Flamengo mostra sua pior face sob o comando de Rueda

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Guerrero em Chapecoense x Flamengo – Foto: Gilvan de Souza

CHUTE
CRUZADO
: Pedro Henrique Torre

Elenco poupado e pernas descansadas não são suficientes para
apresentar um bom futebol quando o nível de concentração parece ser baixíssimo.
Assim, um tanto quanto perdido em campo, o Flamengo teve sua pior partida sob o
comando de Reinaldo Rueda no empate sem gols com a Chapecoense, fora de casa,
no jogo de ida válido pelas oitavas de final da Copa Sul-Americana. Uma apatia
que saltou aos olhos.

A
justificativa de Rueda ao poupar o time na derrota para o Botafogo no domingo,
pelo Brasileiro, indicava observação de jogadores, mas também uma prioridade a
uma das copas em disputa. Indicaria, também, uma disposição além do comum para
buscar o título e, por consequência, desenvolver o jogo no início de trabalho
de Rueda com maior minutagem do conjunto. Mas tudo isso requer concentração.
Esteve longe de acontecer.
Pois o
Flamengo que foi a Chapecó estava completinho, até mesmo com o goleiro Diego
Alves. Rueda escolheu o que considera, no momento, seu time ideal. Foi pouco.
No 4-2-3-1 de sempre, o time tentou girar a bola, tramar o seu jogo e…se
distraía. Passou, por vezes, a imagem de equipe desinteressada no confronto.
Bem diferente da atuação de uma semana antes, contra o Cruzeiro, pela Copa do
Brasil. Ali trocava passes e passes até achar o mínimo espaço em busca de uma
bola enfiada, uma finalização. Nesta quarta, a solução era bola longa.
O
vício adquirido com a lesão de Diego durante a Libertadores, fazendo de
Guerrero o único ponto de referência, com bolas longas para a ajeitada de pivô,
estava de volta. Com os laterais pouco ofensivos à la Rueda, o Flamengo tinha
espaço pelos lados para explorar a velocidade de Berrío e Everton. Isso porque
a Chape estava também em um 4-2-3-1, mas Apodi e Reinaldo, os laterais, subiam
demasiadamente, clamando por cobertura dos volantes, que preferiam manter o
meio trancado, principalmente com vigília sobre Diego e atentos às infiltrações
de Arão.
Era um
Flamengo sem criatividade. Diego, em péssima fase técnica, errava tudo que
tentava. Passes, viradas de jogo. Não vive bom momento, longe do meia que foi o
eixo central contra a mesma Chapecoense na goleada pelo Campeonato Brasileiro.
Um time dominante, maas, ironicamente, parecendo desinteressado em seu domínio.
Talvez por isso a maior chance no primeiro tempo tenha sido da Chapecoense.
Uma
saída rápida com Alan Ruschel pela esquerda, um chute forte rebatido por Diego
Alves. A Chape realizava boa marcação pelos centro. Wellington Paulista,
geralmente referência, batalhava com Pará ao atacar pelo lado direito. Túlio de
Melo era o homem de referência. Por trás dele, Canteros, o volante argentino,
com funções mais ofensivas, embora sem cacoete. Tentava apenas fazer a bola
andar e ocupar a faixa central. Era pouco. Com quase 60% de insignificante
posse de bola rubro-negra, o segundo tempo chegou ao fim.
Para a
segunda etapa, Rueda poderia tentar alternativas em seu banco de reservas.
Natural até entender que quisesse dar mais jogo ao time que pode jogar a final
da Copa do Brasil, sem os reforços que chegaram por último e não puderam ser
inscritos. Mas claramente o time precisava de criatividade, se não no lugar de
Diego, ao menos alguém para ajudá-lo a produzir. E, além do mais, Diego Alves
já estava em campo, fato que esvaziava por si só a tese. Everton Ribeiro era
boa solução.
Mas
por conta de alguma tese ainda não explicada, Rueda insiste em dizer que o meia
disputa vaga com Diego, quando o encaixe de ambos é perfeitamente viável. Sem
modificações, exceto pela entrada de Vinicius Junior na vaga de Everton ainda
no primeiro tempo, o time voltou pior. Mais desconcentrado, mais espaçado. Então
a Chapecoense, cansada por viagens ao redor do mundo, em crise no Campeonato
Brasileiro e com um técnico interino, foi bem superior. Aproveitou os espaços
dados pelo Flamengo e avançou o time.
Era
óbvio que os lados eram grandes válvulas de escape do time catarinense. Mas o
Flamengo não parecia estar preocupado em neutralizá-las. Tinha a bola, mas não
conseguia desenvolver masi grande quantidade de passe. Cuellar, em noite ruim,
chegava atrasado em lances de marcação. Emerson Cris, o interino da Chape,
sentiu a necessidade de dar velocidade ao jogo.
Sacou
Túlio de Melo, centralizou Wellington Paulista e colocou o abusado Penilla em
campo, pela esquerda. Ruschel passou à direita e o time passou a acelerar.
Rodinei, que tentava subir, passou a ter de vigiar Penilla. De longe, o
equatoriano bateu forte, Diego Alves soltou e, no rebote, Reinaldo, sozinho na
área, perdeu gol incrível ao chutar para fora. Emerson Cris sentiu o bom
momento, tirou Ruschel, cansado, e colocou Luiz Antonio, ex-Flamengo, pelo lado
direito. Forçaria pelas pontas, claramente. Quem disse que o Flamengo reagiu?
Uma
certa apatia envolvia o time rubro-negro, sem poder de organização e gana para
responder a Chapecoense. Canteros adiantou-se e passou a armar as jogadas pelo
centro, praticamente sem combate. Em uma delas, deixou Penilla na cara de Diego
Alves, mas o equatoriano bateu para fora. Ao Flamengo restou apenas uma
cabeçada de Réver bem defendida por Jandrei em cobrança de escanteio de Diego.
E só. A três minutos do fim, Rueda trocou Diego por Everton Ribeiro.
Completamente desantenado do jogo, o camisa 7 só não foi expulso após chutar
Reinaldo por benevolência do árbitro. O retrato de um Flamengo perdido.
As
estatísticas do site Foostats apontaram um Flamengo com 58% de posse de bola no
jogo, mas dez finalizações contra 16 da Chapecoense. Rueda pareceu ter
detectado problemas no Flamengo com a entrevista pós-jogo e demonstrou até
incômodo ao falar em necessidade de “guerrear”. Uma apatia que não interessa
ninguém. O técnico, porém, apresenta também seus próprios problemas. A
insistência em um duelo entre Diego e Everton Ribeiro não encontra sentido. Se
quiser brigar pelas copas que ainda disputa, o Flamengo, no mínimo, deve entrar
interessado e concentrado em seu objetivo nos jogos. Foi um time disperso.
Característica incompatível com quem deseja ser campeão.

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