Muralha e Sóbis: vale apostar na experiência, mesmo em má fase?

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Alex Muralha, jogador do Flamengo – Foto: Gilvan de Souza

ANDRÉ
ROCHA
: Alex Muralha tem 27 anos, títulos estaduais por Figueirense e Flamengo e
passagem pela seleção brasileira no ano passado, mas sem atuar. Nenhuma decisão
nacional na carreira. Thiago tem 21 anos, também é campeão carioca. Mas na
reserva de Muralha. Foi campeão e melhor goleiro da Copa SP do ano passado.
Serviu à seleção no Sub-15 e Sub-17, mas também sem jogar.

Rafael
Sóbis tem 32 anos, duas Libertadores pelo Internacional e um Brasileiro pelo
Fluminense no currículo, além de convocações e gols pela seleção, principal e
olímpica. De Arrascaeta tem 23 anos, Raniel dois a menos.
Reinaldo
Rueda e Mano Menezes carregam algumas dúvidas para a ida da final da Copa do
Brasil no Maracanã. Ou ao menos não revelam as escalações de Flamengo e
Cruzeiro. O treinador colombiano também não divulgou quem ocupa o comando de
ataque – Lucas Paquetá ou Orlando Berrío, com Vinicius Junior entrando na
ponta.
Mas na
meta rubro-negra e no ataque celeste a indecisão foi motivada por um raciocínio
muito comum no meio do futebol, em qualquer canto: a vivência e a bagagem de
experiências de um atleta contam como fatores positivos para a disputa de uma
grande final.
Algo
que se confirmou tantas vezes, mas não todas, que vira uma ”verdade”, um fato
inquestionável na escolha de um jogador, pesando mais que a condição técnica ou
as valências do atleta. Afinal, a decisão tem um componente emocional, no
mínimo, diferente. A atmosfera pode fazer o jogador se agigantar ou intimidar.
Mas será que precisa decidir assim sempre? Muralha foi afastado por deficiência
técnica pelo treinador Zé Ricardo, o jovem Thiago assumiu a posição às pressas,
tão rápida como a contratação de Diego Alves.
Exatamente
pela constatação de que disputar no mais alto nível os principais títulos seria
complicado sem um arqueiro confiável. Agora, por conta de uma provocação
(infeliz) do jornal Extra, Muralha volta ao centro das atenções e passa a
concorrer a uma vaga na meta. Mais pela visibilidade e uma fé de que ele será
capaz de se superar para calar os críticos do que por uma evolução técnica –
até porque na última partida falhou no gol do Paraná  nas quartas da Primeira Liga e mostrou a
ineficiência costumeira na disputa por pênaltis.

Thiago errou bem menos quando exigido e não foi vazado no clássico contra o
Botafogo na semifinal no Maracanã. Portanto, a dúvida só pode existir por conta
da diferença de idade entre os goleiros. Bem questionável.
O mesmo
vale para Rafael Sóbis na equipe mineira. Atuando como referência, se sacrifica
pela equipe abrindo espaços. Mas vem devendo no desempenho, o que é mais grave
que não ir às redes desde 25 de junho, embora seja um dos artilheiros da Copa
do Brasil com cinco gols. Tem a confiança de Mano, mas não está confirmado
entre os titulares.
Porque
o jovem Raniel transferiu ao setor ofensivo maior presença física na área e
mais profundidade, inclusive na vitória sobre o Grêmio no Mineirão pela
semifinal. É jovem, porém. Um ”obstáculo” neste momento. Assim como a
incerteza da capacidade física de De Arrascaeta, além da dúvida de como será a
presença do uruguaio como ”falso nove” em um trabalho com maior mobilidade e
rapidez nas transições ofensivas.
Incógnitas
para a disputa num Maracanã lotado e elétrico. Decisão para escrever histórias
de vilões e herois. Invertendo lógicas, surpreendendo. Muralha e Sóbis terão a
chance de virar o jogo da vida e fazer valer a aposta? Ou Thiago e Raniel ou
Arrascaeta vão escrever novas páginas no primeiro duelo de gigantes valendo o
penta do Cruzeiro ou o tetra do Flamengo?

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