Mano, o ‘cara’ de Flamengo x Cruzeiro

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Mano – Foto: Juarez Rodrigues/EM/D.A. Press

UOL: Flamengo
e Cruzeiro começam a decidir a Copa do Brasil nesta quinta-feira (7). Às 21h45
(de Brasília), os times se enfrentam diante de um Maracanã lotado – o jogo de
volta acontece em 27 de setembro, no Mineirão. O Rubro-negro busca o
tetracampeonato, enquanto o clube celeste quer o penta. Em uma final com tantos
ingredientes, um deles se sobressai antes mesmo de as equipes entrarem em
campo: o técnico Mano Menezes.

É
impossível retratar mais um Flamengo e Cruzeiro decisivo sem abordar a
trajetória do treinador nos dois clubes. Na Gávea, ele é persona non grata. Na
Toca da Raposa, aparece como uma espécie de referência no projeto cruzeirense.
Cenários absolutamente distintos que fazem de Mano um ponto que mexe com os
clubes na busca do título e da vaga antecipada na Copa Libertadores de 2018.
Flamengo: saída conturbada e má imagem
Em 19
de setembro de 2013, Mano comunicou a saída do Flamengo após a derrota por 4 a
2 para o Atlético-PR no mesmo Maracanã que reencontra logo mais. Foi um baque
para dirigentes e torcida. Na ocasião, o comandante disse que não conseguiu
passar o que pensava sobre futebol ao elenco. O abandono custou caro. Ainda que
outros cartolas passem pelo Rubro-negro, dificilmente ele terá a chance de
trabalhar no clube. Ficou a resistência e a desaprovação da torcida.
Mano
saiu, Jayme assumiu o comando técnico e o Flamengo conquistou o tricampeonato
da Copa do Brasil em uma campanha com Elias e Hernane inspirados. O tempo
passou e alguns aspectos da saída do clube já foram abordados pelo treinador. A
última versão, em maio deste ano, destacou “festinhas” dos jogadores
e o desentendimento com o ex-vice de marketing, Luiz Eduardo Baptista, o Bap,
em entrevista ao programa Bola da Vez, da ESPN Brasil.
O
assunto é tema quase proibido na Gávea, mas nos bastidores a sustentação é a de
que o adeus de Mano nada teve a ver com o Flamengo. O técnico deixou o clube
por conta de problemas pessoais. A forma como tudo aconteceu degringolou a
relação e fechou uma porta importante para o profissional no futebol brasileiro.
“O
Mano não me atendeu até hoje. O máximo foi um SMS dizendo que um dia eu
entenderia a saída pelo bem do Flamengo. Nunca tivemos notícias de festinhas
dos jogadores. Sobre o desentendimento com o Bap, a filha [e assessora de
imprensa] queria uma agenda diferente da comunicação do clube. Discordamos e
mostramos que existia uma estratégia. Isso viraria uma bagunça. Quiseram
pautar, dissemos que não”, recordou o ex-vice de futebol, Wallim
Vasconcellos.
Cabeça do projeto do Cruzeiro finalista
Cenário
turbulento de um lado, céu de brigadeiro do outro. Mano Menezes goza de
prestígio com a diretoria do Cruzeiro. Nem os piores momentos da temporada – a
perda da final do Campeonato Mineiro para o Atlético-MG e a queda precoce na
Copa Sul-Americana diante do Nacional, do Paraguai – fizeram o técnico
balançar.
Alguns
aspectos, como a relação com os dirigentes e a promessa de não deixar o clube
por oferta mais vantajosa, o mantiveram no posto. Tudo pautado pela relação
construída no decorrer dos últimos anos. Em dezembro de 2015, Mano deixou a
Toca da Raposa II para assumir o Shandong Luneng, da China. O salário de R$ 1
milhão no futebol asiático foi o que o atraiu.
Sete
meses após a ida para o clube chinês, ele retornou a Belo Horizonte para
reassumir o Cruzeiro. Na volta à equipe, aceitou receber o mesmo montante do
primeiro contrato – R$ 500 mil mensais – e fez a promessa de permanecer.
E o
treinador cumpriu o pacto. Corinthians e Palmeiras o procuraram no início do
ano, antes de efetivarem Fábio Carille e Eduardo Baptista, respectivamente.
Contudo, Mano recusou os acordos pelo objetivo maior: uma boa temporada à
frente do time que pode celebrar mais uma vez a Copa do Brasil.
Independentemente
da simpatia de cada um, Mano Menezes é figura obrigatória antes do duelo entre
Flamengo e Cruzeiro. Também será assim no dia 27 de setembro, quando o seu nome
mais uma vez aparecerá na história, seja qual for o resultado final.

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