Não brinque com o meu interior

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Camisa do Flamengo no meio da torcida, na Arena Corinthians, em Itaquera (Wallpaper) – Foto: Gilvan de Souza

REPÚBLICA PAZ E AMOR: Vivi Mariano

Eu não
sei ser Flamengo pela metade. Ao contrário da atual diretoria, quero ganhar
tudo. E sempre. E títulos. Todos. Esses resultados medíocres estão brincando
com o meu interior. Não brinque, Flamengo. Não você. Estava fazendo uma análise
do discurso dos nossos dirigentes através do uso da prepotência e da soberba
pra justificar os fracassos do time, enquanto descia do metrô para mais um Fla
x Flu. Inclusive eu não completo “primaveras” (no meu caso, “verões”), a cada
aniversário eu celebro meus “Ai Jesus”. Por conta do feriado, saí da estação
como de dentro daqueles trens lotados que levavam a torcida do Flamengo para o
Maraca, fazendo aquele espetáculo de raças, cores, olhares, paixões, amores,
sonhos, desejos, cheiros, expectativas quando a porta abria e a multidão
desembarcava. Um amigo especial me contou que na sua infância, o pai passou
pelo Maracanã, seguiu até Madureira de carro em um jogo do Flamengo. Estacionou
por lá e pegou o trem lotado com ele de volta. Tudo isso para que o filho
pudesse viver aquela sensação. Ah, Flamengo, um coração quando ama é sempre
amigo. Só não faça gato e sapato de mim – Você NÃO – Pois aquele que dá pão,
também dá castigo.
Vou
chegando no estádio vivendo um sonho sonhado, ando de mãos dadas com meu pai,
me solto e saio correndo pelo meio da torcida que caminha em direção do NOSSO
lugar. Me perco do meu irmão. Escuto trechos de histórias. Gente com brilho nos
olhos narrando seus jogos históricos, suas jogadas preferidas, suas tardes
inesquecíveis. Gente que começa a fazer história, indo a primeira vez,
conhecendo e se reconhecendo. Flamengo é projeção de vida. Da vida dos meus 11
leitores, com certeza. É nossa história costurada por jogos do Flamengo. É luta
e resistência por preços JUSTOS. Ingressos acessíveis. No Flamengo, e no
futebol (cravou o velho Nelson) o pior cego é aquele que só enxerga a bola (E
DINHEIRO). Mas, não brinque, não brinque com o meu interior.
Um
grito de “Faaaaaalaaaaa Viviiiiiii” me tira do transe que o Maracanã me causa.
Dou um abraço no amigo desconhecido da rede social, e ele completa: “Viu a
escalação?” Estremeço. Ele vai narrando um a um. E pronuncia o que eu temia:
“Márcio Araújo”. Chego a cambalear. É o Juízo Final. A história do Bem e do
Mal. Quero ter olhos pra ver. A maldade desaparecer. O sol há de brilhar mais uma
vez. [Fiz a foto] Vem Nelson Cavaquinho. E o camarada, cruel, completa: “E
Rômulo”. Certa que estaria livre das “provocações” do amigo, me despeço, com
ele repetindo insistentemente: “Não podemos reclamar, Viviiiiii. Essa diretoria
acertou as finanças do Clube. É muito responsável.” Suspiro. E sigo em direção
do meu lugar no sol da arquibancada. Volto ao meu pensamento inicial: eu não
sei ser Flamengo pela metade. Mas, não pense que o meu coração é de
papel(moeda). Não me contento com finanças acertadas e futebol medíocre. Ou
tudo, ou nada. Eles tentaram. Mas, camarãoooooooo. Estão desde 2013 batendo
cabeça no Departamento de Futebol. Nós entendemos. Não é para qualquer um. Não
é para os fracos. Não é para quem não entende. Não é para quem torce para outro
time DENTRO do Clube. Não é para quem defende estádio vazio e cofres cheios.
Negar nossa história, raízes, CORES…PUNE. O problema é que pune uma NAÇÃO que
apoia, vibra, paga programa fraco de sócio torcedor para colaborar e ajudar a
acertar as finanças(!!!!!), que compra produto oficial, que consome, que apoia
até os falsos dirigentes, tudo isso pelo Flamengo. Mas não brinque com o meu
interior.
O ano
não acabou. Mas minha paciência já. A fé no Flamengo continua inabalável. A
onda passa. O Flamengo fica. Por isso, se Rueda não entregar a paçoca na
escalação, temos time (frouxo, mas temos) pra ganhar do Fluminense e avançar na
SulAmericana. Mais uma vez, estarei lá, apoiando até o final. Esse T Í T U L O
(é bom soletrar para que eles leiam com clareza) é o mínimo que esperamos de um
Flamengo que desistiu do Campeonato Brasileiro de modo covarde, que fez
campanha medíocre com eliminações vergonhosas em 2017. Fora o baile. Mas não
contem isso para o presidente Bandeira, nem para o presidente Fred Luz. Não incomodem
o tricolor psicólogo, o gambá, os vêpês alegres, não. Não tirem nossa diretoria
desse piscinão de moedas e notas que eles nadam. Nadam, nadam e morrem na
praia. Camarão que dorme a onda leva. Hoje é dia da caça. Amanhã do caçador.
Pra
vocês,
Paz,
Amor e 2018 promete.

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