Desembarcador culpa Jovem do Flamengo por confusão no Maracanã

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Foto: Reprodução/SporTV

SPORTV:
A praça de guerra em que se transformou o entorno do Maracanã e uma parte do
interior do estádio manchou na noite desta quinta, no feriado de 7 de setembro
a primeira partida da final da Copa do Brasil entre Flamengo e Cruzeiro. Mais
uma vez, vândalos causaram série de incidentes. No Portão 2, um grupo tentou
invadir o Maracanã, e a Polícia foi obrigada a agir até com spray de pimenta.
Pelo acesso C, alguns torcedores tentaram entrar sem ingresso e acabaram
conseguindo. Dentro do estádio, mais vandalismo. Rubro-negros quebraram grades
do setor leste para pular para o setor norte, onde ficam as principais
organizadas. A segurança particular teve também que intervir para tentar evitar
problemas maiores.

Segundo
a PM, a segurança do evento contou com o efetivo de 450 homens da Polícia
Militar, entre homens do Grupo de Policiamento Especial em Estádios (Gepe) e do
6º Batalhão da PM, além de 622 homens da segurança particular, que estiveram
dentro do Maracanã. Mesmo assim, houve confusão. Segundo o desembargador Mauro
Martins, coordenador do Juizado do Torcedor em Grandes Eventos, o tumulto foi
orquestrado por uma facção de torcida organizada do Flamengo, e esse movimento
começou no último jogo da semifinal da Copa do Brasil, contra o Botafogo.
– A
informação que nos foi passada era que a torcida organizada, no caso a Jovem do
Flamengo, banida dos estádios, ela está forçando o acesso. Uma vez dentro do
estádio, ela procura se deslocar para ocupar o espaço que lhe é tradicional
dentro do estádio. Quer dizer: a torcida não se limita a invadir, ela quer
ocupar o espaço que ela entende que é dela. Isso se iniciou na semifinal da
Copa do Brasil, houve uma tentativa de invasão no início do jogo, foi
controlada, mas ontem (quinta) o volume de pessoas tornou difícil o controle da
situação – disse o desembargador, em reportagem especial desta sexta no
“Tá na Área”.
Dois
torcedores foram autuados. Um responde a ação penal e foi afastado dos jogos do
Flamengo por três meses. Um outro foi obrigado a pagar multa. O problema de violência
é recorrente no Estado do Rio de Janeiro. Só neste ano, duas mortes foram
registradas no estado. Só no primeiro semestre deste ano, 11 mortes ocorreram
em todo o Brasil, duas a menos do que em 2016, quando houve 13 homicídios.
Sociólogo pesquisa causas
Maurício
Murad, sociólogo que estuda violência no futebol há quase 30 anos, pesquisou
com os chefes das maiores torcidas organizadas do país as principais causas
para o aumento da violência nos estádios.

Fizemos uma pesquisa com líderes e chefes de torcida das maiores de todo o
Brasil, e 70% desses líderes declararam claramente o seguinte: a hostilidade
entre dirigentes ou a hostilidade entre jogadores e equipes técnicas dos times
estimula, incentiva e ajuda a causar a violência entre torcedores – disse
Murad.
O
desembargador Mauro Martins pede maior entendimento entre os dirigentes.
– A
rivalidade clubística se dá no campo desportivo e no jogo. Fora do jogo, eles
têm que trabalhar como interessados na melhoria do produto.
Os
presidentes de Flamengo e Botafogo, Eduardo Bandeira de Mello e Carlos Eduardo
Pereira, envolvidos em recentes discussões entre os clubes, se pronunciaram
sobre o assunto.
– O
exemplo tem que partir dos dirigentes. No meu caso e no dos dirigentes do
Flamengo não existe nenhum tipo de incitação à violência – afirmou Bandeira.
– Eu,
pessoalmente, não vejo hostilidade entre dirigentes aqui no Rio de Janeiro.
Existem discordâncias, mas daí a haver hostilidade, agressão, ofensas, em
nenhum momento eu assisti a isso – disse Carlos Eduardo Pereira.
Ainda
segundo o sociólogo, ss assentos vazios nos estádios são uma espécie de
rendição oficial da segurança pública, necessários para “estabelecer
muros, divisórias de espaços vazios para afastá-los.”
– É um
espaço de controle que a força policial tem para manter uma margem de segurança
para poder intervir. Hoje, a Polícia Militar emprega algo de 500 homens num
evento desportivo, cerca de 200 homens no interior dos estádios e 200, 250 do
lado de fora. Efetivos são deslocados, homens são empregados em seus horários
de folga, numa carga extra de trabalho, para que possamos cobrir esse evento de
uma forma eficaz – disse o porta-voz da PM, Ivan Blaz.
Criado
em 2003, a Estatuto do Torcedor recebeu as últimas modificações em 2015, mas
nada que dê punições mais duras em punição aos torcedores. A lei prevê multas
para as infrações menos ofensivas, como depredação, tumultos e incentivo à
violência. Além disso, quem cometer tais crimes pode ter os direitos
restringidos, como o de ser impedido a comparecer aos estádios.
– Acho
que a legislação é branda e está a merecer uma reforma – disse o desembargador
Mauro Martins, favorável o uso da biometria para identificar os torcedores na
entrada nos estádios.
– Na
multidão, os indivíduos se sentem invisíveis, no anonimato. E aí julgam ser
possível transgredir, cometer delitos – afirmou o porta-voz da PM, Ivan Blaz.

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