Treinadores querem limitar número de trocas de Clubes no Brasil

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Foto: Lucas Figueiredo/CBF

GLOBO
ESPORTE
: Reconhecimento no exterior e limite para transferência de treinadores.
Essas são as principais pautas levantadas por 73 técnicos que estiveram
reunidos na manhã desta segunda-feira, na sede da CBF, em evento promovido pela
Federação Brasileira da categoria (FBTF). O grupo discutiu vários temas e
repassou as propostas para a diretoria da CBF em encontro posterior. A intenção
é que algumas regras sejam incluídas no Regulamento Geral de Competições da
entidade a partir de 2018.

A
reunião foi mediada por uma mesa composta por nomes como Zico, Falcão,
Parreira, Tite, Alfredo Sampaio, Vágner Mancini, Vanderlei Luxemburgo e Zé
Mário, que é presidente da FBTF. A proposta dos treinadores é que, a partir de
2018, haja o limite de duas transferências de comando por clube em cada série
do Campeonato Brasileiro e na Copa do Brasil. O técnico só poderá trabalhar em
mais de uma equipe na mesma competição.
Após o
evento, um comitê, que incluiu todos os membros da mesa debatedora – com
exceção de Zico -, além de Oswaldo de Oliveira e Levir Culpi, levaram as
propostas à diretoria da CBF. O presidente DA entidade, Marco Polo del Nero, ao
lado do diretor executivo de gestão, Rogério Caboclo, o diretor de competições,
Manoel Flores, e o diretor jurídico, Carlos Eugênio Lopes, receberam o grupo. A
CBF se limitou a dizer que recebeu as sugestões e vai analisá-las.
– (É
um tema discutido) da nossa parte e da parte da CBF, que tem que anuir isso.
Nós também somos levianos nesse sentido das trocas. Somos uma classe meio
desunida. Se pudermos trabalhar três, quatro vezes por ano em clubes
diferentes, nós trabalhamos. Temos que ter a ética e respeito entre nós.
Estamos reinvidicando que sejam duas transferências na categoria que estão
trabalhando, primeira e segunda divisão, e dali para frente não se possa mais
trabalhar – destacou Luxemburgo.
Somente
no Brasileirão, até este momento, já houve 12 demissões de técnico. A equipe
que mais trocou foi o Vitória, que já teve quatro treinadores diferentes,
incluindo um interino. Técnico do Atlético-MG, Rogério Micale esteve presente
na reunião e endossou o discurso dos treinadores. Espera ver menos rotatividade
e um futebol “mais organizado”.
– O
contrato proporciona, ao empregador e ao empregado, o poder de rescisão. O que
a gente quer é algo mais organizado para que não afete tanto o desenvolvimento
do nosso futebol. Não estamos aqui pensando apenas nos treinadores, mas sim no
desenvolvimento do futebol. Vamos tomar algumas atitudes para que a gente possa
melhorar cada vez mais e estarmos comparados ao resto do mundo – opina o
ex-técnico da seleção brasileira sub-20, que comanda o Galo após a demissão de
Roger Machado.
A
entidade também exige que os atuais cursos de treinadores promovidos pela CBF
sejam reconhecidos no exterior. A partir de 2019, os téncnicos terão queter
Licença A para trabalhar em competições nacionais. A categoria espera que a
liberação também valha em outros países e, para isso, pede à CBF que articule
com as demais associações nacionais para aceitá-la. O primeiro passo deve
ocorrer em 2019. A Conmebol tem um cronograma para unificar todas as licenças
de cursos promovidos nos países da América do Sul.
A
pauta ganhou repercussão maior depois da chegada de Reinaldo Rueda para o
comando do Flamengo. O técnico do Botafogo, Jair Ventura, criticou a falta de
mercado para os brasileiros no exterior, comentário que soou como reclamação
pela chegada de Rueda ao país e levou o treinador alvinegro a ter de explicar
sua posição em nota. Os participantes da reunião desta segunda na CBF garantem
que o evento está marcado desde antes da contratação do colombiano no
Rubro-Negro.
Técnicos tentam driblar clubes para
aprovar medidas
A
proposta para limite de trocas de técnicos não é recente no futebol brasileiro.
Foi levantada pela CBF aos clubes nos últimos dois conselhos técnicos do
Brasileirão Série A. No entanto, os dirigentes reprovaram as medidas. Para
tentar driblar uma nova resistência dos times, os técnicos foram direto à
entidade nacional.
Para a
possível inclusão das novas normas no Regulamento Geral de Competições (RGC), a
CBF não precisa ouvir os clubes. Os conselhos só servem para os regulamentos
específicos de cada torneio. Vice-presidente da FBTF, Vágner Mancini, técnico
do Vitória, evitou comentar uma possível resistência dos clubes. Mas reforça
que, para eles, a melhor maneira de garantir a estabilidade da categoria é a
inclusão das regras no RGC.
– Fica
difícil a gente falar porque não estávamos na reunião do conselho. Deve ter
tido um debate sobre isso. Sinceramente, em todos os clubes que passei, nunca
tive dificuldade para dizer isso. Você tem que sentar e deixar claro quando
está chegando. A porta de saída é muito mais estreita do que a chegada. A sua
saída do clube é dificultada por uma série de coisas. O ambiente não é
propício, vive pressão. Por isso a gente quer que a CBF torne isso como norma.
Que conste no regulamento para que não haja esse tipo de desgaste – disse
Mancini.
Confira os pontos reivindicados pelos
técnicos na reunião na CBF:
– Apoio da CBF à Lei Caio Júnior:
Foi um
ofício para ser encaminhado ao Deputado Federal Sandro Alves, relator do
Projeto de Lei 7.560/2014 (Lei Caio Júnior) na Comissão de Ciência e Tecnologia
da Câmara dos Deputados. A tramitação do projeto está parada sob a alegação de
que a lei não tem o apoio dos treinadores, e o ofício tem o objetivo de
confirmar o apoio da categoria e destravar a tramitação.
– Demissão e contratação de treinadores:
A FBTF
deseja que a CBF inclua no regulamento geral de competições a partir de 2018
regra que obrigue os clubes a quitar todas as dívidas trabalhistas, incluindo o
direito de imagem, com o técnico demitido para poder registrar o contrato de
trabalho do treinador substituto. Enquanto não houver o acordo de quitação com
o técnico demitido, o clube só poderá utilizar profissionais da base com
contrato registrado, e não contratar um novo treinador.
– Limite para transferência de
treinadores:
Também
para ser incluído no regulamento de competições da CBF o limite de duas
transferências de treinador por clube em cada série do Campeonato Brasileiro e
na Copa do Brasil. Se um técnico deixar um time, só poderá trabalhar em mais um
da mesma competição na temporada.
– Registro de contrato de trabalho dos
treinadores:
Mais
uma exigência para o regulamento de competições da CBF: que as federações
estaduais sejam obrigadas a registrar o contrato de trabalho dos treinadores
para que ele possa atual em qualquer competição, nacional ou estadual.
– Atuação de treinadores estrangeiros no
Brasil:
A FBTF
deseja que os profissionais estrangeiros tenham licença de trabalho equivalente
às licenças exigidas aos brasileiros para atuação no país. A partir de 2019,
todos os treinadores brasileiros precisarão ter a Licença A da CBF para
trabalhar em competições nacionais.
– Reconhecimento internacional da licença
brasileira
Os
treinadores pedem à CBF que atue junte à Conmebol e à Fifa para obter
reconhecimento e validação da licença brasileira. Mercados antes abertos aos
treinadores brasileiros, como o Oriente Médio e a Ásia, começam a exigir que os
treinadores tenham licença da Uefa.
– Diminuição dos valores cobrados pelos
cursos da CBF
– Criação de um Código de Ética

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