Muralha é só mais um a não se firmar no Flamengo desde Bruno

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Alex Muralha entrando em campo pelo Flamengo – Foto: Gilvan de Souza

UOL: Alex
Muralha tem uma responsabilidade e tanto nas mãos para a próxima quarta-feira
(27), às 21h45 (de Brasília), no Mineirão. Por conta daquelas coincidências do
destino, o camisa 38, longe da melhor fase na carreira, terá de superar
obstáculos e um peso de sete anos na Gávea para ajudar o Flamengo na missão de
conquistar o tetracampeonato da Copa do Brasil contra o Cruzeiro.

Contar
a história do hoje questionado Muralha sem citar o drama do Rubro-negro com
jogadores da posição é como esquecer uma peça na montagem do quebra-cabeça. A
pressão que o titular na decisão sofre de um tempo para cá não é novidade. Faz
parte do dia a dia do Flamengo desde a prisão do goleiro Bruno, em 7 de julho
de 2010.
Condenado
pelo assassinato de Elisa Samudio, o então camisa 1 era ídolo da torcida e uma
referência do elenco. Foi assim que ergueu a taça do hexacampeonato brasileiro
em 2009. Bruno parecia cada vez mais perto da seleção brasileira quando o crime
causou impacto nacional e deixou o Flamengo com um drama difícil de solucionar.
Com
fama de pegador de pênaltis, Diego Alves foi contratado recentemente para
tentar, enfim, preencher a lacuna. Ainda não deu tempo. E o fato de não poder
atuar na Copa do Brasil, pois chegou após o encerramento das inscrições,
comprometeu momentaneamente qualquer objetivo.
Alex
Muralha é só mais um que passou pela meta sem o sucesso esperado. Desde Bruno,
outros cinco defenderam o Flamengo: Marcelo Lomba, Felipe, Paulo Victor, César
e Thiago. Alguns tiveram mais sucesso, mas nenhum deles virou ídolo e
incontestável.
Para
Marcos Braz, vice-presidente de futebol campeão brasileiro em 2009, a questão
vai além. Ele conviveu muito com Bruno e era diretor do clube quando o goleiro
foi contratado, em 2006.
“A
pressão extra pela forma como ele saiu de cena foi muito forte no primeiro ano,
mas esse prazo passou. Quem mais sofreu com isso foi o Marcelo Lomba, ali o
negócio foi grande mesmo. Não pode ser mais desculpa. O clube teve tempo
suficiente para se planejar e fazer um bom goleiro”, afirmou o atual
vice-presidente do Conselho de Administração Rubro-negro.
“De
fato, o Bruno foi o último ídolo do Flamengo na posição. Só que treinava muito,
era acima da média e foi determinante em diversos títulos. Protagonista mesmo.
Depois dele, alguns goleiros chegaram com expectativa acima da realidade. Isso
é um problema no Flamengo. Sempre foi. O Diego Alves ainda não teve tempo.
Vamos aguardar”, completou.
Muralha
chegou ao Flamengo no ano passado depois de se destacar no Figueirense. Acima
da média no começo, ganhou o carinho da torcida e foi convocado para a seleção,
mas viu a fase mudar drasticamente nos últimos meses. Apontado como vilão na
eliminação da Copa Libertadores, ele perdeu lugar para o reserva Thiago e viu a
diretoria buscar Diego Alves no exterior. Para piorar, ficou marcado na
eliminação da Primeira Liga, quando o Jornal Extra até anunciou que não o
chamaria mais de “Muralha”.
O
episódio despertou solidariedade da torcida e do elenco, que viram no ato uma
“humilhação” ao profissional. Ele, ainda assim, acompanhou a primeira
final do banco. Thiago falhou no gol de empate do Cruzeiro no Maracanã, mas nem
isso garantia a presença de Muralha no jogo decisivo. Uma lesão do jovem colega
de posição, no entanto, abriu caminho.
Cercado
de desconfiança, Muralha chega como um dos personagens mais importantes da
decisão. Ao que tudo indica, perderá espaço para Diego Alves independentemente
do que fizer em campo. Ainda assim, é ele que tem a missão de, mais uma vez,
superar a sombra de Bruno no gol do Flamengo.

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