Chapecoense chama Flamengo de irmão: “Nos cedeu jogadores”

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Flamengo emprestou Canteros a Chapecoense – Foto: Márcio Cunha/Mafalda Pres

DE
PRIMA
: Presidente da Chapecoense, Plinio David de Nês fala sobre experiências
adquiridas nas viagens recentes do time, descreve encontro com o papa Francisco
e relação com familiares das vítimas do acidente. Para ele, ‘tour’ não
prejudica equipe no Brasileirão. Mas clube tem um desafio importante pela
Sul-Americana, contra o Flamengo.

Qual a avaliação das viagens que a
Chapecoense fez nas últimas semanas?
Foi de
real importância para a Chapecoense as viagens que fizemos para Espanha, Japão
e Itália. Nesses encontros, vislumbramos pontos valiosos para o futebol da
Chapecoense, mas também pudemos conviver com os que são os grandes clubes do
mundo. Fizemos avaliação de como eles trabalham, se desenvolvem no campo do
futebol e administrativo. As pessoas que conhecemos foram pessoas de extrema
simpatia. Abriram para nós, através dos gestos de respeito e carinho pela
Chape, várias áreas dos clubes. Foi um aprendizado de grande significado.
Como foi o contato especificamente com o
presidente do Barcelona?
Foi
uma pessoa extremamente acessível, de uma relação muito transparente. Mostrou
para nós o momento que o clube vive, comentou do estádio, permitiu que, pela
primeira vez, um menino Henrique, filho de um ex-dirigente nosso, entrasse na
área VIP do Barcelona. Fiquei ao lado dele no jogo, ele elogiou nossos atletas.
Quem sabe em um futuro possamos enviar alguns jogadores para lá e eles nos
emprestem outros.
O encontro com o papa, em Roma, foi o
ponto mais marcante?
Sem
dúvida, separando jogos e o relacionamento criado, a visita ao papa foi a mais
alta demonstração do carinho e da homenagem que alguém poderia oferecer à
Chapecoense. O papa Francisco nos deu uma atenção que jamais poderíamos
imaginar que pudesse ser feita. Existe um protocolo muito rígido no Vaticano.
Para a Chapecoense, eles abriram. Ele desceu até nós para nos dar a benção, uma
palavra de carinho, fé e esperança. Quem esteve lá e viveu o momento, tenho
certeza, não vai esquecer. Ele nos deu uma força redobrada para continuarmos a
levar o nome da Chapecoense durante o tempo em que estivermos aqui. É uma
pessoa que só sentindo, vendo, para avaliar no que ele impacta em nós. Ele nos
fez crescer.
Identificou algum tipo de menosprezo em
relação ao time da Chapecoense, pela diferença técnica entre Brasil e Europa?
Não.
Nada disso imaginamos que aconteceu. Temos os pés no chão. Sabemos do nosso
tamanho, das nossas possibilidades. Fato é que isso tudo foi muito importante
para nossa equipe. Somos um time regional, que procura sempre continuar na
Série A. Sabemos dimensionar nosso tamanho diante das grandezas do futebol. Não
cresceu na nossa cabeça nenhuma situação, a não ser trabalhar cada vez mais pela
Chape para ser reconhecida internacionalmente.
Qual a projeção para o duelo com o
Flamengo pela Sul-Americana, competição tão especial para o clube?
É uma
missão extremamente difícil para nós. O Flamengo é um time irmão, nos cedeu
alguns jogadores. Sabemos da dificuldade, mas entramos com o mesmo espírito que
eles entram. Vamos fazer uma boa partida. Vamos recebê-los com muito carinho. O
presidente Eduardo Bandeira de Mello é um amigo, o diretor Rodrigo Caetano
também, mas o futebol, dentro de campo, é outra situação. Cada um quer ganhar.
Foi difícil negociar com a CBF para
conseguir os ajustes na tabela da Série A?
Foi
dentro de uma normalidade. Só não entendemos o fato de o Coritiba não aceitar
antecipar em um dia o jogo, o que dificultou nossa logística. Mas temos que
respeitar. A CBF sempre atendeu o que solicitamos.
Acha que, pela viagem, o time pode ter
perdido o foco no Brasileiro?
Absolutamente
não. Para nós, é sempre muito difícil, como já falei. Agora estamos voltados ao
Brasileiro. A partir de domingo, vamos dar mostras disso.
A viagem ajudou a melhorar a relação com
alguns familiares das vítimas?
Nesse
aspecto, a Chapecoense sempre esteve aberta ao diálogo e ao entendimento.
Tivemos na semana da viagem, encontro com as associações que representam as
famílias. O diálogo foi o melhor possível. Às pessoas que pediram para nos
acompanhar nós demos a liberdade, fizemos esforços. Nosso sentimento é de
carinho e amor pelos que estiveram conosco e isso é extensivo às famílias.
Aquilo que a Chape puder.

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