Thiago, Muralha e a falta de confiança no Flamengo

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Goleiro Thiago durante Flamengo x Grêmio – Foto: Buda Mendes/Getty Images

PERON
NA ARQUIBANCADA
: Já disse neste espaço e repito. Qualquer goleiro que consegue
passar pelo estreito filtro e se torna um dos arqueiros de um time como o
Flamengo, nunca pode ser tachado como frangueiro. Eles podem tomar um frango
eventualmente, o que é bem diferente.

Tudo
isso posto é preciso dizer que o jovem Thiago e o experiente Muralha estão
vivendo o pior tormento que um arqueiro, por mais que ele treine e tenha bom
preparo psicológico, pode passar: não ter mais a confiança dos companheiros e
da comissão técnica. Que não é falada diretamente, mas se expressa de muitas
maneiras e atos.
Quem
escolheu jogar como goleiro sabe que a cada gol tomado sempre vai receber
críticas dos torcedores e da imprensa. Isso é normal e todo goleiro aprende a
lidar e relevar com essas situações. Mas quando o arqueiro sente que as pessoas
que estão ao seu lado perderam a confiança na sua figura a situação muda. Neste
cenário, o goleiro sabe que sua condição, em poucos jogos, será insustentável.
Todo
goleiro percebe quando todos no clube vão perdendo a confiança no seu
desempenho. A mais evidente de todas é conviver que o clube está procurando um
goleiro para contratar.
Com o
tempo, também os companheiros não o mais o defendem dos ataques e as críticas,
que antes eram ficam veladas se tornam explícitas a ponto do arqueiro ouvir
após um gol tomado coisas dos jogadores de linha como: “Toda bola que vai
no gol entra. Você não pega uma”. Também ao fazer uma defesa, o goleiro
observa no semblante dos companheiros a cara de alívio de todos.
Outro
bom sinal da falta de confiança do time no arqueiro está no fato de os
companheiros não ouvirem mais suas orientações. Os gritos do camisa 1 não são
ouvidos. Na simples arrumação de uma barreira, os jogadores de linha não seguem
as orientações. O mesmo acontece nas orientações da marcação em escanteios ou
nas jogadas de bola parada.
Também
os zagueiros fazem de tudo para que o goleiro não participe do jogo. Evitam
recuar a bola, quando o goleiro está pronto para pegar a bola dão um chutão
antes que o arqueiro segure a bola, alguns preferem não combater o atacante e
ficam na direção da meta para tentar salvar a finalização perto da linha fatal.
O
goleiro sente que não tem mais o respaldo dos companheiros quando eles comentam
que o outro arqueiro está pronto para atuar e nem citam o seu nome como uma
eventual opção.
Acho
que muito de escrevi aqui acontece com os dois goleiros do Flamengo que podem
jogar na Copa do Brasil. Thiago e Muralha já não tinham a confiança dos
torcedores e nos últimos dias não têm perderam a da comissão técnica e dos
companheiros.
Primeiro
que para todos o goleiro titular do clube é Diego Alves. Segundo basta ver como
foi demorada a escolha do arqueiro que iria jogar a primeira final da Copa do
Brasil. Aliás, a escolha foi errada. O arqueiro deveria ser Alex Muralha, por
mais que ele tenha falhado nas últimas partidas que atuou. Se fosse escalado,
Muralha sentiria a confiança para entrar e fazer uma boa atuação, até para dar
uma resposta a tudo que ele tinha ouvido depois da partida contra o Paraná. Se
ele falhasse, ainda haveria outro jogo para o Flamengo buscar o título.
Com o
escolhido foi Thiago, que falhou no gol de empate do Cruzeiro, o Flamengo vai
para o jogo decisivo com os dois goleiros pressionados e até a decisão ficará a
dúvida de qual arqueiro jogará a partida que decide o título.
A
única certeza é que o arqueiro escolhido entrará com a desconfiança da comissão
técnica e dos companheiros, o que, como eu já disse, é a pior situação para
qualquer goleiro.

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