Culpar apenas Muralha é mascarar os problemas do Flamengo

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Thiago Neves e Muralha durante Cruzeiro x Flamengo – Pedro Vilela/Getty Images

GOAL: Culpar
apenas Alex Muralha pela perda do título da Copa do Brasil ou até mesmo jogar a
responsabilidade para Diego, que teve um pênalti defendido por Fábio, é
mascarar todos os problemas que o Flamengo vem atravessando nesta temporada.
Com alto investimento e grande expectativa, o time Rubro-Negro coleciona
decepções e deixa a torcida ainda mais sem confiança na equipe.

O
planejamento errado, por exemplo, pode ser apontado como um dos principais
fatores que contribuíram para que, mais uma vez, o Flamengo se frustrasse em
2017. O problema no gol não começou ontem, ele teve início quando liberaram
Paulo Victor sem ter ao menos alguém preparado para o posto.
Sem o
“concorrente”, Alex Muralha viu apenas o jovem Thiago, que não havia
disputado nem cinco partidas como profissional, se tornar a sua “sombra”
no gol Rubro-Negro. Quando a diretoria se deu conta do problema em que se meteu
já era tarde demais e Diego Alves não poderia disputar a competição mais
importante para o Flamengo no segundo semestre.
A
falha também afetou o bolso, já que para contratar um goleiro de nível as
pressas teve que desembolsar uma boa grana de salário que gira em torno de 700
mil reais mensais (500 mil de salário + 200 mil de luvas), encarecendo ainda
mais o elenco.
Se no
gol foi assim, no meio-campo as coisas aconteceram da mesma forma. Sem Alan
Patrick, que não teve seu contrato de empréstimo renovado, o Flamengo apostou
na recuperação de Conca para ser a sombra ou até mesmo atuar ao lado de Diego.
Apesar do alerta do departamento médico, a direção do futebol optou por
contrata-ló e se quer teve o jogador em condições quando mais precisou.
Com a
lesão de Diego, o time perdeu confiança e um responsável por organizar as
jogadas no meio-campo, competição mais importante que o clube disputaria no
ano. Eliminado na fase de grupos, o Flamengo até trouxe Everton Ribeiro, mas o
atleta também não pôde atuar na Copa do Brasil.
No
segundo semestre, inclusive, quando o caldo já havia entornado pela metade, a
diretoria decidiu trazer mais peças, além dos citados, o zagueiro Rhodolfo e o
atacante Geuvânio completaram a lista dos novatos. Nenhum deles podia entrar em
campo pela Copa do Brasil.
Além
de tudo isso, vale ressaltar a dificuldade do Flamengo para vencer jogos
decisivos fora de casa. Entre Libertadores e Copa do Brasil, por exemplo, a
equipe derrotou apenas o frágil Atlético-GO, perdeu para o Santos, empatou com
o Botafogo no Engenhão e não conseguiu vencer o Cruzeiro no Mineirão.
Diante
disso, o jogo ruim do Flamengo no Maracanã, onde podia ter encaminhado uma
vitória, foi crucial para a decisão do título. A falha de Thiago, na reta final
do jogo deu animo para que o Cruzeiro chegasse em casa com totais condições de
ser campeão.
No
Mineirão, durante os 90 minutos, o jogo não foi bom, o Flamengo não teve
criatividade e em momomento nenhum parecia decidido a definir a partida. Para
quem vive um dilema quando as cobranças de pênaltis era essencial a atitude.
No
final das contas, jogar a responsabilidade apenas para Muralha é esquecer todas
as decepções da temporada até aqui e mascarar os problemas. Para que isso não
se repita na Sul-Americana, única competição que resta ao clube, é preciso
enxergar os erros e não individualiza-los.

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