“Somem” rendas milionárias de jogos no Mané Garrincha

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Réver, capitão do Flamengo, entrando em campo no Mané Garrincha – Foto: Gilvan de Souza

ESPN: Um
dos mais caros estádios construídos para a Copa do Mundo, o Mané Garrincha tem
novos problemas que foram parar nas delegacias de polícia do Distrito Federal.
Desta vez, por conta do recolhimento de impostos envolvendo jogos dos grandes
clubes do Brasil, como Flamengo, Corinthians, Vasco, Palmeiras e Fluminense.

Segundo
apuração do ESPN.com.br, já existe um inquérito policial aberto para apurar
suspeitas de desvios e irregularidades no recolhimento do ISS (Imposto Sobre
Serviços) em cima da renda de bilheteria de ao menos 20 partidas ocorridas no
local após o Mundial 2014.
A
informação foi confirmada pelo Ministério Público do Distrito Federal e também
pela polícia civil, que investiga o caso.
“Não
estavam havendo os pagamentos, os recolhimentos de ISS destes eventos sobre a
bilheteria. E o Fisco realizou várias notificações para o Distrito Federal com
a intenção de esclarecer quem era o promotor do evento e realizar a cobrança do
ISS. A Federação não era a promotora do evento”, disse Rubin Lemos,
promotor de Justiça de Defesa da Ordem Tributária.
De
acordo com informações obtidas pela reportagem, jogos envolvendo os grandes
clubes de São Paulo e Rio de Janeiro, além de outras partidas ocorridas no Mané
Garrincha, movimentaram R$ 20 milhões em bilheteria, quando 2% deveria ter sido
revertido aos cofres públicos em forma de ISS, o que não ocorreu em 20 jogos.
Agora,
o Ministério Público tenta descobrir onde foi parar a verba, que, apesar de ter
sido recebida, jamais foi endereçada ao erário.
“É
no mínimo antiético, imoral, porque a federação quando auxilia a realização
desses eventos ela tem por questões não só legais, mas morais demonstrar pro
Distrito Federal quem é o verdadeiro promotor e realizar esse pagamento do ISS
que, convenhamos, são valores ínfimos perto do que esses jogos atraem”,
analisou o promotor.
O MP
investiga quem foi o responsável por recolher esses impostos, já que algumas partidas
realizadas no DF são compradas por empresas. O que é certo, somente que
Brasília saiu no prejuízo.
“O
Distrito Federal precisa desses recolhimentos. Quaisquer 400 mil reais para os
estados que estão bem falidos é muito importante. Para o DF é muito importante
essa arrecadação e a regularização, não só do ponto de vista da federação que
hoje se encontra suspensa e não pode realizar nenhum evento, quanto da
possibilidade de se trazer eventos pra capital”, explicou o responsável
pelas investigações.
Se em
2016 grandes clubes estiveram em Brasília, como Flamengo, Vasco, Fluminense,
Corinthians, Palmeiras, São Paulo, Grêmio, Cruzeiro, Atlético-MG, Internacional
e Botafogo, tais suspeitas serviram para afastar o futebol do Mané Garrincha,
que há meses não recebe os grandes times brasileiros.
E a
capital federal considera que a Confederação Brasileira de Futebol também tem
sua parcela de culpa.
“O
que acaba nos deixando mais chateados nessa situação toda é que a CBF como
organizadora desse campeonato, ela sempre foi a maior incentivadora da Copa do
Mundo no Brasil e da construção de todas essas arenas”, definiu Jaime
Recena, secretário de Turismo do Distrito Federal.
A
entidade se defende alegando que foi uma decisão dos próprios times não jogarem
longe de suas sedes.
“A
CBF esclarece que a determinação de que os clubes não possam mandar seus jogos
fora de seu Estado de origem é oriunda de votação no Conselho Técnico das
equipes que disputam o Campeonato Brasileiro da Série A. A proposta não partiu
da CBF, mas de um dos clubes, sendo aprovada por ampla maioria”, disse a
CBF, por meio de sua assessoria de imprensa.
Mesmo
assim, o Distrito Federal rebate.
“A
gente gostaria que a CBF se colocasse à disposição para fazer essa discussão
com os clubes para pra que essa decisão se reverta e pra que no ano que vem a
gente tenha os clubes, que têm o desejo de vender seus mandos de campo para que
possam executar de uma forma, sem nenhum tipo de problema”, apontou o
secretário de Turismo.
Sem
jogos dos grandes clubes, o Mané Garrincha padece. E vai apelando para todo
tipo de evento, como edições do Brasília Pet Show, feira com produtos para
animais de estimação realizada no local.
No dia
a dia, o estádio se contenta em ser apenas o “estacionamento oficial”
dos ônibus de Brasília.
Tudo
isso enquanto os gastos mensais com eletricidade, água e outros fatores
importantes que ajudam a manter o lugar inteiro e de pé ficam na casa dos R$
700 mil. Ou cerca de R$ 8,4 milhões por ano para cuidar de uma arena que mal é
utilizada para seu verdadeiro propósito, no caso, o futebol.
Afinal,
o Mané não está presente hoje em nenhuma das quatro divisões do Campeonato
Brasileiro e se vê distante até da seleção brasileira.
“O
Mané Garrincha é um problema desde o momento em que ele começou a ser
construído desse tamanho. Ele não é um problema de agora, é um problema quando
no governo passado, gestões anteriores resolveram construir um estádio com mais
de 70 mil lugares, numa capital como Brasília em que o futebol ainda não é como
a gente deseja”, atacou Jaime Recena.
Vale
lembrar que o complexo custou cerca de R$ 1,5 bilhão aos cofres públicos, de
acordo com a Polícia Federal, que investiga suspeitas de superfaturamento nas
obras e já indiciou 21 pessoas.
“Brasília
poderia ter uma arena tranquilamente de 35 mil, 40 mil lugares. Seria uma arena
que serviria para a Copa do Mundo, para os jogos que recebemos e não teria
consumido tanto recurso do contribuinte como o Mané Garrincha consumiu”,
concluiu o secretário de Turismo do Distrito Federal.

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