Era melhor ter ido ver o filme do Pelé

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Rei Pelé jogando pelo Flamengo – Foto: Divulgação

ESPN
FC
: Por João Luis Jr.

Analisar
de ponta a ponta o Instagram de uma ex-namorada que terminou contigo dois anos
atrás. Limpar um armário empoeirado de roupas. Telefonar para a sua empresa de
TV á cabo e pedir uma mudança de plano. Ler o manual de instruções de uma
máquina lava e seca com abertura frontal. Trocar a resistência de um chuveiro
sem ter certeza que realmente tá desligada a eletricidade do banheiro.
Interromper um jantar de família perguntando “e aí, galera, vocês acham que foi
golpe ou não?”.
Todas
essas atividades, ainda que nada recomendáveis e vagamente aterrorizantes,
muito provavelmente ainda são melhores do que a experiência do flamenguista que
teve que assistir nessa quarta-feira ao jogo contra a Chapecoense.
Isso
porque o Flamengo, que parecia no decorrer do últimos jogos ter evoluído em
alguns aspectos importantes de seu jogo, conseguiu na noite de ontem realizar
uma atuação que permitiria que alguns torcedores mais pessimistas, mais
paranoicos, ou apenas mais fãs da franquia “Missão Impossível” acreditassem que
a qualquer momento Reinaldo Rueda poderia tirar uma máscara e revelar que na
verdade ele não era outra pessoa que não o antigo treinador rubro-negro Zé
Ricardo.
Afinal,
contra a Chapecoense tivemos tudo que mais irritava o torcedor durante a gestão
zéricardiana: altos índices de posse de bola sem gerar chances de gol; extrema
dificuldade na armação das jogadas; atleta titular que, apesar de atuar em
baixo nível durante toda a partida, era substituído, muito a contragosto do
treinador, apenas no finalzinho do jogo. Somando a isso o fato de que, mesmo
com o Flamengo dominando a partida, uma derrota poderia facilmente ter surgido
em vacilos infantis que deixaram a Chapecoense na cara do gol, você tem
basicamente um resumo dos jogos que causaram a demissão do antigo treinador da
equipe.
E
ainda que continue sendo cedo para criticar o nosso novo professor, fica claro
que o Flamengo atingiu no mínimo um quebra-molas na trajetória de relativa
evolução que a equipe vinha vivendo. A defesa, que havia se tornado mais
sólida, falhou diversas vezes; o meio e o ataque, que vinham conseguindo ser
mais incisivos, praticamente não criaram. E problemas que já estavam aparentes,
como esse curioso treinamento específico de “espalmada pro meio da área” que
todos os goleiros rubro-negros parecem realizar de forma bem intensa, novamente
quase decidiram a partida. Pode ter sido apenas uma partida ruim? Claro que
pode. Mas uma partida ruim, numa competição mata-mata, pode ser a diferença
entre se classificar para a próxima fase ou ser recebido no aeroporto pela
torcida portando faixas que dizem “fora jogador x e jogador y pois são
comédia”.
Começando
pelo duelo contra o Sport, no próximo domingo, o Flamengo tem uma série de 3
jogos contra times em momentos ruins ou posições modestas no Campeonato
Brasileiro, todos dentro de casa, incluindo o jogo de volta contra a própria
Chapecoense, até a partida decisiva da Copa do Brasil contra o Cruzeiro, em
Belo Horizonte.
Ou
seja, num cenário ideal, temos aí a possibilidade de chegar para a finalíssima
não apenas consolidados no G6, como também classificados para as quartas de
final da Sul-Americana, o que aumentaria ainda mais o moral da equipe e a
confiança da torcida. Tudo depende agora da equipe e do treinador fazerem com
que essas próximas partidas sejam mais animadoras e interessantes do que a de
ontem, nem que seja apenas pra evitar que o torcedor rubro-negro tome medidas
desesperadas, como começar a assistir Chaves na hora das partidas para
conseguir ver alguma coisa com cara de novidade.

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