A única saída para Muralha era pegar todos os pênaltis

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Crédito: Pedro Martins / MoWA Press

PRORROGAÇÃO:
por César Guimarães

Covardia.
Essa palavra define bem os últimos tempos vividos por Muralha. E no capítulo
mais recente, ocorrido na última quarta-feira, na final da Copa do Brasil, a
implicância chegou ao nível máximo. Ele, talvez, tenha sido o único goleiro da
história do futebol a ser responsabilizado por uma derrota em uma disputa de
pênaltis. Fica parecendo que a única saída do jogador era ter defendido todas
as cobranças do Cruzeiro e ainda ter marcado o pênalti do título. Essa eu nunca
tinha visto. Passando por um período de perseguição implacável, não só da
torcida do Flamengo, mas também de parte da imprensa, chegou o momento de
perguntar: De quem é a culpa?
É
óbvio que o goleiro tem a sua parcela de responsabilidade, não resta dúvida.
Agora, como pode um jogador, que no começo da temporada era convocado para a
Seleção Brasileira ser considerado, antes do meio do ano, como um incompetente
completo? Algo aconteceu? Ou ele foi hipervalorizado? A questão se ele serve,
ou não, para jogar no Flamengo, se tornou irrelevante. Com o clima ruim criado,
é improvável que Muralha permaneça no clube na próxima temporada. Agora, resta
saber: Quem indicou a sua contratação? Quem a aprovou? Os responsáveis precisam
ser cobrados. Não vejo nenhum questionamento feito a essas pessoas.
O
planejamento feito pela diretoria do Flamengo me parece mal feito. O erro de
avaliação na hora de contratar o Muralha parece existir. Não fosse isso, Diego
Alves não seria contratado a peso de ouro (R$ 700 mil/mensais) no meio da
temporada. Aliás, outro erro de gestão. Como gastar essa fortuna com um atleta
que não vai poder atuar na partida mais importante da temporada? Ou contratasse
antes, ou o trouxesse mais para frente. É como você contratar a banda Rolling
Stones para tocar na festa da sua sogra (e olha que eu tenho a melhor sogra do
mundo!).
Caro
amigo leitor, sejamos justos. A culpa tem de ser compartilhada entre Muralha,
diretoria, gerente de futebol, treinador de goleiros e o técnico. Não pode
ficar tudo nas costas do goleiro. Não acho justo eleger vilões no futebol, mas,
se for para escolher alguém na disputa com o Cruzeiro, este seria o meia Diego,
que desperdiçou a única cobrança na série decisiva. Mas, volto a dizer, ganha
todo mundo, perde todo mundo. No futebol é assim! Ou, pelo menos, deveria ser.

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