Personagens revelam causos do tri do Flamengo na Copa do Brasil

27
Foto: Reprodução / Instagram

GLOBO
ESPORTE:
O futebol tem suas particularidades. Histórias e causos que passam
longe de entrevistas coletivas, zonas mistas e agenda particulares dos
personagens da bola. O título da Copa do Brasil de 2013 do Flamengo é rico de
bons casos do tipo.

Uma
diretoria nova, quase na totalidade inexperiente em vestiário e no campo.
Mudanças no elenco – com destaque para saída de Vagner Love, Ibson, entre
outros mais badalados -, na estrutura e a construção de um time e de um título
que parecia improvável.
Quatro
anos atrás foi mais ou menos com esta fórmula que o Flamengo conquistou a Copa
do Brasil pela terceira vez – colocando o troféu ao lado dos canecos de 1990 e
de 2006.
O
GloboEsporte.com ouviu personagens daquela conquista, a maior em quatro anos e
nove meses de Eduardo Bandeira de Mello à frente do Rubro-Negro. Será que o
tetra escreve uma nova história? Os 180 minutos do dia 7 e 27 de setembro vão
responder.
AS HISTÓRIAS DO TRI
A insônia e a fé do Brocador
Nascido
em Bom Jesus da Lapa, na Bahia, Hernane conheceu o Maracanã aos 15 anos. Na
visita, guardou um arrependimento: não tirou uma foto no estádio. Doze anos
depois, teve o templo do futebol mundial – e todas câmeras – a seus pés numa
noite perfeita. Nos 4 a 0 sobre o Botafogo, nas quartas de final, ele fez três
e ainda sofreu o pênalti do quarto gol marcado por Léo Moura.
Na
véspera da partida, a insônia o incomodou. Com o goleiro Paulo Victor, no
quarto, ele foi e voltou do banheiro quatro, cinco vezes. Até parar diante do
espelho, sem conseguir dormir, e rezar, pensando no confronto contra o
Alvinegro.
– No
dia seguinte, sem falar com a missionária da minha igreja, a moça me ligou e
disse para mim que Deus ia confirmar tudo que eu tinha pedido na minha oração.
Eu estava ansioso. Lembrei de quando fui aos 15 anos e do meu pedido a Deus:
“Um dia vou estar aqui, o estádio vai cantar meu nome e vou ser ídolo
aqui” – contou Hernane.
O mistério da saída de Mano
Recentemente,
o atual técnico do Cruzeiro, Mano Menezes, apresentou nova versão para a saída
do Flamengo. Disse que teve desavenças pessoais com Luiz Eduardo Baptista, que
era vice-presidente de marketing do Flamengo. De acordo com Mano, Bap
interferiu na agenda de entrevistas do treinador. Mais que isso, o técnico
apontou “festas” além da conta dos jogadores. O tema ainda é um
mistério para muita gente na Gávea.
Alguns
jogadores, membros do departamento de futebol e dirigentes que estavam naquela
época evitam o tema e mostram certo constrangimento sobre o assunto. Mas, nos
bastidores, eles falam que a verdadeira história da saída de Mano passou por
questão bem particular do treinador, o que virou assunto proibido até ser
revivido pelo técnico em entrevista à “ESPN”.
A dor da gente não sai no jornal
Logo
em seguida à saída de Mano Menezes, uma reunião marcou aquele grupo. No Ninho
do Urubu, o vice de futebol Wallim Vasconcelos, o diretor Paulo Pelaipe e o
treinador interino Jayme de Almeida. O momento era turbulento. Na diretoria,
havia quem pedisse Celso Roth, Caio Junior (falecido no fim do ano passado) e
outros nomes. Abel chegou a ser contatado, mas recusou.
Na
conversa, um texto de jornal, que criticava duramente o time, foi levado como
munição para a reunião. Em tom de incentivo, houve provocação na conversa
franca como não haviam tido antes – diretoria e atletas:

Vocês não são nada disso.
Elias,
um dos líderes daquele grupo, tomou a palavra e falou que era hora do grupo se
dedicar mais. Citou os volantes Cáceres e Amaral como exemplos a serem
seguidos. A conversa – e a participação firme de Jayme – transformou o
ambiente.
Sem chinelinho. Literalmente
Com
trajetória longa no Grêmio, Paulo Pelaipe chegou no Flamengo com a missão de
reorganizar o departamento de futebol. Teve carta branca para reduzir o elenco
e mudar procedimentos. O primeiro impacto veio na apresentação do elenco em
2013.

Chegaram uns quatro ou cinco jogadores de chinelo de dedo para a reunião que
teríamos. Disse para todos voltarem para o vestiário e se vestirem com tênis e
meia – contou Pelaipe.
De
temperamento firme, o executivo, que está fora do mercado depois de passagem
pelo Criciúma no ano passado, guarda na memória dois momentos especiais daquele
título. Ser carregado pelos jogadores no meio do campo do Maracanã na
comemoração e outro, que dependia de terceiros, mas mostrou que o clube estava
em outro momento.
– O
Paulo Dutra (diretor financeiro) disse que a premiação da Copa do Brasil seria
paga no dia 30 de dezembro. Passei isso aos jogadores, que ficaram
desconfiados. Era o último dia de banco no ano. No dia 30, o Léo Moura me liga
às 13h e já pensei que podia ter algum problema. Contou que tinha sido tudo
pago, que já tinha falado com o restante dos jogadores.
Do Broca, com carinho, para o capitão
23 de
outubro, segundo jogo das quartas de final contra o Botafogo. Naquela data, Léo
Moura completava 35 anos. Na concentração, ganhou os parabéns e ouviu uma
promessa do Brocador na hora do almoço:
– O
seu presente te dou à noite.
Depois
de três gols contra o Alvinegro, Hernane sofreu o pênalti, pegou a bola e,
emocionado num Maracanã em transe, entregou a bola ao aniversariante.
– O
Paulinho lembrou do aniversário do Léo. Fui até ele e dei a bola: “Seu
presente. Faz e me abraçar”. Foi um momento que ele ficou muito
emocionado. Ele me abraçou e me agradeceu bastante. Bastante mesmo. Isso ficou
marcado na minha carreira e acho que na dele também – contou Hernane.
A escolha de Godinho
Carlos
Eduardo não teve grande passagem pelo Flamengo. Mas fez um gol importantíssimo
– relembre em entrevista desta semana com o atual jogador do Vitória. Para
muitos torcedores, a bola que estufou as redes do Cruzeiro, diminuindo o placar
no Mineirão para 2 a 1, clareou o caminho rubro-negro em busca do título de
2013.
Mas
você sabia que a chegada de Cadu começou num Fla x Flu após o Rubro-Negro
perder o lateral Wellington Silva para o Tricolor? Nos bastidores, a
possibilidade de perder outro jogador para o rival provocou a investida acima
dos limites do Rubro-Negro pelo jogador, hoje no Vitória.
Na
época, quem bateu o pé para que o Flamengo aumentasse o investimento na disputa
foi Flavio Godinho, então vice-presidente de Relações Externas do time da Gávea
e que seria vice de futebol até ser preso num dos braços da Operação Lava Jato
da Polícia Federal.
A descoberta de Paulinho
Um dos
grandes destaques daquele time – relembre lance contra o Botafogo abaixo,
Paulinho apareceu no Flamengo num sábado à noite. Não é força de expressão.
Após um jogo do Campeonato Carioca, o diretor do Flamengo Paulo Pelaipe
assistia a XV de Piracicaba contra o São Paulo. Paulinho jogou muito bem e o
clube da Gávea foi atrás do jogador.
Além
de Paulinho, o volante Diego Silva foi contratado pelo Flamengo. Na época, o
empréstimo do atacante custou cerca de R$ 100 mil. O salário do atleta era de
pouco mais de R$ 20 mil. Quatro anos depois, Paulinho ainda tenta reencontrar o
bom futebol. Hoje, ele joga no Guarani, na Série B, mas mantém bom contrato,
recebe R$ 100 mil a mais. Um legado daquele ano da Copa do Brasil.

COMENTÁRIOS: