Rimoli cobra pedido de desculpas do Santos a Flamengo e Eric Faria

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Árbitro Leandro Vuaden em Santos x Flamengo – Foto: Divulgação

COSME
RIMOLI:
Não havia a menor dúvida do que aconteceria.

O
presidente do Santos, Modesto Roma, não ficaria punido quatro meses. Seria
muito tempo para um dirigente tão importante ficar impedido de atuar como
dirigente de um dos clubes mais importantes do mundo.
Muito
menos, pagar multa de R$ 100 mil.
O STJD
decidiu diminuir sua pena.
Ele
ficará afastado de suas funções por um mês.
E
pagará R$ 40 mil.
O seu
‘crime’?
Acusar
formalmente, por ofício enviado à CBF, o repórter da TV Globo, Eric Faria, de
interferir na partida Santos e Flamengo pela Copa do Brasil. De acordo com
Modesto Roma, o jornalista teria informado ao quarto árbitro que não aconteceu
pênalti de Réver em Bruno Henrique, que foi marcado por Leandro Vuaden. O
próprio juiz voltou atrás, com o auxílio de Flávio Rodrigues, avisando que não
houve a infração.
Eric
não abriu a boca.
Como
estava perto de Flávio e, por flamenguista assumido, começaram as insinuações.
E
Modesto Roma as assumiu como verdadeiras.
“Há
quatro intenções explícitas no ofício. Como esse ofício já vazou, vocês leram o
que nós pedimos no ofício. Nós pedimos quatro coisas. (anular a partida,
proibir reportagem, punir equipe de arbitragem, descredenciamento do Eric Faria
como repórter de campo).
“Só
será apresentada no momento, porque é estratégia do nosso pedido de anulação do
jogo. A acusação é gravíssima. Mas no momento exato, nós vamos apresentar. Nós
não apresentamos o ofício à imprensa – foi à CBF. Nesse momento serão feitas as
apresentações devidas de todas as provas.”
Essas
as promessas de Modesto Roma.
O
presidente santista assumiu que a acusação era gravíssima. Ele queria a
anulação do jogo e o descredenciamento de Eric como repórter de campo. Ou seja,
nova partida. A cassação do credenciamento significaria o fim da carreira de
Eric como repórter de televisão.
Vale a
pena relembrar o ofício.
“Ref.:
arbitragem na partida da Copa do Brasil ente Santos e Flamengo, de 26/07/2017
Ilustríssimo
Sr. Presidente da CBF, Dr. Marco Pólo Del Nero
Vimos,
pelo presente, apresentar para vosso conhecimento, os fatos repugnáveis
ocorridos ontem, 26 de julho de 2017, em partida de volta das quartas de final
da Copa do Brasil, entre Santos e Flamengo.
Tais
fatos influenciaram diretamente no resultado da partida e, principalmente, na
não classificação do Santos para as semifinais da competição.
Ocorre
que aos 40 minutos do primeiro tempo, quando o placar da partida estava
empatado em 1 a 1, o árbitro Leandro Pedro Vuaden anotou um pênalti do zagueiro
Réver, do Flamengo, sobre o atacante Bruno Henrique, do Santos. Insistimos: ele
anotou a penalidade.
O
árbitro, autoridade máxima da partida, estava a poucos metros de distância do
lance e interpretou o contato do zagueiro com o atacante como faltoso e dentro
dos limites da grande área. Porém, mais de 1 minuto após de sua marcação,
influenciado pelo 4º árbitro, Sr. Flavio Rodrigues de Souza, que estava na
linha de meio-campo, a penalidade foi cancelada e o Sr. Vuaden determinou a
cobrança de escanteio.
Novamente,
estamos diante de um caso em que o árbitro revoga sua marcação por comunicação
do quarto árbitro, cuja participação teria sido provocada pelo repórter de
campo, Sr. Eric Faria, da Rede Globo de televisão, que é elemento alheio ao
certame, devendo se comportar como jornalista e não como torcedor de seu time
do coração.
Aliás,
esta atitude do repórter parece ser recorrente, visto que já foi criticada pela
Diretoria do Fluminense.
Reportar
ao 4º árbitro sua impressão do lance após ver replay na televisão não é função
nem atitude condizente com um jornalista esportivo.
Esta
ação repudiável foi testemunhada por dezenas de pessoas e pode ser constatada
no vídeo da partida e em fotografias tiradas por outros veículos de mídia.
Destacamos
que é a terceira oportunidade recente em que interferências externas atuam na
remarcação de lances capitais de partidas de futebol no Brasil, a saber:

Fluminense x Flamengo, em 13 de outubro de 2016;
– Avaí
x Flamengo, em 11 de junho de 2017;

Santos x Flamengo, em 26 de julho de 2017;
Entendemos
que tais fatos devam ensejar a anulação da partida, pelo bem do futebol
nacional e da credibilidade da entidade que V.Sa preside.
As
decisões do árbitro são soberanas e a interferência externa não é autorizada
pela FIFA ou CBF, tampouco recomendada pela comissão de arbitragem nacional.
Do
ponto de vista desportivo e institucional, solicitamos as providências perante
a comissão de arbitragem, para análise da conduta do árbitro e seus auxiliares,
bem como junto a detentora dos direitos de transmissão sobre a postura de seus
prepostos.
Não
obstante, solicitamos a V.Sa que tome as providências no sentido de:
a)
Anular a partida;
b)
Proibir que repórteres permaneçam na lateral do campo e se comuniquem com a
equipe de arbitragem durante as partidas;
c)
Punir adequadamente a equipe de arbitragem que atuou em referida partida;
d)
Descredenciar o Sr. Eric Faria como repórter de campo.
Certos
de sua compreensão e providências, firmamos a presente com o respeito e as
homenagens de praxe.”
Modesto
Roma estava nos Estados Unidos e deixava claro que o Santos tinha filmado a
interferência do repórter no jogo. Só que nunca houve tal vídeo. Porque Eric
não fez nada. Não entrou em contato com o quarto árbitro no polêmico lance.
O
jornalista passou a receber ameaças de morte. E desabafou no Sportv.
“Estar
aqui falando de uma acusação leviana, falsa que está me dando dor de cabeça em
rede sociais. Já recebi um monte de ameaça de morte, que se for na Vila vou
sair de camburão do IML, tomar pedrada, paulada. Mais do que um repórter, tem
um cidadão, um pai de familia. Tenho um menino de 10 anos que me mandou um
Whatsapp e perguntou se estava tudo bem neste rolo todo.”
O
dirigente foi punido com quatro meses e R$ 100 mil de multas.
A pena
foi reduzida e segue a vida, como se nada tivesse acontecido.
Eric
seguirá marcado na Vila Belmiro como um ‘infiltrado’.
Não
deverá ser escalado para os jogos do Santos.
Tudo
por algo que não fez.
Sem
sequer um pedido de desculpas.
Vergonhoso.
Mas
este é o nosso país.
Detalhe:
Modesto Roma é formado em jornalismo…

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