Lincoln, do Flamengo, é a esperança de gols da Seleção sub-17

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Lincoln, jogador do Flamengo – Foto: Gilvan de Souza

GLOBO
ESPORTE
: Primeiro, a camisa 9 na base do Flamengo. Agora, na base da seleção
brasileira. Lincoln pegou gosto pelo número, ganhou o apelido de L9 na
internet, que ele adotou e passou a usar nas redes sociais, e virou uma das
referências na Seleção sub-17. No Mundial da categoria, que começa para o
Brasil neste sábado contra a Espanha, na Índia, ele entra com mais peso, mas
também com um bocado de responsabilidade. E ela aumentou depois que o amigo e
principal parceiro neste início de carreira ficou fora da competição.
Companheiros quase inseparáveis no Rubro-Negro, ele e Vinicius Junior não vão
reeditar a dupla que deu tão certo no título do Brasil no Sul-Americano da
categoria – o Flamengo não liberou Vinicius para o Mundial. A partida de
estreia dos brasileiros começa às 8h30 (de Brasília), com transmissão ao vivo
do SporTV e acompanhamento em Tempo Real no GloboEsporte.com.

Da
escolinha do Jerê, no bairro Feu Rosa, na Serra, região metropolitana de
Vitória, até a Copa do Mundo sub-17, Lincoln sempre foi precoce. Com apenas 13
anos, era convocado para a seleção brasileira sub-15. No Flamengo desde janeiro
de 2012, já tem bom contrato, de três anos, com multa na casa dos R$ 100
milhões, e premiação por metas. Há também contrato próprio com uma
fornecedora de material esportivo. Aos 16, bate cada vez com mais força na
porta do futebol profissional do Flamengo.
– O
Flamengo é um dos clubes mais bem estruturados do Brasil e possui profissionais
qualificados que sabem a hora certa de botarem a gente no elenco profissional –
disse ao GloboEsporte.com.
É, ele
não precisa acelerar. Tudo tem acontecido rápido naturalmente. Lincoln é da
badalada geração 2000, um centroavante que trata a bola com muita intimidade e
sabe sair da área. Tem boa velocidade, bom cabeceio e ótima finalização, além
de saber criar espaços para os companheiros. Qualidades que nessa semana o
colocaram numa lista feita pelo jornal inglês “The Guardian”. Num
levantamento com os 60 jogadores mais promissores nascidos a partir dos anos
2000, três brasileiros foram citados: Vinicius Júnior, Lincoln (ambos do
Flamengo) e Paulinho (do Vasco).

Mostra que o meu trabalho vem sendo bem feito, e isso me deixa muito contente e
determinado a continuar fazendo sempre o meu melhor.
Trabalho
mesmo ele vai ter logo na estreia. O Brasil começa a caminhada contra a
Espanha, atual campeã europeia da categoria. Para ele, vai ser estranho não ter
Vinicius Junior bem ali, do lado, mas ele garante que talento não falta.
– Com
certeza é uma perda importante, pela sua qualidade e pela experiência que ele vem
adquirindo no time profissional do Flamengo. Porém, o nosso grupo é forte,
temos excelentes jogadores que podem dar conta do recado.
Confira
outros trechos do papo com Lincoln:
O Mundial sub17 já mostrou pro mundo
craques como Iniesta, Tevez, Ronaldinho Gaúcho, Kroos, Fàbregas, Neymar…já
parou pra pensar nisso, que tem muita gente de olho nessa competição? Qual sua
expectativa coletiva e pessoal?
Eu
sempre busco saber um pouco sobre as competições que vou disputar, e eu vi que
grandes craques do futebol mundial já jogaram esse torneio. É uma chance
incrível que temos de mostrar nosso futebol, apresentarmos, em campo, tudo que
treinamos e aperfeiçoamos no dia a dia. Chegamos no Mundial após conquistar o
Sul-Americano da categoria, então sabemos da responsabilidade que carregamos. A
camisa da seleção brasileira é muito pesada e sempre vai estar entre as
favoritas, então precisamos dar a vida em campo para buscar os resultados positivos.
Você, Paulinho e Vinicius Jr já tinham um
entrosamento. Imagino que você e Vinicius conversavam sobre esse momento. O que
representa pra você a ausência dele? O time pode sentir?
Jogamos
juntos há muito tempo e tivemos um excelente desempenho no Sul-Americano do
início do ano, onde conquistamos o título. Além disso, atuo com o Vinícius há
anos pelo Flamengo, então isso sempre nos deu um entrosamento maior.
Infelizmente, ele não vai poder estar conosco nesse Mundial, e com certeza é
uma perda importante, pela sua qualidade e pela experiência que ele vem
adquirindo no time profissional do Flamengo. Porém, o nosso grupo é forte,
temos excelentes jogadores que podem dar conta do recado
Por outro lado, sua responsabilidade e a
de outros jogadores cresce sem o Vinicius Junior. Tá pronto pra encarar isso? A
cobrança pode ser maior, né?
A
partir do momento que vestimos a camisa da seleção brasileira precisamos estar
preparados para qualquer tipo de desafio e pressão. Independentemente da
presença do Vinicius Jr, eu me cobro constantemente para ter boas atuações nos
jogos e nos treinos, e isso não vai mudar. Atuo pelo Flamengo, um dos maiores
clubes do mundo, e ter essa responsabilidade, essa cobrança, faz parte do meu
dia a dia.
Você acaba de ser apontado como um dos 60
melhores jogadores sub-17 do mundo, pelo jornal The Guardian. Soube disso?
Sentiu o quê?
Fiquei
sabendo dessa indicação através de familiares e amigos. É muito gratificante
quando você vê o seu nome numa lista dessas. Mostra que o meu trabalho vem
sendo bem feito, e isso me deixa muito contente e determinado a continuar
fazendo sempre o meu melhor.
Esse tipo de episódio atrai ainda mais
olhares sobre vocês, é algo que você pensa? Afinal, o Mundial é uma enorme
vitrine.
Quando
estou em campo, procuro, ao máximo, não me preocupar muito com o que estão pensando
do lado de fora. Me mantenho concentrado durante o jogo todo para ter boas
atuações e ajudar meu time a sair com as vitórias. Hoje, a gente sabe que os
olheiros e observadores dos clubes estão por todos os lados do mundo, então
precisamos dar o nosso melhor dentro de campo para que tenhamos uma avaliação
positiva.
E se pensarmos só no Flamengo? Acha que o
Mundial pode te levar mais rápido pro profissional? É a hora?
O
Flamengo é um dos clubes mais bem estruturados do Brasil e possui profissionais
qualificados que sabem a hora certa de botarem a gente no elenco profissional.
Mas o meu pensamento é 100% aqui na seleção brasileira, em fazer um grande
trabalho, para que possa conquistar mais esse título importante na minha
carreira.
Esse grupo do Brasil tá junto há algum
tempo, tem invencibilidade em jogo (12 partidas de Sul-Americano), título, essa
geração promete. Concorda?
O
Brasil é o país que mais revela jogadores de alta qualidade no mundo inteiro.
As gerações que surgem são sempre fortes, e acho que a nossa segue essa linha.
Temos grandes jogadores de vários clubes importantes. Mas a questão de
invencibilidade, números, tudo isso fica fora de campo quando a bola começa a
rolar. Nosso foco é em cada jogo, um por um, para, quem sabe, buscar os títulos
que disputamos.
Logo de cara…tem Espanha, atual campeã
europeia…bom pra começar com tudo? Ou preocupa?
O
duelo contra a Espanha vai ser muito difícil, pois possuem excelente jogadores,
mas temos que impor nosso ritmo de jogo. Todas as seleções que chegam ao
Mundial tem suas qualidades e méritos, então a preocupação vai existir em todo
jogo. Mas sabemos, também, que todos que jogam contra o Brasil também estão
preocupados, pois é a camisa mais pesada do futebol mundial.
A escalação do Brasil:
Gabriel Brazão, Wesley, Vitão, Lucas Halter e Weverson; Victor Bobsin, Marcos
Antônio e Alan; Paulinho, Lincoln e Brenner.
Técnico: Carlos Amadeu.
Local: Estádio Internacional
Jawaharlal Nehru / Cochim, Índia.
Brasil
e Espanha se enfrentam às 8h30 (de Brasília), em Cochim. No mesmo grupo, estão
Níger e Coreia do Norte. O GloboEsporte.com detalha todos os lances do jogo da
Seleção em Tempo Real. SporTV transmite a partir das 8h (de Brasília).

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