“Roteiro de fracasso do Flamengo continua intacto”, diz André Rocha

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Diego, do Flamengo, dando bicicleta – Foto: Gilvan de Souza

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DO ANDRÉ ROCHA
: Para quem não acompanha este que escreve nas redes sociais e
está chegando agora ao blog, segue um ”glossário” para os termos citados no
título do post:

Arame
liso – Cerca, mas não fura. Não machuca ninguém. O Flamengo segue com um ataque
que precisa de muitas oportunidades para ir às redes. Na derrota por 2 a 0 para
o Vitória na Arena da Ilha do Governador, Vizeu, substituto do lesionado
Guerrero, perdeu duas chances claras na primeira etapa, ainda com empate sem
gols. Para uma equipe pressionada e sem confiança, não sair na frente e trazer
a torcida para perto foi fatal.
Pecho
frio – Termo muito usado na Argentina. Peito frio. Ou time que se abate nas
dificuldades, não encontra forças para se recuperar. Nos jogos mais
equilibrados este perfil menos guerreiro, que aceita a derrota sem a indignação
própria dos grandes times, faz diferença. É anímico. E fica claro inclusive nas
entrevistas do treinador Zé Ricardo e dos jogadores. Conformismo.
Elos
fracos – Jogadores que erram seguidamente e comprometem a equipe. Muralha,
Rafael Vaz, Rodinei, Márcio Araújo…A lista é extensa, e torna ainda mais
questionável a ideia de que o elenco é forte, um dos melhores do país. Novo
revés por falhas individuais. Willian Arão, escalado na função de Márcio
Araújo, errou feio no passe, Yago não perdoou e acertou no ângulo de Diego
Alves. Depois Rever vacilou na disputa com Tréllez e cometeu pênalti. Duvidoso,
mas marcável. A cobrança perfeita de Neilton resolveu o jogo.
Neste
cenário, pouco adianta a mudança de nomes, embora a saída de Márcio Araújo
tenha melhorado a construção das jogadas desde a defesa e fez a equipe circular
mais a bola, sem apelar para os cruzamentos aleatórios. A impressão é de que
Cuéllar seria mais apto à função que Arão. Assim como Berrío mostrou quando
entrou que é mais útil que Geuvânio vindo de lesão.
Arriscar
para sair da mesmice, buscar evolução sem se render à mediocridade habitual é
sempre saudável. Mas como se impor quando o domínio não se traduz em gols, os
erros individuais desmontam o sistema defensivo e a equipe não encontra forças
para reagir? O Vitória, mais organizado e confiante depois da chegada de Vágner
Mancini, foi apenas mais um a aproveitar, também por seus próprios méritos.
O
roteiro de fracasso do Flamengo continua intacto. A nau do futebol do clube
parece à deriva. Mesmo com chances de título ainda na Copa do Brasil e na
Sul-Americana, qualquer mudança de rota parece tardia. Porque os defeitos
seguem os mesmos. Há tempos.

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