Quando o torcedor assume o clube

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Guerrero e conca rindo no Flamengo – Foto: Gilvan de Souza

GOAL: Por
Rodrigo Calvozzo

No
início da temporada o Flamengo já despontava como o clube carioca com melhor
condição de disputar os títulos mais importantes do ano, o que no decorrer das
rodadas acabou mesmo se comprovando.
Contando
com uma base que deu certo resultado em 2016, principalmente em sua reta final,
e com um cofre poderoso, o Rubro-Negro prometia montar um elenco ainda mais
competitivo. Não demorou muito, começaram a chegar bons nomes, porém um deles
foi o que gerou o maior rebuliço nas redes sociais, o argentino Dario Conca.
Ídolo
do Fluminense, que no passado era o dono do posto de clube mais abastado
financeiramente do Rio de Janeiro, o meia ganhou fama por ser muito talentoso e
um jogador que praticamente não ficava fora de nenhuma partida. Mesmo tendo uma
rápida passagem pelo Vasco, Conca caiu nas graças mesmo foi com a camisa
tricolor, onde se tornou o principal personagem da conquista do Brasileirão de
2010.
Com
tantas boas referências, qual torcedor seria louco de não querer um jogador
como esse em seu elenco? Acredito que quase nenhum. Mas é justamente aí que
reside o perigo. Lugar de torcedor é na arquibancada, não a frente de um
departamento de futebol profissional, sendo o responsável por contratar ou
dispensar atletas.
Mesmo com todas os alertas de riscos, a
direção Rubro-Negra bancou a vinda do Hermano. O o aspecto financeiro sempre
foi um sinal de que a coisa poderia não correr como planejado, tanto é que
segundo informações, o atleta passou a ser pago pelo clube carioca apenas após
sua estreia oficial. Mesmo sabendo que a saúde financeira do clube anda muito
bem, não é nada recomendado investir pesado em um jogador que não é barato
diante de tantas dúvidas.
Mesmo
assim, o pior veio à tona apenas oito meses após a sua chegada. Conforme foi
divulgado pela imprensa, e o clube não negou, o Departamento Médico da
instituição foi contra a vinda deste jogador, que foi bancado pela direção de
futebol da época. Resultado da brincadeira, Conca atuou até agora em três
partidas.
Nada
contra que clubes sejam ousados em suas investidas, mas é complicado concordar
com uma vice-presidência de futebol que bata de frente com profissionais
gabaritados da área de saúde. A cirurgia que este jogador sofreu, dizem os
médicos, foi muito séria e que se tivesse acontecido décadas atrás não poderia
nem mesmo ter sido realizada. Ou seja, quem bancou esta vinda pouco se
preocupou com a palavra de quem realmente entende do assunto.
Fica
nítido que o responsável por esta contratação deixou o lado torcedor falar mais
alto e aproveitou a oportunidade para dar uma cutucada no rival, trazendo para
o elenco do Fla um antigo ídolo rival.
Sinceramente
torço para que no futuro, Dario Conca possa recuperar o seu futebol, mas diante
de um cenário como temos atualmente, fica cada vez mais nítido que o simpático
argentino foi usado apenas como uma bela peça de marketing para que o ego
Rubro-Negro se destacasse diante da penúria vivida pelos seus rivais locais.

A
direção do Fla coleciona diversos feitos nesse ano que merecem elogios, mas
nesse específico foi uma tremenda bola fora, que beira o amadorismo. Já disse e
repito, local de torcedor é na arquibancada. Quando o assunto for condição clínica
de um jogador é bom deixar que os médicos sejam os responsáveis pela palavra
final. Mesmo que até o final do ano Conca se transforme em uma peça importante
na temporada, o que acho pouco provável, o investimento por si só não deu
resultado nem dentro nem fora de campo.

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