Flamengo de Rueda repete velhos erros

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Rueda, do Flamengo – Foto: Gilvan de Souza

ANDRÉ
ROCHA:
Se as dúvidas ou mudanças não confirmadas por Reinaldo Rueda estavam na
meta e no ataque – Thiago e Lucas Paquetá iniciaram o jogo – a maior surpresa
na escalação do Flamengo foi a entrada de Márcio Araújo no lugar de Cuéllar,
melhor nos 180 minutos da semifinal contra o Botafogo e em boas condições
físicas. Opção.

O
resultado foi uma equipe com mais dificuldade no início da construção das
jogadas, com Arão e Diego recuando muito para ajudar. Melhorou quando Paquetá
passou a recuar e abrir espaços para as infiltrações de Berrío e Willian Arão.
Mas de novo a equipe se mostrou ”arame liso”, sem contundência no ataque.
Faltou a chance cristalina.
Já o
Cruzeiro sofreu com Rafael Sóbis na frente, tirando velocidade dos contragolpes
– a entrada de Raniel na segunda etapa criou mais problemas para a retaguarda
do oponente. Os erros de Robinho saindo da direita não ajudavam Thiago Neves na
articulação. Diogo Barbosa era o destaque, negando espaços a Berrío e centrando
para Alisson, no início do segundo tempo, para a primeira oportunidade clara do
jogo. Grande defesa de Thiago.
Personagem
da partida pela falha ao dar rebote no chute de Hudson para De Arrascaeta,
substituto de Thiago Neves, empatar. Muralha faria o mesmo? Nunca saberemos,
assim como a ótima intervenção na primeira etapa. Fica a impressão de que
Thiago podia ter atuado na partida contra o Paraná pela Primeira Liga para
ganhar mais ritmo de competição. Virou vilão.
O
jovem goleiro negou o protagonismo a Paquetá, meia que foi às redes num
”abafa” como típico centroavante – e impedido pelo toque de Arão desviando o
chute. Depois de muita pressão após a mudança de Rueda, trocando Rodinei por
Vinicius Júnior, recuando Everton para a lateral e invertendo o lado de Pará no
mesmo 4-2-3-1. Depois Cuéllar, enfim, entrando no meio-campo para aumentar o
volume de jogo.
Tudo
em vão. Porque mais um erro individual inviabiliza o triunfo rubro-negro em
jogo decisivo. Que custa caro por não transformar 59% de posse e 14
finalizações, a metade no alvo, em mais gols. Velhos problemas que transferem
moral e favoritismo ao Cruzeiro para a volta no Mineirão, no dia 27. Mas no
futebol brasileiro em que visitantes, normalmente com menos posse, se impõem,
as chances do Flamengo não podem ser descartadas.

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