Flamengo e Cruzeiro fidelizam Sócio-Torcedores e faturam mais

20
Torcidas de Flamengo e Cruzeiro no Mineirão – Foto: Daniel Teobaldo

EPOCA
EC
: Logo que Cruzeiro e Flamengo confirmaram suas classificações para a final
da Copa do Brasil, numa noite de quarta-feira em agosto, Marcone Barbosa,
diretor de marketing cruzeirense, passou a mão no telefone e ligou para Bruno
Spindel, diretor de marketing flamenguista. Daquela conversa, surgiu uma
espécie de parceria informal entre os dois clubes para promover a decisão –
atitude oposta à que o próprio Barbosa viveu em 2014, quando Cruzeiro e
Atlético-MG fizeram uma final de Copa do Brasil às turras. A irmandade, agora
se sabe com dados concretos, rendeu mais do que o conflito. Para ambos os
finalistas e, sobretudo, para o torcedor.

Muito
mais gente foi ao estádio. O dobro de gente, mais precisamente. Foram 58 mil
pagantes nas duas partidas de 2014, uma no Independência e outra no Mineirão, e
contra 119 mil pagantes nos dois jogos de 2017, um no Maracanã e outro no
Mineirão. Três anos atrás o Atlético-MG insistiu para jogar no Independência,
apesar de ter plena capacidade de lotar o Mineirão, porque seu presidente,
Alexandre Kalil, acreditava que sua equipe tinha melhor performance esportiva
no bairro do Horto. O Independência é muito menor do que o Mineirão e o
Maracanã, estádio com o qual agora é comparado, e isso faz toda diferença
quando olhamos para o público.

Com
mais espaços nas arquibancadas de Maracanã e Mineirão, Flamengo e Cruzeiro
cobraram preços mais baixos. As médias foram de R$ 226 em 2014 e R$ 126 em
2017, portanto o jogo mais recente teve ingressos 44% mais baratos. O bom
relacionamento entre dirigentes flamenguistas e cruzeirenses também facilitou a
vida dos torcedores visitantes em ambos os jogos, tanto com guichês melhor
preparados para vender entradas aos rivais, quanto no preço – os R$ 300 para a
inteira cobrados em 2017 foram 33% mais baratos do que os R$ 450 exigidos em
média de visitantes em 2014. Três anos atrás, o Ministério Público de Minas
Gerais (MP-MG) teve de intervir para que o Cruzeiro não cobrasse R$ 1.000 dos
atleticanos.
A
promoção conjunta entre as diretorias celeste e rubro-negra permitiu que ambos
os clubes saíssem de campo com mais dinheiro. Os dois jogos de 2017 renderam R$
8,2 milhões em receita líquida a Flamengo e Cruzeiro, após descontadas despesas
e taxas, 47% mais do que os R$ 5,6 milhões que Atlético-MG e Cruzeiro
embolsaram em 2014. As trocas de mensagens entre perfis oficiais em redes
sociais, os episódios em que mascotes dos dois clubes interagiram juntos com
torcedores, embora pareçam ações menores, contribuíram para que no fim das
contas ambos arrecadassem mais. Mesmo com ingressos mais baratos para
torcedores mandantes e visitantes. Adversários dentro de campo, parceiros fora
dele, cruzeirenses e flamenguistas mostraram como se faz uma final.

COMENTÁRIOS: