Renato Augusto revela recusa do Flamengo: “Tentei duas vezes”

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Renato Augusto comemorando gol pelo Flamengo – Foto: André Mourão/Agif/Gazeta Press

EXTRA
GLOBO
: Depois do trabalho no centro de treinamento do Fluminense, na última
quinta-feira, Renato Augusto mais parecia professor. Sentado sobre a caixa
térmica, conversava com os jovens do time sub-20 tricolor, todos no chão feito
crianças, com os olhos voltados para cima, atentos ao titular da seleção. Em um
bate-papo de exatos 32 minutos com o Jogo Extra, o meia abriu o coração:
lamentou ter sido recusado duas vezes para voltar para o Flamengo, mas também
exaltou o grande momento que vive na carreira.

Mais uma vez você treinou sozinho, antes
de todos os jogadores da seleção. Você sente que precisa treinar mais do que os
outros?
Venho
antes por causa do fuso horário, principalmente. Demora um pouco para se
acostumar. A questão não é treinar mais, é conhecer seu corpo. Sempre tive
curiosidade de aprender as coisas. Se estou com dor em um lugar, pergunto o
motivo. É preciso saber a hora certa de treinar mais, de treinar menos. Conheço
melhor meu corpo atualmente.
Durante a semana no Rio, viu o clássico no
Maracanã?
Eu
assisti a uma parte, mas como estou no fuso horário da China ainda, não
aguentei e dormi. Gostei de partes. Foi um clássico nervoso, era semifinal. Foi
um bom jogo, mas nada perto do que poderia ser. Como os times são de grande
nível, ficamos sempre na expectativa de mais.
Bateu uma vontade de voltar ao Flamengo?
Eu
tinha um sonho maior de voltar e tentei duas vezes. Quando vim da Alemanha e
quando o Corinthians estava tentando me emprestar. Liguei para o Flamengo e não
me quiseram. Hoje eu não tenho essa mágoa, mas eu fiquei chateado por eu ser da
casa. O Flamengo estava em um momento conturbado e eu queria chegar e assumir
essa responsabilidade de ajudar. Mesmo assim, o Flamengo não quis. Fiquei
triste.
E o Corinthians já é campeão brasileiro?
É
difícil prever, mas acredito que vai ser campeão. Tudo pode acontecer, mas
vendo os jogos, é um time compacto, com as linhas muito próximas, com sistema
de cobertura, perde pouco a bola, não dá contra-ataque… Está fantástico. O
Corinthians manteve o padrão que vem tendo há muito tempo. É sempre a melhor
defesa, é um time sempre bem postado. O Fábio (Carille) manteve o trabalho do
Tite.
Já está ansioso para a Copa?
Penso
sempre jogo a jogo porque precisamos estar sempre confirmando nosso nome. Hoje
a seleção já é olhada com respeito novamente, até mesmo medo. Por termos
Neymar, Coutinho, Jesus. Você olha para o banco e temos o Willian. É uma equipe
fantástica, mas ainda está cedo. Tudo pode mudar para nós e para os adversários
também. Você
fala muito da parte tática, é considerado um jogador inteligente. Já pensou em
ser técnico quando parar?
Nunca
pensei nisso. Hoje eu tenho certeza de que não estou pronto, por mais que tenha
a minha leitura de jogo, que não sei se está certa ou não. É preciso estudar
para ser treinador.
Além da falta do diploma, por que técnicos
brasileiros não têm vaga na Europa?
O
idioma é pesa também, mas acho que de um tempo para cá os brasileiros estão se
preparando. Tem uma nova leva. Roger é interessante e também gostei do pouco
que vi do Jair Ventura. Mesmo com um time reduzido, está indo muito longe. O
próprio Zé Ricardo. Já ouvi falar muito bem dele. Seria muito bom se um técnico
brasileiro brilhasse na Europa. Para a gente, da China, é interessante que o
Paulinho chegue ao Barcelona e arrebente. As pessoas vão olhar para os
brasileiros na China de forma diferente. Vai abrir portas.
Acha que vai dar certo o Paulinho no
Barcelona?
Creio
que vai dar muito certo. É natural, vai precisar de adaptação no início. Talvez
demore um pouco, mas vai.
Ainda é um sonho voltar para o futebol
europeu?
Não
chega a ser um sonho, mas gostaria sim. Hoje estou bem adaptado a Pequim
(Renato defende o Beijing Guoan, da China, desde janeiro de 2016). Estou feliz.
Tivemos algumas sondagens, mas nada chegou de verdade. Vamos com calma. Meu
contrato é praticamente até a Copa do Mundo. Dando tudo certo, pode acontecer
alguma coisa positiva depois.
O que achou da ida do Neymar para o PSG?
Vi
como uma transferência normal. O PSG é um grande time, joga a Liga dos Campeões
e o mais importante é estar feliz. Se ele estiver feliz, pode jogar na China,
no Japão. Quando você está feliz, o universo conspira a favor. Quero esse
moleque feliz.
E você está feliz?
Estou
muito. Já fui muito negativo. Sentia uma dorzinha e pensava que tudo tinha
acabado para mim. Hoje procuro ser sempre positivo, estar bem com a família,
com os amigos. Quando se está assim, Deus olha e fala : “vou dar um moral para
esse menino”. E tudo dá certo.

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