Bota x Flamengo tem aumento de efetivo da PM desde assassinato

33
Bernardo Gentile/UOL

UOL: O
futebol do Rio de Janeiro virou caso de polícia. Literalmente. E o clássico
entre Botafogo e Flamengo incorporou a triste sina de ser um confronto que vai
muito além das disputas nas quatro linhas. Desde o dia 12 de fevereiro, quando
o torcedor alvinegro Diego da Silva dos Santos foi assassinado com golpes de
espeto de churrasco, o jogo ficou ainda mais cercado de tensão e atenção das
forças policiais. 

De
acordo com as atas publicadas pela Federação de Futebol do Estado do Rio de
Janeiro (Ferj), as forças policiais empregadas em dias de jogos entre
rubro-negros e botafoguenses foi sempre maior desde a tragédia de fevereiro,
que contou também com uma mobilização menor do efetivo por conta do
Carnaval. 
Os
policiais destacados para o clássico foram superiores até mesmo quando a
expectativa de público foi menor do que o do jogo que culminou com o
assassinato. Para o confronto deste domingo, a estimativa de público é de 16
mil torcedores, 14 mil a menos do que o da partida do início do ano. Em
contrapartida serão 87 agentes de segurança a mais no entorno do Nilton Santos.
A
escalada de violência resultou em recuo de Carlos Eduardo Pereira e Eduardo
Bandeira de Mello, presidentes de Botafogo e Flamengo, respectivamente. A
dupla, que nunca escondeu suas diferenças, foi ao “Sportv” em uma
tentativa de levantar uma bandeira branca. Desde que os dois coincidem nas
gestões de seus clubes, assuntos como a organização do Carioca, a transferência
de Willian Arão e a Ilha do Urubu (antiga Arena Botafogo) opuseram os cartolas.
Coincidência ou não, o clima se acirrou nas arquibancadas também.
As
animosidades dentro do estádio foram ampliadas por controvérsias no mundo
virtual. O ambiente ficou ainda mais pesado após o Flamengo fazer uma
provocação que foi considerada inadequada por muitos, logo após a vitória no
jogo que terminou com o assassinato de Diego. Em sua conta no Twitter, o
Rubro-negro postou: “Não adianta fugir, não adianta correr”
“Da
minha parte, da diretoria do Flamengo, ninguém pressiona para ter algum tipo de
atitude hostil. Claro que você pode ter um diretor que exagera num comentário
no Twitter, mas nada que venha a sacrificar o objetivo final. A postura do
Flamengo é a de ter uma relação harmônica com os seus coirmãos”, afirmou
Bandeira.
“Aquela
tarde de 12 de fevereiro foi complicada, foi um momento traumático e tivemos
uma reação a um momento difícil. Volto a dizer que a prioridade é o
entendimento comercial (com o Fla)”, acrescentou Pereira.
A
reportagem do UOL Esporte fez diversos contatos com o major Silvio Luiz,
comandante do Grupamento Especial de Policiamento em Estádios (GEPE), mas não
obteve retorno.
Confira o efetivo de todos os clássicos de
2017
12/2 – Nilton Santos (jogo
que terminou no assassinato de um botafoguense)
Carioca
Expectativa
de público: 30 mil
244
oficiais
23/4 – Maracanã
Carioca
Expectativa
de público: 40 mil
420
oficiais
4/6 – Volta Redonda
Brasileiro
Expectativa
de público: 14 mil
247
oficiais
14/8 – Nilton Santos
Copa
do Brasil
Expectativa
de público: 40 mil
374
oficiais
23/8 – Maracanã
Copa
do Brasil
Expectativa
de público: 59 mil
455
oficiais
10/9 – Nilton Santos
Brasileiro
Expectativa
de público: 16 mil
331
oficiais

COMENTÁRIOS: