariam no perfil indicado como
ideal pela entidade máxima do futebol mundial. Destaque para Botafogo 1 x 2,
Palmeiras, no Engenhão, pela 18ª rodada, que teve 68m36 de bola rolando, o que
equivale a 71,8% do tempo total de jogo (1h35m31). Na segunda posição aparece
Atlético-PR 1 x 1 Flamengo, na terceira rodada, com 67m14, seguido por Ponte
Preta 0 x 3 Bahia, pela 13ª rodada, que registrou 67m10.

Outras
62 jogos (32,7%) tiveram tempo de bola em jogo entre 55m03 e 59m51, enquanto 60
confrontos (31,6%) registratam período de disputa de bola entre 50m03 e 54m48.
Tivemos ainda 44 duelos (23,1%) em que bola rolou entre 40m54 e 49m57. Apenas
uma partida (0,5%) do primeiro turno teve menos de 40 minutos de bola rolando:
Sport 4 x 0 Atlético-GO (38m29), pela 15ª rodada, disputado com o campo da Ilha
do Retiro bastante encharcado em virtude das fortes chuvas que atingiram
Pernambuco na época.
Se
analisarmos o tempo de bola rolando como um todo nos 19 jogos de cada um dos 20
clubes da Série A, as partidas do Cruzeiro foram as que fluíram mais. Das 30h17
que duraram os confrontos da Raposa, em 18h22 não houve qualquer tipo de
interrupção, o que corresponde a 61% do total. Na sequência aparecem
Atlético-PR (30h32 / 18h04), Grêmio (30h27 / 18h01), Ponte (30h18 / 17h50) e
Corinthians (30h29 / 17h54) , todos com 59%. Por outro lado, nos duelos de
Coritiba (30h31 / 16h14), Fluminense (30h48 / 16h21) e Chapecoense (30h31 /
16h03) ao longo do primero turno, o período efetivo sem paralisações ficou
restrito a 53%.

Ao
compararmos o tempo de jogo com a duração de bola rolando, de acordo com o
mandante dos duelos nas 19 rodadas, as partidas do Cruzeiro (14h27 / 8h43),
juntamente com as do Atlético-PR (14h24 / 8h40) e Ponte Preta (14h30 / 8h40)
são as que apresentam melhor desempenho. Juntando as nove atuações que cada uma
destas equipes fez em casa, o período real de disputa nestes confrontos
representou 60% do total. Logo atrás vêm Grêmio (14h15 / 8h27), Corinthians
(16h03 / 9h30) e Bahia (14h27 / 8h27), ambos com 59%. Assim como no
levantamento geral, a Chapecoense (16h05 / 8h22) é o time cujas partidas fluem
menos quando tem o mando de campo a favor. A explicação pode estar no fato de o
Verdão do Oeste ser o clube mais faltoso do campeonato, com 357 infrações –
média de 18,8 por jogo -, sete a mais que o Palmeiras, vice-líder neste
quesito, com 350.

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