Para Praetzel, só Luxa deixaria seu time para comandar o Flamengo

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Vanderlei Luxemburgo – Foto: Gilvan de Souza / Flamengo

UOL:  O Flamengo demitiu, no domingo, o técnico Zé
Ricardo. A decisão de retirar o treinador ocorreu horas depois de o time
carioca perder em casa para o Vitória, 2 a 0. A distância do Flamengo, 5º
colocado, para o líder da competição, Corinthians, é de 18 pontos. Fizemos as
seguintes perguntas aos blogueiros do UOL Esporte:

1) O Flamengo acerta ao demitir Zé
Ricardo?
JUCA KFOURI
Acertar
não acerta, mas tinha outra alternativa?
ALEXANDRE PRAETZEL
Eu não
demitira Zé Ricardo. Foi campeão carioca e está nas semifinais da Copa do
Brasil. No Brasileiro, o time apresenta desempenho irregular, como a maioria
dos participantes. Poderia ter acertado mais a defesa e jogado mais fechado em
algumas partidas. Do meio para a frente, o Flamengo é bom, mas mostrou
fragilidade defensiva, além da indefinição de um goleiro titular. Mas manteria,
apostando na continuidade e conversando com ele, apontando os erros cometidos.
JÚLIO GOMES
Sou
conceitualmente contra essas demissões em massa que ocorrem no Brasil, mas há
certas situações incontornáveis. Zé Ricardo fez um trabalho muito digno no
Flamengo, mas a coisa saiu do controle e ele perdeu a mão a abdicar de suas
convicções contra o Vitória. Pressão da torcida era também muito grande. Creio
que seria um erro insistir por mais tempo.
ANDRÉ ROCHA
Sim.
Não pelos resultados, por pressão de torcida ou de setores de imprensa. Mas
pelo principal critério de avaliação de qualquer profissional: as perspectivas
de evolução. Era difícil detectar isto no Flamengo de Zé Ricardo. O fato de ser
sua primeira experiência em um time grande tornava tudo ainda mais incerto. É
uma pena, pois é boa pessoa e um treinador promissor. Mas era o momento. Ou ele
até já tinha passado.
RODRIGO MATTOS
A
saída de Zé Ricardo é justificada. O time comete erros primários nas zonas
decisivas do campo, perde gols incríveis, mostra falta de concentração e a
defesa falha em lances fáceis e em posicionamento equivocado para marcar.
Defesa e ataque bem treinados não cometem erros em tal quantidade. Além disso,
o técnico insistiu por muito tempo com jogadores que erravam muito (não era os
únicos) como Márcio Araújo, Vaz, Muralha. Ainda fez outras opções difíceis de
compreender como preferir em geral Geuvânio, recém-contratado e sem ritmo, a um
Berrío em boa fase. Em resumo, desde que encontrou um padrão para o time no
meio do Nacional do ano passado, Zé Ricardo não conseguiu fazê-lo evoluir nos
aspectos que faltavam. Teve mais opções, melhores jogadores, e entrega menos do
que no ano passado. Não adiantava lhe dar mais tempo se havia uma estagnação.
MENON
A
demissão foi correta. Zé Ricardo não conseguiu fazer o time render mais do que
o ano passado, mesmo tendo jogadores melhores. Não soube lidar com a
abundância, foi melhor em administrar a carestia. Um adendo: a melhora do nível
técnico é uma realidade, mas a passionalidade da torcida deu uma dimensão
exagerada aos reforços. Geuvânio foi tratado como um novo Robben e Diego, no
ano passado, como um supercraque.
PERRONE
Errou.
Zé Ricardo já demonstrou ter qualidades, apesar de cometer seus erros.
Precisava de uma blindagem da diretoria contra a pressão da torcida, que
certamente prejudica seu trabalho. E a situação do clube no Brasileirão está
longe de ser desesperadora. Porém, o problema central que transforma a demissão
num erro é a diretoria não ter no bolso do colete um nome incontestável para
assumir o cargo. Não vejo um técnico acima da média disponível no mercado.
2) Quem é o treinador ideal para
substituir Zé Ricardo no clube rubro-negro?
JUCA KFOURI
No
momento só Jesus Cristo. ELE não podendo, Tite. Ou Guardiola!
ALEXANDRE PRAETZEL
Se um
técnico jovem não serviu, a diretoria deverá apostar num nome experiente, provavelmente.
Como não há muitos disponíveis no mercado, acho que irão atrás de um treinador
empregado. Acho que só Vanderlei Luxemburgo aceitaria sair do Sport. Abe e
Renato não deixarão Fluminense e Grêmio e Marcelo Oliveira retornou agora ao
Coritiba. Um estrangeiro precisaria de tempo para se adaptar e o Flamengo terá
dois jogos decisivos contra o Botafogo, dias 16 e 23 de agosto, pela Copa do
Brasil. O clube corre contra o tempo.
JÚLIO GOMES
Depende
do que o Flamengo quer – e torcendo para que a resposta vá além de um simplório
“ser campeão”. Com tanto talento no elenco, adoraria ver o flamengo
novamente dando uma chance para Fernando Diniz mostrar seu trabalho. Agora, se
o plano for de curto prazo, pensando nos próximos dois meses, Diniz não é o
nome.
ANDRÉ ROCHA
O
treinador ideal é o Tite. O melhor que fala português. Mas não está disponível.
Difícil apontar um nome. E depois do sucesso de Renato Gaúcho no Grêmio este
que escreve passou a respeitar as decisões aleatórias que são tomadas no
futebol brasileiro. Às vezes funcionam. Efetivar Jayme de Almeida com a
esperança de repetir a Copa do Brasil 2013? Trazer de volta um Carpegiani,
treinador dos maiores títulos do clube, mas há mais de três décadas? Tentar
Roger Machado, com perfil parecido com o de Zé Ricardo? Um estrangeiro, sem
tempo de ao menos aprender o idioma e já enfrentando jogos decisivos? Difícil
decisão. Todas podem dar bem errado. Mas tem a cota “Renato
Gaúcho”…
RODRIGO MATTOS
Faltam
opções no mercado. O Flamengo não deveria analisar com calma para evitar um
futura troca rápida e caberá ao time buscar alguém que dê um perfil ao seu
departamento de futebol, uma cara. É algo que a diretoria rubro-negra ainda não
conseguiu em sua gestão em que pese seus acertos na área administrativa e
financeira.
MENON
O
perfil do novo treinador deve ser de alguém com grande currículo e com grandes
trabalhos realizados. Alguém que faça bons jogadores se tornarem um grande
time. Com defesa confiável. Alguém como Luxemburgo já foi e talvez volte a ser,
a partir do bom trabalho no Sport
PERRONE
Ideal
seria Tite, nome impossível. Assim, eu apostaria em Roger Machado, que dos
possíveis parece ser o mais qualificado.

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