Menos videogame e mais futebol

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Time do Flamengo no Pro Evolution Soccer (PES), na Ilha do Urubu – Foto: Reprodução

FALANDO DE FLAMENGO: Por Thiago Nascimento

Com
bem diz o título, o tema do texto de hoje será o e-sports.
Porém,
preciso te dizer que, caso você seja fã de dirigentes e/ou seja fã
incondicional de todas as atitudes da atual diretoria do Flamengo: interrompa a
leitura desse texto imediatamente.
Agora,
caso você tenha um senso um crítico para todo e qualquer assunto (em especial
ao tema Flamengo), e que além disso, admira opiniões diferentes da tua, e que
as utiliza a fim gerar novas reflexões: esse texto é para você.
Bem,
antes de me aprofundar na minha reflexão sobre e-sports, preciso deixar
explícito que jogo videogame desde 1989. E de lá para cá, tive videogames de
todas as gerações possíveis… Além disso, joguei dezenas e dezenas jogos. Aliás,
mantenho todos esses videogames guardados na minha casa. Portanto, tudo que
aconteceu na cena mundial de videogames desde o Atari até o grandioso
Playstation 4, eu conheço. Portanto, não caí de pára-quedas nesse assunto.
Obviamente,
que ao entrar na fase adulta, você assume diversos compromissos pessoais e
profissionais. E por conta disso, você acaba tendo um tempo reduzidíssimo para
jogar videogames. Mas de qualquer forma, continuo acompanhado bem de perto tudo
que acontece no cenário gamer. E quando eu tenho alguma folga na minha agenda
(o que é raro), eu tento jogar um pouco.
Agora,
retornando ao tema central do texto, que é o e-sports, confesso que não gosto.
Aliás, nem o considero um esporte em sí. Mas, eu respeito quem goste.
Com
relação ao Flamengo investir nesse novo nicho de mercado, acredito que seja uma
total inversão de prioridades do clube. Pois na minha opinião, existem diversas
demandas de Marketing que o clube precisa priorizar em esportes que lhes
trouxeram tantas glórias. Em especial, o futebol e o remo.
Muito
se fala, sobre os clubes europeus e de alguns times de basquete que estão
investindo atualmente nos e-sports. Entretanto, precisamos manter os nossos pés
no chão e nos atentarmos que esses clubes possuem uma alta capacidade de
investimento financeiro. Além disso, esses clubes já possuem um alto nível de
gestão de excelência. E que por conta disso, eles conseguem investir
tranquilamente em outros nichos de mercado, e obviamente: conseguem gerir
diversas demandas de Marketing, concomitantemente.
É
claro que dia após dia, o Flamengo vem se tornando um exemplo de gestão para os
demais clubes brasileiros. Porém, também vemos na grande mídia, que por mais
que o clube se esforce para manter as contas em dia, a situação ainda inspira
muitos cuidados. Afinal de contas, o clube ainda possui muitas dívidas para
serem pagas.
Logo,
não é preciso ser nenhum especialista em gestão, para entender que os recursos
de investimentos, de uma forma geral… ainda são escassos. Por isso, é preciso
ter foco no seu core-business.
E aí,
vocês me perguntam: Qual é o core-business do Flamengo?
E eu
te respondo: O futebol.
Se eu
não estiver enganado, durante o evento de apresentação do e-sports do Flamengo,
foi dito que o e-sports terá a mesma importância dos demais esportes. Bem, na
minha humilde opinião, eu acho isso um tremendo de um equívoco!
Ninguém
torcerá para Flamengo, por causa de videogame! A maioria das pessoas se
tornaram Rubro-Negros(as), porque assistiram as conquistas do Flamengo dentro
de campo, vendo a História sendo construída com taças, jogando bola na rua com
a camisa do time e indo ao estádio lotado para presenciar o Flamengo
doutrinando os adversários, e conquistando vitórias atrás de vitórias!
E
porquê os torcedores mirins de hoje em dia, torcem para o Barcelona, Real
Madrid, Bayern de Munique, Manchester United e outros? Porque na vida real,
esses times empilham em suas salas de troféus, uma taça em cima da outra! Ano
após ano! É esse fator que forma novos torcedores!
É por
esse fator que os jovens adoram jogar com os times europeus em jogos de futebol
no videogame, por exemplo.
Agora,
sem conquistar títulos de expressão, como um clube vai conseguir angariar com
sucesso, uma multidão de novos torcedores?
Portanto,
o caminho para conquistar esses futuros e atuais jovens torcedores, deve se dá
do campo para o videogame. E não ao contrário!
Esses
times focam no seu core-business.
E a
gestão desses clubes como um todo, entendem o caminho que deve ser percorrido.
Inclusive os seus respectivos departamentos de Marketing.
Por
isso, acho que o nosso Querido Flamengo, deveria focar o seu departamento de
Marketing em seu core business: o futebol.
E na
minha opinião, as prioridades são:

Encontrar uma solução para o baixo comparecimento do público durante as
partidas na Ilha do Urubu. Afinal de contas, do que adianta ter mais de 100 mil
STs, se o clube não consegue por 20 mil pessoas por jogo na Ilha do Urubu?

Melhorar a quantidade e qualidade das experiências para quem é ST de fora do
Rio de Janeiro, e até mesmo para STs que moram fora do país.

Encontrar novas formas de consumo para produtos oficiais do clube.
Pois
com uma torcida gigantesca e que a maioria das pessoas não estão nas classes A
e B, fica difícil para todo esse povo Rubro Negro, comprar muitos produtos
oficiais. E por mais que se diga, que isso é um fator sócio-econômico, o clube
deveria apresentar uma solução para esse problema.
Pois
com certeza, isso geraria uma grande fonte de receita para o clube. Afinal de
contas, é melhor muitos consumirem muitos produtos mais baratos (réplicas de
camisas oficiais bem mais baratas, por exemplo), do que poucos torcedores
consumirem poucos produtos oficiais, que são caríssimos para a nossa realidade
brasileira.

Aumentar o faturamento de patrocínios de forma expressiva para o futebol, ano
após ano. Pois isso ajuda o clube a ter mais renda, e montar times cada vez
melhores. E que consequente, as chances de títulos, aumentam e muito.

Porque investir nesse momento no e-sports, quando se é possível criar fortes
campanhas de Marketing para atrair potenciais talentos para praticar o remo? Já
que é um esporte estatutário? E isso serve para outras modalidades esportivas
que já fazem parte do dia a dia do clube.
— Entre
muitas outras situações possíveis….
Enfim…
acho que existem diversas demandas que precisam ser atendidas de forma
prioritária pelo Marketing do Flamengo, antes mesmo de se pensar em se dedicar
ao e-sports. Até porque essa nova “modalidade esportiva” na minha opinião,
jamais poderá estar no mesmo patamar de prioridades de outros esportes do
clube. Do futebol então, nem se fala!
Boa
sorte, para o clube. E que possam ser alcançados muitos títulos nessa nova
modalidade.
Mas, o
que me tornou Flamengo, foram gols, vitórias e títulos no futebol… Por isso,
posso garantir a qualquer um, que a emoção de envergar o Manto Rubro – Negro,
se deu por conta desses motivos. E essa emoção, nenhum videogame do mundo me
deu.
E
tenho certeza também, que o videogame não dará essa emoção para ninguém.
Saudações
Rubro-Negras.

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