Joia 2018: Jean Lucas superou morte da avó e dispensa para seguir sonhos no Fla.

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o esporte produz histórias de superação a cada dia. O caso de Jean Lucas, meia de 19 anos do Flamengo e mais nova atração do grupo que inicia a pré-temporada dia 4 de janeiro – ainda sem boa parte do elenco, que volta dia 13 -, é ainda mais emblemático.

Imagine-se com 15 anos, morador de Campo Grande e com ajuda de custo de R$ 30 por mês. Um dia, depois de muitas faltas e desinteresse pelo futebol – que se explica pela morte da avó -, você é comunicado que, depois de sete anos, está dispensado pelo Nova Iguaçu.
O menino Jean Lucas, na época magrinho, com 45 kg – hoje pesa 72 kg em 1,80m -, não aguentou e desabou. O falecimento da avó Marina mexeu com ele. Chorava muito e queria parar de jogar.
– “Você é bom jogador, vai conseguir outro clube”, me falaram na sala. Saí chorando muito – lembra Jean Lucas, camisa 8 do time que foi vice-campeão da Copa do Brasil sub-20 este ano.
Ao fim de uma ligação de cerca de 30 minutos com a reportagem do GloboEsporte.com, Jean Lucas, hoje com 19 anos, entrou em contato e mandou recado, que lhe serviu para erguer a cabeça e seguir atrás dos seus sonhos.
– Tudo que eu sou tudo e tudo que eu tenho hoje eu agradeço a Deus e aos meus pais – escreveu Jean Lucas.
O pai Marcelo e a mãe Carla apoiaram o garoto.
– Ela vai me ver jogando lá de cima. Meu pai colocou isso na minha cabeça. Tinha que investir nos meus sonhos.
“Não sentiam nem o meu cheiro”
Jean Lucas chegou ao Nova Iguaçu com oito anos. Dos sete anos, em três ficou praticamente sem jogar, quando sofreu com o drama da avó. Foi colocado de lado – “botavam uns moleques ruinzão para jogar e eu não entrava” – até ser dispensado. Antes, jogou também na base do Bonsucesso, treinando na Cidade Alta, onde se acostumou a sentir o cheiro de maconha enquanto corria atrás da bola, passando por boca de fumo e traficantes armados.
Ele chegou ao Flamengo depois de passar por peneira em Guaratiba, bem próximo de casa. O auxiliar do sub-20 Valtinho gostou do seu futebol – na época, ainda era ponta-direta – e lhe deu um cartão, pedindo para entrar em contato. Quando o pai soube, achou que era mentira. Mas ainda havia outra peneira, no próprio Flamengo.
– Fiquei um tempão esperando. Sempre adiavam. Mas aproveitei para me preparar. Treinava em dois períodos num projeto lá em Bonsucesso, quatro meses fazendo físico sozinho. Quando veio o teste no Flamengo cheguei voando. Não sentiam nem o meu cheiro. Todo dia colete rasgado – conta, orgulhoso.
Alheio à possível saída de Rueda, Jean Lucas realizou parte do sonho ao subir para o profissional, finalmente. Ele já esperava promoção antes e só ficou sabendo quando ficou fora da lista dos jogadores que iriam para a Copa Rio Grande do Sul sub-20.
Ele define seu estilo de jogo com simplicidade: “por ser ponta antes, aprendi a marcar e a jogar. Sou forte para lançar, dar passe, cruzamento”, mas admite que no “jogo aéreo não é muito bom”, apesar da altura. Tem como referência Pogba, Modric e o brasileiro Paulinho.
A avó vai vê-lo em 2018. Na estreia do Carioca, dia 18 de janeiro, ele e outros amigos da base devem ter a primeira chance. Com a camisa para dentro do calção, como a mãe sempre ensinou desde criança, ele vai lutar para ganhar seu espaço e dar alegrias para a torcida do Flamengo.
– Tem que ter paciência. Espero que seja ano de muitas vitórias, muitos títulos. Quero ajudar a equipe. Deus vai me abençoar.
Reprodução: Globoesporte.com

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