A segurança que imobilizou invasor no Maracanã com chave de perna

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Funcionária da Sunset deu uma chave de perna e imobilizou um invasor em Flamengo x Cruzeiro

ESPN: Aos
25 anos, Natali Goes se prepara para mais um clássico. Não, ela não joga
futebol. Torcer, torce. É flamenguista. Mas seu pré-jogo não é comprar ingresso
e combinar com os amigos sobre como ir ao estádio. E sim com treinamento para
encarar uma batalha nas arquibancadas. A paulista de Franco da Rocha é
segurança e está escalada para o clássico Flamengo x Fluminense, às 17h desta
quinta-feira, no Maracanã, pela 27ª rodada do Campeonato Brasileiro.

Há um
mês, no primeiro jogo da final da Copa do Brasil, entre Flamengo e Cruzeiro,
ganhou os holofotes depois de imobilizar com uma chave de perna um torcedor do
seu time que tentou invadir o setor Maracanã Mais. O ato de coragem lhe rendeu
como premiação o pagamento de uma diária a mais. Funcionária da Sunset, Natalia
é segurança de banco e, nas folgas, trabalha no estádio carioca.
“Já
era previsto. Tivemos um treinamento antes, em que alertaram para a possível
invasão. O jogo estava tranquilo. Mas ainda no primeiro tempo, um grupo começou
a dar problema. E esse torcedor tentou ultrapassar a catraca do setor. Corri e
o imobilizei. Ele tentou reagir e foi difícil para mim, pela estatura e pela
força dele. Mas ganhei na técnica e na tática. Fiquei segurando até o policial
chegar”, contou ao espnW.com.br.
Tudo o
que Natali sabe aprendeu em dois cursos, que fez há apenas um ano: um curso de
vigilante, que durou um mês e teve cinco aulas de artes marciais, e outro de
grandes eventos, de três semanas – primeiros socorros e como lidar com
multidões.
“Depois
do jogo, da uma sensação de alívio, de tirar o peso das costas. Sinto muito
orgulho de mim mesma, porque acham que por ser mulher não consigo conter
torcedores. Me sinto muito bem preparada.”
A
ligação de Natali com o esporte nunca foi grande. Quando era mais nova, fazia
judô. Agora, corre e vai começar a treinar boxe. Trabalhar como segurança
também não estava nos seus planos. Ela é assistente social formada, mas quando
saiu da faculdade, não conseguiu emprego em sua área. Trabalhou com
telemarketing até o ano passado, por nove meses, e então decidiu fazer o curso
de vigilante.
Começou
a trabalhar na Sunset e estreou no Rio Open (ATP de tênis), em fevereiro. Teve
seu trabalho elogiado e, no mês seguinte, estreou no futebol, em Flamengo x San
Lorenzo, pela Copa Libertadores. De lá para cá, já fez mais de 60 jogos. Dentro
da empresa, foi indicada para o posto de segurança em uma agência do banco
Santander, sua atividade de segunda a sexta.
“Há
dois anos, eu nem imaginava trabalhar como segurança e imobilizar um torcedor.
Foi minha válvula de escape para sobreviver. Mas eu não queria. Dá medo até de
sair na rua. Num estádio, podemos esperar de tudo. Trabalhamos desarmados, só
com técnica mesmo. A lição que aprendi é que nunca sabemos do que a outra
pessoa é capaz. Gosto de futebol, mas queria que houvesse paz.”
Natali
é paulista, mas flamenguista. Aos três anos, foi morar com sua mãe em Nova
Iguaçu, no Rio de Janeiro. Agora, o Maracanã é sua segunda casa.

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