O Flamengo quer acabar com os flamenguistas

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Torcida do Flamengo no Hexa, em 2009 – Foto: Divulgação

ESPN
FC
: Por João Luis Jr.

É
chover no molhado dizer que o Flamengo está tendo um ano decepcionante. Essa
conclusão, mais do que óbvia, já foi usada para começar colunas sobre as
partidas, entrevistas de dirigentes, análises de trabalhos de técnicos,
provavelmente até como quebra gelo em primeiros encontros de Tinder (“eu sei
que eu não pareço com as fotos, mas ainda assim a diferença é menor do que
aquela entre o que o Flamengo prometia em janeiro e o que ele fez até agora”) e
acredito que até mesmo o torcedor mais pessimista não esperava um ano tão ruim.
Ao
mesmo tempo, a busca pelas razões dessa decepção já foi feita de várias
maneiras, até mesmo aqui na coluna. Falta disposição aos jogadores? Faltou
planejamento dos dirigentes? O problema é o esquema tático? O Flamengo 2017 foi
na verdade uma grande miragem e vimos numa equipe mediana um grande elenco que
nunca existiu? Existe uma célula terrorista na Gávea que ameaça os familiares
dos técnicos caso eles não escalem Vaz, Márcio Araújo, Gabriel? Isso tudo é um
pesadelo coletivo e vamos acordar na manhã de 17 de maio, logo antes de San
Lorenzo e Flamengo, o lençol todo suado, a cama bagunçada, nenhum dos móveis
ainda quebrados?
Por
isso talvez seja hora de fugir da análise racional, fugir da investigação
lógica do que acontece dentro ou nas proximidades do gramado e entrar de cabeça
no campo das conspirações, das teorias, talvez até mesmo do místico e do
sobrenatural. Afinal, de que outra forma explicar um Flamengo que independente
do tempo de treinamento não consegue desenvolver nenhum padrão de jogo? Como
justificar a incapacidade de alguns dos atacantes mais badalados do continente
de apenas chutar dentro da área do gol? Como imaginar, sem o uso do termo
“exorcismo”, uma solução para o momento do atleta Éverton Ribeiro?
Então
começo a acreditar que o Flamengo 2017 não seja bem um erro, não seja bem um
acidente, não seja apenas o fruto de uma série de decisões equivocadas, mas sim
talvez um projeto, muito bem pensado, muito bem executado, porém com um
objetivo que nós não compreendemos.
Serão
partidas como a desse domingo contra a Chapecoense financiadas pelo governo Temer
para que o brasileiro esteja tão indignado com o esporte que não consiga se
preocupar com a situação política do país? Serão atuações como as do Flamengo
nesse Campeonato Brasileiro na verdade medidas de aquecimento da economia, com
jogos tão ruins que você começa a pensar se não seria melhor estar trabalhando
do que assistindo isso? Será esse ano todo um projeto da diretoria para reduzir
a nossa torcida, visando que nós, que somos milhões, possamos ser alocados
todos no estádio da Ilha, com capacidade para apenas uns 20 mil?
Porque
ainda que não seja possível entender o motivo, uma coisa está clara: o Flamengo
de 2017 parece querer acabar com os flamenguistas. Em cada derrota ridícula, em
cada empate broxante, em cada vitória que te garante os 3 pontos mas na cena
pós-créditos já te faz pensar em todos os pontos que vai perder no futuro se
continuar jogando assim.
E
ainda que obviamente ele não vá conseguir – uma torcida que já viu em campo
nomes como Irineu, China, Negreiros, Walter Minhoca e Dênis Marques não se
impressiona com qualquer coisa -, seria bom o quanto antes desvendar essa
conspiração, resolver esse mistério, fazer o Flamengo, mesmo que fosse preciso
um padre jovem, um padre velho, uns 100 litros de água benta, voltar a jogar
alguma coisa parecida com futebol. Para um ano que prometia uma longa sessão de
“Nós somos os campeões”, com certeza já tivemos episódios demais de “Arquivo X”
por aqui.

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