Rodrigo Mattos diz que Futebol do Flamengo precisa de uma cara

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Eduardo Bandeira, Rodrigo Caetano, Dario Conca e Márcio Tannure – Foto: Gilvan de Souza

RODRIGO
MATTOS
: Ao montar seu elenco para o Brasileiro, o Flamengo se posicionava como
um dos principais candidatos ao título, com vários jogadores acima da média
nacional. Após um turno, com a derrota para o Vitória em casa, o clube está
virtualmente fora da disputa pela taça como se constata com qualquer conta
simples. E demitiu o técnico Zé Ricardo que mantivera durante mais de um ano,
inclusive após a queda na Libertadores.

Concluído
o primeiro turno, o Flamengo soma 29 pontos, a 18 do líder disparado
Corinthians. Como empatou muito, na prática, precisaria de sete rodadas para
ultrapassar o ponteiro, restando 19 jogos. Não há nenhum precedente no
Brasileiro, nem na lógica, ainda que o líder não fosse uma equipe que pouco
falha como a corintiana.
Dito
isso, tentemos entender como o time de Zé Ricardo passou de favorito a no
máximo postulante ao G4. E isso começa pela eliminação na Libertadores, logo
após a primeira rodada do Nacional. Naquela campanha, o time já exibia as
qualidades e principalmente os defeitos que o levaram a capengar no Brasileiro.
É um
time de boa precisão de passe e que controla a bola, muitas vezes dominando o
adversário. É dos times com maior acerto no quesito no Nacional, segundo o site
Footstats. Por isso, aumenta suas chances de chegar ao gol adversário, ainda
que apelasse demais a cruzamentos quando pegava equipes fechadas.
Ao
mesmo tempo, comete erros primários nas zonas decisivas do campo. Na
Libertadores, dominou jogos que perdeu fora, Universidad Católica e
Atlético-PR. No Brasileiro, perdeu gols incríveis contra Corinthians (Diego),
Santos (Viseu), Palmeiras (Diego pênalti perdido), Vitória (Vizeu), todas
partidas em que acabou derrotado ou com empates.
É um
problema coletivo, não de um centroavante ou só do ataque. O time não tem a
concentração necessária, ou está excessivamente nervoso. Difícil saber. Fato é
que o problema existe há meses e Zé Ricardo não o resolveu: concentração é,
sim, treinada. Não levo muito fé em expressões como ”DNA perdedor”, mas em
equipes que são seguras na execução dos aspectos técnicos. Essas ganham como é
o caso corintiano.
E o
mesmo ocorreu na defesa. Jogadores cometeram erros em lances fáceis (como o de
Arão neste domingo), em posicionamento equivocado para marcar (veja os sete
gols sofridos contra o Santos), em bolas altas. A lista é grande e envolve do
goleiro a todos os jogadores do sistema defensivo. De novo, uma defesa bem
treinada não comete esse tipo de erros em tal quantidade.
Se
compararmos com o Brasileiro-2016, o Flamengo atual tem um média de gols feitos
um pouco melhor (1,42 a 1,36), e uma média de gols tomados pior (1 contra
0,92). Em resumo, desde que encontrou um padrão para o time no meio do Nacional
do ano passado, Zé Ricardo não conseguiu fazê-lo evoluir nos aspectos que
faltavam. Teve mais opções, melhores jogadores, e entrega menos do que no ano
passado.
E isso
se explica também pelos seus equívocos nas escolhas de jogadores. Insistiu por
muito tempo com jogadores que erravam muito (não eram só eles) como Márcio
Araújo, Vaz, Muralha. Ainda fez outras opções difíceis de compreender como
preferir em geral Geuvânio, recém-contratado e sem ritmo, a um Berrío em boa
fase.
Quando
caiu na Libertadores, o Flamengo precisava de uma mudança, e a diretoria do
clube decidiu que esta deveria ocorrer com o mesmo Zé Ricardo. Isso teve a ver
com o presidente Eduardo Bandeira de Mello entender que a rotatividade de
técnicos é prejudicial, e que errou quando trocou muito técnico. Naquele
momento, entendi que a decisão era correta. Mas o resultado não foi positivo.
Realizados
20 jogos após aquela queda, o time rubro-negro comete erros parecidos e não
evoluiu nada. A saída de Zé Ricardo, portanto, é justificada. Não adiantava lhe
dar mais tempo se havia uma estagnação. Caberá ao Flamengo agora na escolha do
novo técnico buscar alguém que dê um perfil ao seu departamento de futebol, uma
cara.
É algo
que a diretoria rubro-negra ainda não conseguiu em seus quatro anos e meio de
gestão no futebol. Acertou nas áreas administrativa e financeira o que
proporcionou o bom elenco atual, mas não nas escolhas de como conduzi-lo
tecnicamente para poder triunfar.

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