Rueda mostra um pouco de suas ideias no Flamengo

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PAINEL
TÁTICO
: por Leonardo Miranda
São
apenas 72h de trabalho, tempo impossível para fazer grandes transformações em
uma equipe de futebol. Mais na base da conversa e orientação que treino,
Reinaldo Rueda mostrou um pouco do que pretende para o Flamengo e o que tem
como ideia de jogo ao longo de sua carreira.
É
importante notar que o Rubri-Negro vem mantendo uma continuidade de ideias
desde Muricy Ramalho: um jogo mais posicional, priorizando a troca de passes, o
controle através da bola e a cadência. Com Zé Ricardo, esse tipo de jogo se
mostrou desgastado ao avançar muito, empurrar o adversário para trás e fazer a
equipe abusar dos cruzamentos. Com Rueda, a ideia de um Flamengo que proponha o
jogo permanece – mas com mais verticalidade.
A
principal mudança de posicionamento é a construção do Flamengo. Os laterais não
avançam tanto e ficam mais presos à linha defensiva, e os volantes Arão e
Cuellar – jogador que Rueda confia – ocupam o espaço entre a primeira e a
segunda linha de marcação do adversário. São eles os condutores de bola e iniciadores
dos ataques do Fla.
Mas
observe que nem Arão, nem Cuellar vem “buscar o jogo”. Nem Diego, Berrío e
Éverton, a trinca de meias do 4-2-3-1 que o técnico colombiano provavelmente
manterá. Rueda se notabilizou no Atletico Nacional por criar uma equipe muito
vertical e que era chamada de “espaçada” por apostar nesse posicionamento mais
distribuído dos jogadores. A ideia aqui é ter sempre apoios longos, como você
vê na imagem: Arão e Cuellar num espaço, Éverton e Diego um pouquinho mais
distantes, mas virados para a bola e prontos pra receber, como você vê na
imagem.

Qual o
efeito prático disso? Em 2 ou 3 passes o Fla entra no campo do adversário. É
uma equipe menos móvel, mas mais inteligente. Prefere não ter os zagueiros e
laterais avançando para criar superioridade numérica, e sim procura os passes
longos sempre que possível. Por isso Cuellar e Mancuello podem ganhar espaço
com Rueda.
A
questão dos 2 ou 3 passes aconteceu aqui, nessa imagem abaixo. O Flamengo
estava se defendendo. Aí Arão roubou a bola. Rapidamente, a trinca de meias e
Vizeu correu para ocupar o espaço de cada um e já recebeu a bola de frente para
a defesa do Bota. Tudo em pouco tempo, com condições de pegar o adversário
desorganizado.

Na
defesa, Rueda mantém a ideia de ter o Flamengo com 2 linhas de 4 e preza por
mais agressividade na pressão na bola – aquele movimento de ir cercar o
adversário que está jogando, seja até parando em falta. Assim, criando essa
pressão, a coisa não estoura lá atrás.

São
apenas 3 dias de trabalho, mas algumas mudanças já se tornam perceptíveis no
Flamengo que vai à luta para salvar sua temporada de alto investimento e muitas
decepções.

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