Presidente do Botafogo vê Flamengo em “outro patamar”

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Foto: Reprodução

SPORTV:
Os presidentes do Botafogo, Carlos Eduardo Pereira, e do Flamengo, Eduardo
Bandeira de Mello, foram os convidados do “Seleção SporTV” nesta
segunda-feira. Os dois dirigentes negaram ter problemas de relacionamento e
comentaram situações em que os dois clubes ficaram em posições contrárias no
passado, como a transferência de Willian Arão e o aluguel do estádio da
Portuguesa da Ilha do Governador.

Carlos
Eduardo Pereira afirmou que, no entanto, as realidades financeiras diferentes
entre os dois clubes impedem uma agenda comum entre Botafogo e Flamengo.
– Acho
que cada ponto de pauta tem muito a ver com a realidade que cada clube vive.
Eduardo já vem realizando um trabalho de saneamento de contas, melhoria do seu
clube, colocando clube em um patamar distinto daquele em que recebemos o
Botafogo no final de 2014 e estamos caminhando para levar a outro patamar. Mas
é um caminho longo. Às vezes, quando as instituições estão em patamares
distintos, você não consegue casar as agendas. Vejo fundamentalmente por isso,
porque tem momentos em que você pode questionar um ponto, mas em outros você
não está condições politicamente de fazer esse questionamento. São momentos distintos,
temos que trabalhar isso da melhor maneira possível e entender que as torcidas
nos cobram muito.
De
acordo com Pereira, questões maiores, como o Profut, têm sido um denominador
comum para Botafogo e Flamengo em termos de discussões, mas negociações mais
locais, como o uso dos estádios e seus nomes, relação com a Federação do Rio e
a organização do Campeonato Carioca, seguem divergentes.
– É
uma questão de ter alinhamento de agendas. Eu vejo que as situações dos dois
clubes ainda estão distintas, há descompasso nessa marcha por realidades de
gestão. Temos enfrentando muitas dificuldades ainda. Há ocasiões em que podemos
aderir a uma determinada agenda comum, mas em outras não podemos aderir. Temos
que trabalhar da melhor maneira possível. As grandes agendas, que estão muito acima,
como o Profut, são mais fáceis de achar um ponto de identidade. Mas aquelas
agendas do dia a dia são aquelas que mexem com sua torcida diretamente. Isso
mexe com o irracional das pessoas. São momentos delicados e difíceis, onde as
pessoas esperam que os presidentes tenham posições mais firmes com certas
questões do que outras.
O
presidente do Flamengo, Eduardo Bandeira de Mello, admitiu a existência de
divergências entre os dois clubes, principalmente em relação à forma como lidar
com a Ferj. No entanto, o mandatário rubro-negro disse que as diferenças não
impedem os dois lados de buscarem harmonia fora dos campos.
– Acho
que existem pontos divergentes, principalmente em relação à relação com a
Federação do Rio. Acho que não é nada que possa fazer com que isso extrapole
para o lado da torcida. Desde que assumi, o presidente era outro, era o
Maurício, essa divergência com a relação com a federação sempre existiu, mas
nunca passou do ponto que não deveria passar. Lembro até que na época em que
estamos discutindo o Profut em Brasília, Flamengo e Botafogo caminharam juntos,
e acabamos chegando em um final feliz.
Carlos
Eduardo Pereira comentou alguns casos apontados como divergências clássicas
entre Botafogo e Flamengo:
Saída de Willian Arão para o Fla
– O
caso do Arão está sendo discutido na Justiça como toda ação civilizada. Você
tem uma discordância e o dever de quem não está concordando é levar o caso para
a Justiça. Foi exatamente o que foi feito e todos estão aguardando a decisão
soberana da Justiça. Não é nada que continue a se desdobrar no ambiente do dia
a dia. É algo que todo mundo está aguardando como resultado.
Devolução do estádio da Portuguesa

Nenhuma (relação com o fato do Flamengo assumir o estádio). Nosso contrato com
a Portuguesa ia até 31 de dezembro de 2016. Não se previa nenhum aditivo,
prorrogação, nada além disso. Havia instrumento formal entre o Botafogo e a
Portuguesa determinando quais seriam as obrigações que foram feitas, e o
Botafogo fez até mais do que estava previsto. Chegou em 31 de dezembro, retirou
as coisas que tinha colocado e que seriam úteis no retorno ao estádio Nilton
Santos. Posteriormente, devolveu nas mesmas condições que recebeu, incorporando
as melhorias, não houve nenhuma conexão ao próximo contrato da Portuguesa.
Engenhão x Nilton Santos
– Acho
que em alguns momentos a gente tem que trabalhar essa questão de nome. É
marketing. A gente escolheu o nome do Nilton por tudo que ele representou para
o futebol brasileiro, mais especialmente para o Botafogo. Ele só tirou a camisa
do Botafogo para vestir a da seleção brasileira. Eu que tive o privilégio de
lidar como Nilton, meu pai frequentava General Severiano, e o Nilton dizia para
a gente que se sentia muito mais confortável com a camisa do Botafogo do que
com a da seleção. Para nós é uma figura lendária. Reúne um nível de rejeição
muito baixo entre as pessoas do esporte por ter sido sempre um símbolo da
elegância. Em 2015, adotamos como nome fantasia, e agora o prefeito Crivella
trocou oficialmente o nome para estádio Nilton Santos. Então o botafoguense
sente quando ele não é chamado de Nilton Santos. Mas são coisas que podem ser
superadas.

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