Planejamento, inteligência e frieza: faltou muita coisa ao Flamengo

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Torcedor do Flamengo com a taça da Copa do Brasil – Pedro Vilela/Getty Image

ESPN
FC
: Por João Luis Jr

Faltou
planejamento. O Flamengo chegou até uma final de Copa do Brasil tendo como
principal jogador um zagueiro de 38 anos que até bem pouco tempo atrás não era
nem mesmo uma opção considerada para a reserva. Visto como um dos melhores
elencos do Brasil, o Flamengo não tem laterais confiáveis, tem apenas um
zagueiro (veterano) de qualidade, tem seu principal meia numa fase ruim e seu
substituto natural não estava inscrito na competição.
Faltou
inteligência. O Flamengo foi enfrentar o Cruzeiro sabendo que um empate levaria
para os pênaltis e ciente que o Cruzeiro tinha um goleiro que poderia
eventualmente pegar um pênalti, enquanto o nosso tem um nível impressionante de
aproveitamento no quesito “adivinhar o canto onde o batedor não vai chutar”.
Mesmo assim, e mesmo diante das fragilidades apresentadas pelo adversário,
manteve um segundo tempo cauteloso e deixou que a partida fosse numa direção
que obviamente não seria vantajosa para nós.
Faltou
frieza. Ainda que pênaltis sejam uma loteria, é sempre mais fácil vencer essa
loteria quando você, por exemplo, não aposta na megasena as dezenas “pato,
marreco, cachorro”, que realmente não são dezenas, e sim nomes de animais, o
que reduz um pouco suas chances. Diego mais uma vez se saiu mal nos pênaltis,
assim como Muralha, que agora implementou uma ousada estratégia de “pular
sempre para o mesmo lado”, uma das ideias mais apalermadas da história do
futebol e que apenas mostra o desespero vivido pelo goleiro rubro-negro.
E
falta, e isso falta muito, não aceitar mais esse tipo de situação. Claro que
derrotas acontecem, claro que perder é um risco inerente à vontade de ganhar,
claro que não é porque o time foi derrotado ontem que todo o trabalho deve ser
jogado fora e nada que foi feito antes tem méritos. Mas falta ao Flamengo de
hoje um certo nível de indignação, de revolta, de inconformismo com a derrota,
que torna ainda triste e sofrido o ato de perder. Eliminações vexatórias são
encaradas com um “isso acontece”, derrotas imperdoáveis são vistas como
acidentes de percurso, situações que exigiriam no mínimo uma reavaliação de
várias decisões da diretoria são vistas como apenas obstáculos numa espécie de
caminho garantido do sucesso.
O
resultado disso nesse ano foi uma eliminação vexatória na Libertadores, uma
eliminação constrangedora na Primeira Liga e um vice-campeonato da Copa do
Brasil. Ou seja, fora o Campeonato Carioca, ainda não vencemos nenhum título
esse ano, nos sobrando agora a Sul-Americana, com um clássico nas quartas de
final, e um Campeonato Brasileiro em que nem no G6 estamos mais. E isso
claramente é muito pouco.
Rueda
precisa continuar seu trabalho, claro, e é com esse grupo que precisamos contar
até o fim do ano. Mas fica claro que lições precisam ser aprendidas, tanto para
a montagem do elenco no ano que vem como para aplicação imediata, Se 2017 já
deixou claro que não vai ser o ano que esperávamos, cabe agora ao menos um
esforço para que ele não seja um fracasso completo. E ainda parece faltar muita
coisa para que o Flamengo consiga isso.

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