Rueda e Abel têm desafios diferentes em Flamengo x Fluminense

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Foto: infoesporte

GLOBO
ESPORTE
: O 55º Fla-Flu da história do Brasileirão terá um confronto à parte:
Reinaldo Rueda x Abel Braga. Enquanto o colombiano terá o primeiro clássico com
o Tricolor pela frente, Abelão tentará recolocar o seu time nos trilhos a
partir do duelo de quinta-feira, às 17h (de Brasília), no Maracanã.

A
dupla é contemporânea. E, se está consolidada no mundo da bola, vive situações
diferentes nos seus clubes. Depois da perda do título da Copa do Brasil, o
colombiano precisa de resultados para desenvolver o trabalho com tranquilidade.
O brasileiro, por sua vez, tem total apoio, afinal, é a principal esperança
contra o risco de rebaixamento.
Veja
abaixo detalhes da carreira e do trabalho dos treinadores. E lembre-se: em
sétimo, o Fla não ganha há dois jogos e tem 39 pontos. O Flu, em jejum de cinco
jogos, é o 16º, com 31 pontos.
O começo
Reinaldo
Rueda, 60 anos, começou a vitoriosa carreira como treinador no pequeno
Cortuluá, da Colômbia. Três anos depois, em 1997, foi chamado para trabalhar no
Deportivo Cali. No ano seguinte já, conquistou pela primeira vez o campeonato
nacional em seu país e deixou o clube, que foi vice da Libertadores em 1999.
Ainda
no começo da carreira, Rueda também teve uma passagem pelo Independiente
Medellín, de maio a setembro de 2002. Ele ficou pouco tempo por um motivo
nobre: assumir o comando das seleções de base da Colômbia.
O
carioca Abel Braga, 65 anos, é um dos técnicos mais vitoriosos do Brasil. Tem
24 títulos na carreira – o último foi a Taça Guanabara deste ano e o Mundial de
2006, com o Internacional, é o mais importante. Está na terceira passagem pelo
Flu e, com o seu histórico no clube (o terceiro em número de jogos, com 280)
tornou-se a maior referência no Tricolor versão 2017.
A
personalidade forte, aliás, sempre o colocou como destaque desde o começo da
carreira de técnico. O primeiro time foi o Goytacaz, em 1985, logo após parar
de jogar. Ele foi zagueiro, tendo sido convocado para a Copa de 1978, na qual
foi reserva.
Copa do Mundo
Depois
da passagem pelas categorias de base da Colômbia, Rueda foi chamado para a
equipe principal durante as Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2006. Quando
chegou, porém, os colombianos estavam em último na classificação e não
conseguiram se recuperar a tempo de ir à Alemanha.
O bom
trabalho levou Rueda à seleção de Honduras. Depois de 28 anos, o país voltou à
Copa do Mundo (de 2010). A última passagem do atual treinador do Flamengo por
uma seleção foi na preparação e na Copa do Mundo de 2014, no Brasil, com o
Equador. O “profe”, como é chamado no Flamengo, é, inclusive, o
técnico colombiano que mais disputou mundiais: dois pelas seleções de base, um
pelo Equador, um por Honduras e um pelo Atlético Nacional.
Abelão
nunca treinou uma seleção. Recentemente, recebeu convite para trabalhar na dos
Emirados Árabes Unidos. Não aceitou por ter contrato com o Flu. Tem trabalhos
em sete times do exterior, a maioria em Portugal – o que também fez o Porto
sondá-lo recentemente, outra ação negada por ele. Foi o Olympique de Marselha,
da França, talvez o time de fora com maior representatividade que ele treinou.
Libertadores e vinda ao Brasil
Rueda
ficou ainda mais conhecido no Brasil quando comandou o Atlético Nacional. O
treinador chegou ao clube em 2015, após a saída de Osório, que foi para o São
Paulo. Já no ano seguinte, ajudou a equipe colombiana a levantar o troféu da
Libertadores. O bom trabalho, inclusive, fez o técnico ser indicado ao prêmio
“The Best”, da Fifa, que premia os melhores do mundo na função.
Por causa
de um problema de saúde, no quadril, porém, Rueda deixou o Atlético Nacional no
início de 2017 para estudar na Europa e se cuidar. A proposta do Flamengo fez o
colombiano desistir de seus planos para voltar a trabalhar e comandar uma
equipe no Brasil.
Linha de frente
Depois
de um ano parado, um período no qual não assumiu nenhum clube por opção ao
deixar o Al Jazira, Abel topou encarar o desafio de treinar o Flu. Desafio
porque a direção deixou claro que o ano seria de vacas magras, dada a
dificuldade financeira.
Ao
trabalhar com um elenco de jovens, sem reclamar, o comandante virou um dos
maiores defensores do clube. Não à toa encarou o protesto de torcedores do
aeroporto, no retorno de Porto Alegre, onde perdeu para o Grêmio. É a linha de
frente do time, situação entendida pela torcida. No primeiro jogo em casa, após
a perda do filho João Pedro, recebeu uma linda homanagem.
Clássicos no Rio
Rueda
já disputou três clássicos desde que chegou ao Flamengo: todos diante do
Botafogo. Pela semifinal da Copa do Brasil, foi um empate (0 a 0) e uma vitória
(1 a 0), resultados que garantiram sua equipe na decisão. Já pelo Brasileiro,
sua equipe perdeu por 2 a 0 para o Alvinegro.
Abel
trabalhou nos quatro grandes do Rio. Conhece as histórias e as particularidades
de cada confronto. Em 2017, defendendo o Flu, tem aproveitamento de 33,3% em
duelos diante de Flamengo, Vasco e Botafogo (três vitórias, três empates e seis
derrotas em 12 jogos). Não conseguiu vitória sobre o Rubro-Negro: três empates
e duas derrotas, perdendo o título Carioca, mas ganhando a Taça Guanabara.

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