Número de técnicos estrangeiros no Brasil sempre foi pequeno

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Reinaldo Rueda – Foto: Gilvan de Souza

TERRA:
A declaração do técnico do Botafogo, Jair Ventura, de que a contratação do
colombiano Reinaldo Rueda, pelo Flamengo, representa uma ameaça de mercado aos
treinadores nacionais não condiz com o histórico dos grandes clubes
brasileiros, principalmente os do Rio. São poucos os que vieram do exterior
para assumir o comando dessas equipes ao longo das últimas décadas.

No
Flamengo, por exemplo, já fazia 45 anos que um estrangeiro não treinava a
equipe. O último que passou pelo Rubro-Negro foi o paraguaio Fleitas Solich, em
1971 e 1972. Desde então, o clube já trocou de técnico no time principal 112
vezes – incluindo-se os que ocuparam o cargo interinamente.
Os
outros três grandes do Rio, Vasco, Botafogo e Fluminense, não tiveram nenhum
técnico de fora pelo menos desde 2000. Para se ter uma ideia dessa relação
distante dos cariocas com os gringos que escalam os times, o último deles a
treinar o Vasco foi o argentino Filpo Nuñez, em 1960.
Filpo
faria história no Palmeiras anos depois, ao dirigir o time que ficou conhecido
como ‘Academia’ e chegou a comandar a seleção brasileira brevemente em 1965. O
Alviverde também contou recentemente com o argentino Ricardo Gareca por um período
curto em 2014, quando só esteve à frente do Palmeiras por 13 jogos.
No
Corinthians, quem deu o ar da graça foi Daniel Passarella, um dos principais
jogadores do futebol argentino e companheiro de Maradona na seleção de seu
país. Ele teve passagem relâmpago pelo time em 2005 – contratado em abril,
acabou demitido em maio, após derrota por 5 a 1 para o São Paulo. Desde então,
o Timão não recorreu a mais nenhum técnico de fora.
Nas
últimas décadas, o Santos também não registra a presença de estrangeiros dirigindo
o time. Quem foge à regra no Estado é o São Paulo. De 1997 até os dias atuais,
contou com quatro desses nomes: o uruguaio Dario Pereyra (1997/1998), o chileno
Roberto Rojas (2003), o colombiano Juan Carlos Osorio (2015) e o argentino
Edgardo Bauza (2016). Nenhum deles fez sucesso.
Em
Minas, o Cruzeiro teve uma experiência desastrosa com o português Paulo Bento
em 2016 – depois de mais de 40 anos sem um técnico estrangeiro na equipe -, e o
Atlético-MG não ficou atrás. No final de 2015 e início de 2016 contou com o
uruguaio Diego Aguirre na função. Mas os resultados não vieram e ele foi logo
demitido.
Entre
os grandes clubes do Brasil, o Grêmio também recorreu pouco aos técnicos do
exterior. Nos últimos 20 anos, trabalhou com apenas dois deles – Dario Pereyra
(2203) e outro uruguaio, Hugo de León (dezembro de 2004 a abril de 2005). Já o
Inter conquistou o Campeonato Gaúcho de 2015 com Diego Aguirre. Anos antes, em
2010, contratou o também uruguaio Jorge Fossati, mas o investimento fracassou.
Entre
todos que já cruzaram a fronteira para treinar no Brasil o mais vitorioso foi
Carlos Volante, um argentino que conseguiu o título do Brasileiro de 1959 pelo
Bahia.

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