Veja como se deram os primeiros treinos de Rueda no Flamengo

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Reinaldo Rueda e Bernardo Redin, no Flamengo – Foto: Gilvan de Souza

GLOBO
ESPORTE
: A calça, a camisa social e o blazer davam o tom da estreia da noite. O
colombiano Reinaldo Rivera Rueva, de terno escuro e camisa clara, atraiu
olhares na chegada e saída do Nilton Santos, no empate do Flamengo com o
Botafogo – 0 a 0 que leva a decisão da vaga para a final da Copa do Brasil para
a próxima quarta-feira no Maracanã.

Com
jogo decisivo batendo à porta, as primeiras 72 horas do treinador foram mais
agitadas e dinâmicas do que o mundo do futebol se acostuma a ditar. O treinador
imprimiu plano emergencial para estudar seus jogadores, o rival e atacou o que
viu como principal problema no seu início no Flamengo: o setor defensivo.
Depois
de sofrer 17 gols nos últimos 10 jogos, o Fla saiu de campo sem sofrer gol, o
que só havia acontecido nesta sequência contra o Palestino – 5 a 0 na Ilha do
Urubu.
Nos
primeiros dias, o treinador mudou um pouco os hábitos no clube e ainda
movimentou o noticiário. Confira algumas curiosidades dos primeiros dias do
treinador do Flamengo.
Segunda-feira
Depois
de quase um dia inteiro viajando para chegar em Belo Horizonte e assistir à
derrota para o Atlético-MG (2 a 0), Rueda assinou contrato logo cedo na Gávea.
Curiosamente, o colombiano saiu da sede pouco antes de Zé Ricardo, demitido
pelo Flamengo, ter reunião com o departamento jurídico para dar entrada na
rescisão de contrato.
No
primeiro treino, acompanhou de perto as atividades e incentivou os atletas, que
fizeram treino puxado. “Pegado”, como relataram alguns jogadores. Além da
mudança de motivação nítida que gera num grupo, havia um incentivo a mais.
Rueda pediu que todos viessem com roupa e acessórios para concentrar no treino
de terça.
Horas
depois da coletiva de imprensa no Ninho, o rival Jair Ventura, que o venceu
duas vezes no confronto Botafogo x Nacional, lançou a polêmica da semana ao
fazer ressalvas à contratação de técnicos estrangeiros no país. Rueda não se
pronunciou sobre o caso, mas o cumprimento antes e depois do jogo pareceu frio,
embora cordial.
Terça-feira
Em
mais um dia de treino forte no Ninho, Rueda pediu que o grupo treinasse
bastante saída de bola e mostrou preocupação especial com a defesa. Depois de
sofrer gols em nove das 10 últimas partidas – só não foi vazado contra o
Palestino, na goleada de 5 a 0 no Ninho -, a repetição das atividades
contribuiria com um desempenho seguro no dia seguinte.
No fim
do dia, cortes esperados. Conca, que ainda parece fora dos planos, e Guerrero,
lesionado e em recuperação de estiramento na coxa direita, foram para a casa.
Dentro de campo, o técnico preparava a principal novidade: Gustavo Cuéllar. Que
para ele era um antigo conhecido.
No
Nacional, o treinador chegou a indicar o ex-jogador do Deportivo Cali e do
Junior de Barranquilla. Este ano, o time de Medellín voltou à carga pelo
volante, que ficou no Fla. O técnico indicou que Cuéllar e Renê jogariam –
Márcio Araújo e Trauco, que não fizeram boa partida contra o Galo, ficariam no
banco.
Quarta-feira
Logo
pela manhã, no Ninho, Rueda e sua comissão chamaram o grupo para reunião.
Queria passar instruções da estratégia que levaria a campo. Também falaria do
time do Botafogo, que conhecia bem dos dois confrontos deste ano na
Libertadores. Em campo, viu um time mais seguro que, desta vez, não se
preocupava tanto com a posse de bola, mas fechava espaços do Alvinegro.
Antes
do início da partida, trocou abraços com sua equipe e com funcionários do
Flamengo. Em pé na área técnica, ele teve contato direto com o auxiliar
Bernardo Redin. Com a barreira da língua, eles tentavam se comunicar com mais
com gestos do que com instruções.
Das
mudanças no time, Renê serviu para combate mais firme contra Bruno Silva. A
rigor, o meia alvinegro conseguiu levar vantagem em um lance – quando Muralha
se saiu bem. Na saída de bola e até no auxílio ao ataque, Cuéllar também foi
bem – fazendo bons desarmes e antecipações na marcação. Com Pimpão pelo seu
setor, Rodinei atacou menos, mas controlou o adversário.
Mancuello
e Pará serviram de intérpretes em alguns momentos. Rueda não se movimentava
tanto – ainda tem certas limitações de movimento pela cirurgia recente no
quadril –, mas chegou a se curvar para torcer por um lance e bateu palmas para
incentivar Muralha, quando o goleiro recebeu recuo forçado de Réver.

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