Flamengo lucra R$ 1,1 milhão a menos com final em relação a 2013

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Final da Copa do Brasil 2017 entre Flamengo e Cruzeiro no Maracanã – Foto: Buda Mendes/Getty Images

EPOCA
EC
: No placar, tudo igual. Tanto a decisão da Copa do Brasil de 2017 quanto a
de 2013, ambas jogadas pelo Flamengo, começaram com empates por 1 a 1. Fora de
campo, alguma coisa mudou. A administração do Maracanã, que esteve sob
responsabilidade da Odebrecht quatro anos atrás, desta vez ficou nas mãos do
clube carioca – que há algum tempo bate na tecla de que quer participar da
gestão do estádio público ou construir o seu próprio. Toda essa abertura foi
feita para justificar a comparação entre as cifras de uma final e outra, que
não é trivial. O paralelo ajuda a mostrar se a direção rubro-negra está apta a
administrar grandes jogos de futebol.

O
lucro do Flamengo caiu em 2017 na comparação com 2013. Foram R$ 3,7 milhões em
receita líquida em relação aos R$ 4,8 milhões de quatro anos atrás. Mas há
algumas boas explicações para a queda. O público pagante foi ligeiramente
menor. Além disso, e principalmente, o contexto econômico do país e do estado
do Rio de Janeiro é pior do que quatro anos atrás, o que fez com que os
ingressos custassem menos – R$ 125 em média ante R$ 168. Se menos gente compra
entradas mais baratas, cai a renda que vai para o mandante.
O aspecto
mais relevante dessa comparação está naquilo que o Flamengo podia controlar: os
custos do Maracanã. E aí está a boa notícia para os flamenguistas. A despesa
caiu em números brutos, de R$ 3,9 milhões para R$ 2,6 milhões, e também
proporcionalmente em relação à renda, de 40% para 36%. O percentual é até mais
importante do que o valor total, nesse caso. É natural que numa partida com
mais público e renda se exija mais da segurança e da limpeza, além de mais
água, luz, gás, entre vários outros gastos ligados ao atendimento do torcedor.
A redução do custo proporcional à despesa ajuda a tirar a dúvida: a operação
foi realmente mais enxuta do que quando o estádio esteve sob o domínio da
Odebrecht.
A
Odebrecht, aliás, merece um parágrafo nessa comparação. Em 2013, a construtora
recebeu R$ 2,2 milhões a título de “aluguel” pelo uso do Maracanã contra o
Atlético-PR. Aí estão embutidos tanto o valor que entra limpo no caixa da
empreiteira quanto os gastos que a concessionária teve com a partida. Em 2017,
o Flamengo arcou com esses custos separadamente e gastou quase R$ 700 mil,
valores que são descritos no borderô da partida como “custo de infraestrutura”,
“custo operacional” e “contas de consumo”. Além disso, pagou outros R$ 700 mil
limpos à Odebrecht, pelo aluguel do estádio, como ÉPOCA antecipou que faria. A
soma dos números fez com que o Flamengo gastasse R$ 1,4 milhão em 2017 com o
pacote “aluguel” e “custos operacionais”, uma redução considerável em relação à
final anterior.
Alguns
fatores se repetiram nas duas finais. A quantidade de gratuidades impostas por
lei estadual fluminense se manteve igual. Cerca de 10 mil pessoas entraram no
Maracanã de graça, tanto para assistir ao jogo contra o Atlético-PR quanto
diante do Cruzeiro. As gratuidades, como as meias-entradas, têm efeitos
colaterais conhecidos: forçam o gestor do espetáculo a subir preços de
ingressos para compensar as perdas. Além disso, parte da renda continua a ser
revertida para “consignatários”, como os escoteiros e os cronistas esportivos
do Rio de Janeiro. De qualquer modo, mesmo com uma receita líquida inferior à
que tivera em sua decisão mais recente de Copa do Brasil, a edição de 2017
serviu para que o Flamengo testasse sua capacidade de reduzir os custos do Maracanã
numa grande partida.

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