Diego, do Flamengo, é um dos mais influentes nas redes sociais

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Diego vibrando com gol do Flamengo – Foto: Buda Mendes/Getty Images

SPORTV:
Hoje o torcedor não apenas torce, segue. Pergunta, e o time responde. Reclama,
e o jogador lê. Uma verdadeira corrida por seguidores movimenta as redes dos
grandes clubes brasileiros. Mais do que números, o que está em jogo é o conhecimento
sobre o torcedor. Mas os clubes não estão entrando sozinhos nesse universo. As
redes pessoais dos jogadores podem ser ainda mais importantes que dos times.
Neymar, por exemplo, tem 82 milhões de seguidores só no Instagram. Isso é mais
do que o dobro da soma de todos os seguidores de todos os times do Brasileirão.
No twitter, uma rede mais informativa, ele tem mais do que o total dos dez
times mais seguidos. A pedido do SporTV, o Ibope realizou uma pesquisa dos
jogadores mais influentes que atuam no Brasil.

Até o
momento em que a pesquisa foi ar, na noite de sexta, no Tá na Área – sim, tudo
pode mudar de minuto a minuto -, Diego, do Flamengo, era o quinto mais seguido,
Luís Fabiano, do Vasco, o quarto; Robinho e Fred, do Atlético-MG, estavam na
terceira e segunda posições, respectivamente. E quem aparecia no topo da lista
era Felipe Melo, do Palmeiras.
– As
pesssoas são atraídas por jogadores que têm personalidades interessantes. Você
vê o caso do Felipe Melo, que é o jogador, no Brasil, com o maior índice de
engajamento e interesse. Porque tem uma personalidade própria, é polêmico, fala
o que pensa. Às vezes fala até mais o que deveria, mas fala o que pensa – disse
o diretor do Ibope Repucom, José Colagrossi.
Felipe
Melo mostrou-se de certa forma surpreso com o resultado. Ficou feliz, e
considerou importante.
– Eu
não creio que tenha feito algum tipo de coisa nas redes sociais que tenha sido
algo pavoroso, digamos assim… Isso é bacana, porque as pessoas falam mal mas
me seguem, né? A gente vai aumentando os seguidores, isso é importante para mim
– disse Felipe Melo.
Felipe
Melo não comemora sozinho. Logo depois de perder a final da Copa do Brasil para
o Cruzeiro, o Flamengo assumiu a liderança entre os clubes brasileiros no mundo
digital, com mais de 19 milhões de seguidores (19.199.211) somando todas as
redes sociais. Ainda que o anúncio, feito logo após a perda de um título, tenha
causado a ira dos torcedores nas redes sociais à postura da diretoria, o staff
do clube esfregou as mãos pelo fato de os rubro-negros desbancarem o
Corinthians, que investe muito na divulgação on line. Inclusive, o Timão tem um
projeto para centralizar em um aplicativo todos esses canais, conforme afirmou
o gerente de marketing do clube, Vinícius Manfred de Azevedo.
– A
plataforma deve ser lançada no mês de outubro, e a ideia é que ela comece a
tomar corpo, consiga atrair cada vez mais esses torcedores que interagem
conosco nas redes sociais para essa plataforma de uma forma que o clube passe a
ter um pouco mais de conhecimento sobre os dados desse torcedor, quais são os
gostos, os hábitos, o comportamento dele no mercado digital. No ambiente de
mercado também, porque a partir desse momento você começa a gerar negócios. Se
você consegue identificar que X por cento da minha base tem interesse em
cinema, carros, etc., eu consigo ir atrás desse mercado com projetos mais
direcionados, que eu acho que é o que atrai um pouco mais – afirmou Vinícius
Manfred.
Conforme
ainda Vinícus Manfred, o mercado exige uma necessidade, quer uma comprovação de
que vai falar com o público que ele precisa falar e vai ter o retorno que
deseja. Então, quanto mais informação se tiver sobre esse torcedor, melhor. Uma
das grandes mudanças do novo marketing esportivo é o que permite aos clubes e
às marcas um engajamento direto com os torcedores.
– Um
exemplo. Até recentemente, todos os programas de sócio-torcedor no Brasil eram
baseados em desconto de ingresso, certo? Bom… Em média, menos de dez por
cento desses torcedores estão numa área próxima ao estádio. Menos de dez por
cento. Os outros noventa por cento jamais vão se beneficiar de um desconto de
ingresso porque eles não vão no estádio. Eles moram em outra cidade e outro estado.
Então qual é o ponto de você criar um programa de sócio-torcedor que só atende
no máximo dez por cento de sua torcida? – disse Colagrossi.
O erro de Gabigol na hora mais importante
Neste
novo mundo em que jogadores e times são também uma forma de mídia, os clubes
brasileiros estão entendendo que o torcedor é, antes de tudo, um consumidor, um
cliente. Mais do que um produto, o futebol é uma excelente vitrine. Na
televisão, os segundos são monitorados, estudados. Tudo o que aparece tem um
valor que depende do tamanho e do tempo de exposição. É por isso que o que
aparece na camisa ainda é muito importante.
– No
jogo, uma marca aparece em média duas mil vezes. Marca de camisa, seja de
principal e peito. Cada vez que ela aparece, cada segundo a gente captura… Só
que na hora do gol é a hora que, primeiro, que tem o maior recall, que as
pessoas se lembram do gol. E segundo, a hora em que a marca aparece com mais
intensidade, porque a câmera está focada no jogador que marcou um gol – disse
Colagrossi.
Um
fato curioso, ocorrido no dia 25 de novembro de 2015, em Santos x Palmeiras,
primeiro jogo da final da Copa do Brasil, ilustra bem o assunto. Aos 39 minutos
do segundo tempo, o atacante Gabigol, já negociado para o exterior, marcou o
gol do Peixe. Foram apenas 67 segundos na TV. Sem camisa, Gabigol apareceu em
inúmeras reportagens. O valor dessa comemoração em mídia foi de R$ 4,2 milhões.
Uma fortuna que se perdeu no ar junto com a camisa do Santos, tirada pelo
atacante na comemoração. O executivo de marketing do Santos Eduardo Rezende
precisou ter habilidade naquele momento para contornar a situação com o
cliente.

Naquele momento, a gente que está no marketing… Na hora, eu imaginei a capa
da internet, a capa do jornal, a capa da revista, ele comemorando o gol… E o
nosso parceiro de fora da foto. Na hora, o que eu fiz? Liguei para o nosso parceiro.
Falei: “Olha, a gente alerta, a gente conversa. Ainda mais o Santos, que
tem um elenco superacessível, eles entendem essas situações…E aconteceu, ele
tirou a camisa. Estou te ligando…Estamos te bonificando para o próximo
jogo…” Porque tem muita gente que não entende. “Pô, ele ficou 80
minutos… Só por 30 segundos você vai dar um jogo?” Mas foi a capa de
todos os jornais o gol que ele fez. E assim você conquista o cliente – disse
Eduardo Rezende.
Concorrência externa
Conquistar
o cliente mais jovem tem sido um desafio e tanto para os clubes. Até porque, em
um mundo globalizado, cada vez mais a concorrência é internacional. Para
garotos de 12 anos, por exemplo, acompanhar os grandes clubes europeus é fácil.
– Hoje
a gente vive um momento crítico no Brasil que é uma debandada do público
infantil, juvenil, para clubes europeus. Então eu acho que principalmente o
digital é a grande ferramenta disso, porque hoje não existe mais uma barreira
geográfica,. Hoje, se o torcedor quiser vir morar aqui na frente do clube e
seguir mais um clube europeu do que o clube brasileiro, ele consegue. Tem
pesquisas que mostram que em alguns lugares, as camisas mais vendidas são dos
clubes de fora. Isso é um dado alarmante. A gente vê aí se perdendo aquela
história do pai pra filho – disse o gerente de marketing do Corinthians,
Vinícius Manfred de Azevedo, mostrando que, em tempos de mudanças constantes,
as atualizações são imprescindíveis.

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