O Maracanã pode estar perto do fim

76
Instrumento de Torcida Organizada do Flamengo no Maracanã – Foto: Divulgação

VEJA: Em
2013, a Concessionária Maracanã S/A, integrada pelas empresas Odebrecht, IMX e
AEG, ganhou licitação do governo do Rio de Janeiro para explorar comercial e
administrativamente a arena por 35 anos.

O que
a associação não previa é que, pouco depois de ser protagonista da final da
Copa do Mundo em 2014 e da Olimpíada em 2016, o estádio tem tudo para se tornar
um ninho sem futebol. E os concessionários querem muito se livrar dele.
Em
junho, Pedro Abad, presidente do Fluminense, confirmou que o clube pretende
construir uma arena para cerca de 25 mil pessoas nos fundos do Parque Olímpico.
O
Flamengo também sonha em construir seu próprio estádio na Barra da Tijuca. Além
dos planos, os dois já vêm mandando jogos em estádios menores (o Flu, no
Giulite Coutinho, do América; o Fla, no Luso-Brasileiro, da Portuguesa).
Como o
Vasco tem São Januário e o Botafogo está com o Engenhão, os quatro grandes
cariocas devem deixar o Maracanã sem futebol, sua razão de existir.
O que
afugenta os clubes é o prejuízo a cada jogo. Em março, o Mengo bancou reparos
no Maracanã para sua estreia na Libertadores. Somando pagamento de contas de
luz e conserto do gramado, a conta ficou em 1,7 milhão de reais.
Além
disso, despesas da realização da partida (incluindo aluguel do estádio)
consumiram outro 1,2 milhão de reais.
No
fim, apesar de a renda do jogo ter sido de 3,68 milhões de reais, o rubro-negro
ficou com apenas 638 mil reais. Detalhe: o clube ainda teve que pagar a famosa
taxa de 10% da renda à Ferj (a federação de futebol estadual), entidade que
nada tem a ver com a competição continental.
Já o
Fluminense acumulou um prejuízo de – anote cada centavo – 1.047.832,82 reais em
suas três primeiras partidas como mandante no Campeonato Brasileiro.
Sinônimo
de “futebol brasileiro”, o Maracanã ainda tem prestígio. A Conmebol anunciou
seu plano de mudar o formato da decisão da Libertadores da América, adotando o
jogo único em local pré-determinado como na Europa.
A
decisão só sai em dezembro, mas o Maracanã é favorito para sediar essa primeira
final única em 2018, mesmo sem clubes brasileiros. A Prefeitura do Rio até
apresentou candidatura.
Mas os
atuais “donos” do estádio nem querem esperar e pedem uma nova licitação do
governo estadual para repassar a arena a outra empresa.
A
Concessionária Maracanã declara: “Há um ano, manifestamos oficialmente nossa
vontade de encerrar o contrato de concessão. O governo declarou publicamente
que abriria um novo edital, mas até hoje não cumpriu”.
Hoje
com capacidade para 78 mil espectadores, o Maracanã deixou de ser “o maior do
mundo” (quando podia receber quase 200 mil pessoas).
Agora,
pode nem ser mais estádio de futebol. Os concessionários decidiram alugar o
local para “eventos pontuais” (termo deles) para cobrir custos da operação e
recuperar parte dos prejuízos.
Neste
ano, já foi sede dos exames de admissão de fuzileiros navais pela Marinha e um
festival de cervejas artesanais no fim de julho.
Se
nada mais for marcado, o Maracanã continuará sua vida de estádio-fantasma, com
algumas reles partidas pontuais.

COMENTÁRIOS: