Como Flamengo espera resultado diferente de escolhas semelhantes?

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Berrio em Chapecoense x Flamengo – Foto: AFP PHOTO / NELSON ALMEIDA

ANDRÉ
ROCHA
: O Flamengo do empate sem gols na Arena Condá não teve desta vez os elos
fracos que costumam comprometer o desempenho coletivo com falhas individuais. A
escalação foi bastante coerente, considerando as últimas partidas sob o comando
de Reinaldo Rueda.

O
problema não foi a falta de entrega em campo ou fibra. Até porque esse time
costuma se abater quando sofre um gol e não foi o caso em Chapecó, apesar das
boas oportunidades da equipe catarinense no segundo tempo. Principalmente
depois da entrada do equatoriano Penilla que deitou e rolou sobre Rodinei.
O
velho clichê ”Queremos raça!” gritado nas arquibancadas nem sempre é a
solução para todos os problemas. Muitas vezes o time não é ”sem vergonha”,
ainda que não seja um exemplo de superação ou garra. O jogo é que não flui, por
uma série de fatores.
Como
as características dos jogadores que não combinam. Quem vê o lado direito com
Rodinei e Berrío, dois velocistas sem grande leitura de jogo e senso coletivo,
percebe que a presença de Everton Ribeiro como ponta articulador daria ao setor
a qualidade no passe e o deslocamento para o lateral ultrapassar.
Mas
para isso é necessário que Diego, o meia central do 4-2-3-1 rubro-negro, se
apresente para tabelas rápidas ou infiltre no espaço certo. Como, por exemplo,
Ricardo Goulart fazia com perfeição no Cruzeiro bicampeão brasileiro. Mas o
camisa dez, ao menos na numeração da Copa Sul-Americana, prefere recuar para
tentar organizar o jogo a usar o seu bom poder de finalização.
Mesmo
com o meio-campo mais qualificado depois da efetivação de Cuéllar e Willian
Arão à frente da defesa. A saída de bola ficou mais limpa e poderia encontrar
Diego adiantado, perto da zona de decisão. Com essa dinâmica dos meias
criativos o ataque podia, enfim, depender menos do trabalho de pivô de Paolo
Guerrero.
O
peruano precisa recuar sempre e aparece ou se desloca menos para buscar a
finalização. Serve mais do que é abastecido. Abre na ponta e quando chega na
área a jogada é previsível. Porque os ponteiros Berrío e Everton não
surpreendem, com exceção do drible do colombiano que resolveu a semifinal da
Copa do Brasil.
Torneio,
aliás, que há algum tempo vem norteando a montagem do time titular. Por isso
Everton Ribeiro perdeu espaço. Mas Berrío não pode, por isto, ser considerado
intocável, absoluto.
Uma
jogada eventual que parece garantir uma sobrevida entre os que ganham mais
minutos, além do fato de ter trabalhado com o treinador no Atlético Nacional. A
produção, porém, não é consistente. Muitos erros técnicos ou na leitura das
jogadas.
O
resultado final é um time travado, com um ou outro lampejo. Porque parece
pronto para os contragolpes, mas pelo peso da camisa e por conta da
badalação  (exagerada) do  elenco, se coloca como protagonista nas
partidas, se instala no campo de ataque e troca passes. Mas sem espaços não
consegue acelerar. Um paradoxo.
Por
isso o ataque ”arame liso”, que cerca mas sofre para furar a defesa do
oponente. Sem criatividade e contundência. Exatamente pela falta de ideias.
Talvez intimidadas pela necessidade de vitórias e títulos. Era assim com Zé
Ricardo, segue com Rueda, que sabia que precisava dar uma resposta imediata no
desempenho para obter vitórias a curto prazo.
Mas
como obter resultados diferentes com escolhas semelhantes? Com uma ou outra
mudança, por necessidade ou convicção do novo treinador, a essência é a mesma,
principalmente nas ações ofensivas. O fluxo de passes segue muito parecido
quando se aproxima da área adversária. Ainda a bola que gira, perde tempo com
Diego que sempre prende, no mínimo, um segundo a mais. Passa por Guerrero,
chega a Arão até parar no flanco, mesmo que cruzando, na média, menos que nos
tempos de Zé Ricardo.
Deficiências
já conhecidas e não corrigidas. Hora de fugir das explicações de sempre e
encontrar novas soluções a tempo de salvar o ano em que o orçamento permitiu
mais investimentos no futebol. Fechar 2017 apenas com um título estadual será
bem pouco para quem gasta tanto.

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