Reinaldo Rueda e Flamengo: relação que já nasce imediatista

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Reinaldo Rueda – Foto: Divulgação

ANDRÉ
ROCHA
: Reinaldo Rueda é mais um treinador estrangeiro a desembarcar no Brasil
cercado de expectativas. Campeão da Libertadores com o Atlético Nacional,
alimenta a esperança do torcedor do Flamengo de colocar na rota do sucesso e
das conquistas o elenco milionário construída pela gestão financeira
responsável do clube.

Em
relação à imprensa será visto com a desconfiança habitual pelos que refutam a
presença de comandantes estrangeiros no país. Mas como tem perfil estudioso,
porém não é nenhum garoto com seus 60 anos pode agradar aos mais atualizados,
mas também à ”velha guarda”.
No
entanto, a relação entre Rueda e Fla já nasce com urgências. Imediatista.
Simbolizada pela chegada ao Rio de Janeiro e a viagem logo em seguida para Belo
Horizonte acompanhar a derrota por 2 a 0 para o Atlético Mineiro. Pela
necessidade de recuperação no Brasileiro, porque há uma semifinal de Copa do
Brasil contra o Botafogo aquecida pela rivalidade regional e também a urgência
em conquistar um título internacional e a Sul-Americana aparece como ótima
oportunidade.
Talvez
a única com o treinador colombiano. Porque no melhor dos cenários o Flamengo
será uma mera ponte para o grande sonho de Rueda: voltar a comandar a seleção
do seu país, mas desta vez em um ciclo completo de Copa do Mundo. Não como
”bombeiro” para buscar o milagre da classificação para o Mundial, como
aconteceu, sem sucesso, no ciclo de 2006.
Ele é
o favorito  para suceder o argentino José
Pekerman depois do Mundial da Rússia. A informação de bastidor é de que há uma
cláusula de liberação sem multa no contrato. Ou seja, se não demiti-lo antes, o
Fla pode ficar sem técnico no segundo semestre do ano que vem. A única
competição que poderia comandar do início ao fim seria o estadual.
Diante
da falta de opções mais confiáveis é uma aposta válida. Rueda é antenado e bom
gestor de grupo. Tem perfil semelhante ao de Tite. Não por acaso foi atrás de
Carlo Ancelotti na Alemanha para buscar aprimoramento de suas ideias. É mais
administrador de elencos que um gênio criativo. No Atlético Nacional deu
sequência a um projeto que passou pelas mãos de Juan Carlos Osorio e conseguiu
seis títulos em sete finais disputadas. Sem reveses, já que o que não
conquistou, da Copa Sul-Americana, foi cedido em solidariedade à Chapecoense.
Mas
não faz milagres. Com o desmanche da equipe de Medellín, sem Berrío, Guerra e
Borja que vieram atuar no futebol brasileiro, caiu na fase de grupos da
Libertadores. Com duas derrotas para o Botafogo. Manteve a proposta ofensiva e
sofreu com o jogo reativo do time de Jair Ventura.
Não
quer dizer que será derrotado na quarta-feira. Assim como seus títulos na
Colômbia nada garantem agora. É uma nova história. Um idioma a aprender, uma
cultura a descobrir. Resultadista e intensa, até cruel nas cobranças.
Rueda
pode dar muito certo, mesmo com a péssima primeira impressão que certamente
teve no Estádio Independência. Consolidar a recuperação de Berrío, fazer Diego
e Everton Ribeiro se entenderem na criação, aproveitar o compatriota Cuéllar de
maneira mais efetiva no meio-campo, posicionar melhor o sistema defensivo e dar
mais chances aos jovens do elenco – também teve passagem pela seleção sub-20 da
Colômbia.
Armar
o time no 4-2-3-1 ou no 4-4-2 que utilizou no Nacional ou seguir o exemplo de
Tite e implantar o 4-3-3/4-1-4-1 bebendo na fonte de Ancelotti. Construir um
modelo de jogo forte e competitivo, potencializando as qualidades individuais
através do coletivo.
A
questão é o tempo. O encaixe precisa ser rápido, a margem para testes e
experiências é mínima. E há uma massa de torcedores ansiosa, querendo tudo para
ontem. Rueda sabe, ou deveria saber, que os mesmos que clamaram nas redes
sociais para que ele viesse e fizeram festa no aeroporto podem pedir sua saída
na primeira sequência ruim.
Que
não seja mais um triturado por nossa máquina de moer que já vitimou ou
desgastou Gareca, Osorio, Bauza, Aguirre, Fossati, entre outros estrangeiros.
Paciência é artigo raro por aqui, ainda mais com quem não fala nossa língua.
Boa sorte a Rueda! Ele vai precisar…

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